Jovem diz que mãe “vivia oprimida” antes de ser jogada na rodovia pelo marido
Vítima atropelada por carro que passava pela via recebeu socorro em estado grave e passou por cirurgia

A mulher de 44 anos atropelada na noite desta sexta-feira (8), na BR-262, no Núcleo Industrial Indubrasil, em Campo Grande, vivia sob ameaças e constantes episódios de violência praticados pelo companheiro, segundo relatos dos filhos da vítima, que preferiram não se identificar.
RESUMO
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Uma mulher de 44 anos foi atropelada na BR-262, em Campo Grande, após ser empurrada pelo companheiro na pista, em um caso investigado como tentativa de feminicídio. O suspeito, que usava documentos falsos e tinha mandado de prisão em aberto, foi preso com munições em casa. A vítima está internada em estado grave na Santa Casa. Em 2025, Mato Grosso do Sul já registrou 44 tentativas de feminicídio e 11 mulheres assassinadas.
O caso é investigado como tentativa de feminicídio após testemunhas afirmarem que o marido, de 44 anos, empurrou a vítima para a pista momentos antes de ela ser atingida por um carro.
A filha da vítima, de 21 anos, afirmou que a mãe “vivia oprimida” desde que voltou de Mato Grosso, há cerca de dois meses.
“Já dava para ver que a minha mãe estava sendo oprimida desde quando ela voltou de Mato Grosso. Ele já vinha ameaçando ela. Cheguei até a ligar para minha irmã, que mora no Nova Lima. Falei que, se acontecesse alguma coisa com a minha mãe, era ele quem estava ameaçando”, contou.
Segundo a jovem, a vítima retornou para Campo Grande com ajuda da polícia de Mato Grosso, que teria pago a passagem dela para fugir do relacionamento. Apesar disso, o suspeito prometeu mudar e os dois retomaram a convivência.
“Eles voltaram a ficar juntos desde dezembro. Só que ele começou a falar que ia mudar”, disse.
A filha também revelou que acredita que a mãe nem sabia a verdadeira identidade do companheiro. Conforme ela, o homem usava nomes falsos e foi identificado corretamente apenas após a prisão na noite de ontem.
“Ela falava que ele se chamava José, às vezes Raimundo. Ontem descobriram o verdadeiro nome dele. A polícia encontrou um monte de documentos falsos na casa. Também descobriram que ele já cometeu homicídio”, relatou.
De acordo com o depoimento da filha, o casal passou a tarde discutindo. A briga teria começado na casa da família e continuado em um bar próximo à rodovia.
“Ontem à tarde eles já estavam brigando aqui em casa. Minha mãe veio chorando, falando que ele estava xingando ela. Depois contou que ele tinha empurrado ela contra a parede, com o braço no peito dela”, afirmou.
Segundo ela, o companheiro da mãe estava embriagado e frequentemente criava confusões. “Eles não se davam bem. Brigavam direto, principalmente quando ele estava bêbado”.

A jovem disse ainda que o irmão, de 24 anos, presenciou o momento em que a mãe foi empurrada na rodovia. “Pelo que meu irmão contou, durante a briga o marido empurrou minha mãe para o outro lado da BR. Quando ela voltou, olhou só para o lado contrário e não viu o carro vindo. Aí foi atropelada”.
Ela afirmou que o veículo arrastou a vítima por cerca de três metros. “Eu e a vizinha corremos para cima dela. Chamamos o socorro e a polícia porque meu irmão falou que viu nosso padrasto empurrando minha mãe”.
Segundo a jovem, uma câmera de segurança da vizinhança registrou parte da movimentação, mas não mostra claramente o momento do empurrão. “Só aparece quando ela já está do outro lado da pista e depois o carro atingindo ela”.
Filho presenciou o crime – O filho da vítima, de 24 anos, testemunhou o crime e contou que o padrasto estava sob efeito de drogas e tentou agredi-lo antes de atacar a mãe.
“Ele estava cheirado de droga, usava pasta base e pedra. Foi querer me bater, não conseguiu porque eu estava de bicicleta. Tentou me empurrar também, mas eu freei. Depois foi para cima dela”, disse.
Segundo o rapaz, o suspeito empurrou a vítima propositalmente na frente do veículo. “Foi de propósito. Depois disso ele falou: ‘você também, sua puta desgraçada’, pegou minha mãe e empurrou”.
O filho afirmou ainda que o homem era agressivo e costumava humilhá-lo dentro de casa. “Eu falava para minha mãe separar dele, mas ela é teimosa”.
O crime - Conforme o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para atender um atropelamento às margens da BR-262. No local, a vítima estava inconsciente e com diversas fraturas aparentes. Ela foi socorrida em estado grave pelo Corpo de Bombeiros e levada para a Santa Casa, onde permanece internada.
Após receber informações do filho da vítima, os policiais seguiram até a residência do casal e localizaram o suspeito. Durante a abordagem, ele tentou enganar os militares apresentando nomes falsos, inclusive o do próprio irmão. Depois, confessou a verdadeira identidade.
Em consulta ao Sigo (Sistema Integrado de Gestão Operacional), os policiais descobriram que havia um mandado de prisão em aberto contra ele.
Ainda segundo a ocorrência, o homem autorizou a entrada da polícia na residência. No imóvel, foram encontradas dez munições calibre .22, além de diversos documentos falsos. Nenhuma arma foi localizada.
O suspeito foi preso em flagrante e encaminhado para a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).
Somente neste ano, Mato Grosso do Sul já registrou 44 casos de tentativa de feminicídio e 11 mulheres assassinadas, segundo dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública).
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