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Capital

Jovem diz que mãe “vivia oprimida” antes de ser jogada na rodovia pelo marido

Vítima atropelada por carro que passava pela via recebeu socorro em estado grave e passou por cirurgia

Por Bruna Marques e Geniffer Valeriano | 09/05/2026 11:16
Jovem diz que mãe “vivia oprimida” antes de ser jogada na rodovia pelo marido
Filha da vítima relatou que a mãe “vivia oprimida” e sofria ameaças constantes do companheiro (Foto: Maya Severino)

A mulher de 44 anos atropelada na noite desta sexta-feira (8), na BR-262, no Núcleo Industrial Indubrasil, em Campo Grande, vivia sob ameaças e constantes episódios de violência praticados pelo companheiro, segundo relatos dos filhos da vítima, que preferiram não se identificar.

RESUMO

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Uma mulher de 44 anos foi atropelada na BR-262, em Campo Grande, após ser empurrada pelo companheiro na pista, em um caso investigado como tentativa de feminicídio. O suspeito, que usava documentos falsos e tinha mandado de prisão em aberto, foi preso com munições em casa. A vítima está internada em estado grave na Santa Casa. Em 2025, Mato Grosso do Sul já registrou 44 tentativas de feminicídio e 11 mulheres assassinadas.

O caso é investigado como tentativa de feminicídio após testemunhas afirmarem que o marido, de 44 anos, empurrou a vítima para a pista momentos antes de ela ser atingida por um carro.

A filha da vítima, de 21 anos, afirmou que a mãe “vivia oprimida” desde que voltou de Mato Grosso, há cerca de dois meses.

“Já dava para ver que a minha mãe estava sendo oprimida desde quando ela voltou de Mato Grosso. Ele já vinha ameaçando ela. Cheguei até a ligar para minha irmã, que mora no Nova Lima. Falei que, se acontecesse alguma coisa com a minha mãe, era ele quem estava ameaçando”, contou.

Jovem diz que mãe “vivia oprimida” antes de ser jogada na rodovia pelo marido
Trecho da rodovia onde a vítima foi atropelada (Foto: Maya Severino)

Segundo a jovem, a vítima retornou para Campo Grande com ajuda da polícia de Mato Grosso, que teria pago a passagem dela para fugir do relacionamento. Apesar disso, o suspeito prometeu mudar e os dois retomaram a convivência.

“Eles voltaram a ficar juntos desde dezembro. Só que ele começou a falar que ia mudar”, disse.

A filha também revelou que acredita que a mãe nem sabia a verdadeira identidade do companheiro. Conforme ela, o homem usava nomes falsos e foi identificado corretamente apenas após a prisão na noite de ontem.

“Ela falava que ele se chamava José, às vezes Raimundo. Ontem descobriram o verdadeiro nome dele. A polícia encontrou um monte de documentos falsos na casa. Também descobriram que ele já cometeu homicídio”, relatou.

De acordo com o depoimento da filha, o casal passou a tarde discutindo. A briga teria começado na casa da família e continuado em um bar próximo à rodovia.

“Ontem à tarde eles já estavam brigando aqui em casa. Minha mãe veio chorando, falando que ele estava xingando ela. Depois contou que ele tinha empurrado ela contra a parede, com o braço no peito dela”, afirmou.

Segundo ela, o companheiro da mãe estava embriagado e frequentemente criava confusões. “Eles não se davam bem. Brigavam direto, principalmente quando ele estava bêbado”.

Jovem diz que mãe “vivia oprimida” antes de ser jogada na rodovia pelo marido
Vítima está internada na Santa Casa e passou por cirurgia na manhã de hoje (Foto: Arquivo da família)

A jovem disse ainda que o irmão, de 24 anos, presenciou o momento em que a mãe foi empurrada na rodovia. “Pelo que meu irmão contou, durante a briga o marido empurrou minha mãe para o outro lado da BR. Quando ela voltou, olhou só para o lado contrário e não viu o carro vindo. Aí foi atropelada”.

Ela afirmou que o veículo arrastou a vítima por cerca de três metros. “Eu e a vizinha corremos para cima dela. Chamamos o socorro e a polícia porque meu irmão falou que viu nosso padrasto empurrando minha mãe”.

Segundo a jovem, uma câmera de segurança da vizinhança registrou parte da movimentação, mas não mostra claramente o momento do empurrão. “Só aparece quando ela já está do outro lado da pista e depois o carro atingindo ela”.

Filho presenciou o crime – O filho da vítima, de 24 anos, testemunhou o crime e contou que o padrasto estava sob efeito de drogas e tentou agredi-lo antes de atacar a mãe.

“Ele estava cheirado de droga, usava pasta base e pedra. Foi querer me bater, não conseguiu porque eu estava de bicicleta. Tentou me empurrar também, mas eu freei. Depois foi para cima dela”, disse.

Segundo o rapaz, o suspeito empurrou a vítima propositalmente na frente do veículo. “Foi de propósito. Depois disso ele falou: ‘você também, sua puta desgraçada’, pegou minha mãe e empurrou”.

Jovem diz que mãe “vivia oprimida” antes de ser jogada na rodovia pelo marido
Casa onde a vítima morava com o suspeito, no Núcleo Industrial Indubrasil (Foto: Maya Severino)

O filho afirmou ainda que o homem era agressivo e costumava humilhá-lo dentro de casa. “Eu falava para minha mãe separar dele, mas ela é teimosa”.

O crime - Conforme o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para atender um atropelamento às margens da BR-262. No local, a vítima estava inconsciente e com diversas fraturas aparentes. Ela foi socorrida em estado grave pelo Corpo de Bombeiros e levada para a Santa Casa, onde permanece internada.

Após receber informações do filho da vítima, os policiais seguiram até a residência do casal e localizaram o suspeito. Durante a abordagem, ele tentou enganar os militares apresentando nomes falsos, inclusive o do próprio irmão. Depois, confessou a verdadeira identidade.

Em consulta ao Sigo (Sistema Integrado de Gestão Operacional), os policiais descobriram que havia um mandado de prisão em aberto contra ele.

Ainda segundo a ocorrência, o homem autorizou a entrada da polícia na residência. No imóvel, foram encontradas dez munições calibre .22, além de diversos documentos falsos. Nenhuma arma foi localizada.

O suspeito foi preso em flagrante e encaminhado para a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Somente neste ano, Mato Grosso do Sul já registrou 44 casos de tentativa de feminicídio e 11 mulheres assassinadas, segundo dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública).

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