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Capital

Gledson leva 3 anos para comprar Uno, que acaba furtado e incendiado por ladrões

Trabalhador acompanhava a esposa grávida a um exame e quando voltou, carro havia sido levado por ladrão

Por Marta Ferreira | 14/07/2020 12:20
Gledson foi acompanhar a esposa grávida em uma consulta para ultrasson e quando voltou: "nem sinal do carro". (Foto: Marcos Maluf)
Gledson foi acompanhar a esposa grávida em uma consulta para ultrasson e quando voltou: "nem sinal do carro". (Foto: Marcos Maluf)

Imagine se esforçar por três anos para comprar um “carrinho” usado, à vista, e do nada, ficar sem ele, perdê-lo para os bandidos. E se o veículo for encontrado, dois dias depois, inutilizado, consumido pelo fogo, certamente para apagar provas de uso em crimes?

“É triste”, tem a resposta o vigilante Gledson dos Santos Conceição, dono do Uno 1997 achado no sábado (12) em chamas, logo no início da manhã, no Bairro Parque do Lageado, em Campo Grande, a cerca de 100 metros da BR-262. O veículo azul claro, cuja cor nem dava para perceber, também havia sido depenado, estava sem as rodas, sem a bateria e sem o aparelho de som. O proprietário chegou a receber fotos do carro tomado pelo fogo.

“A gente paga imposto, a gente paga licenciamento, para acontecer isso”, indigna-se o trabalhador ao Campo Grande News. Ele contou que tinha quitado recentemente o licenciamento do Uno, comprado dois anos atrás.

O veículo era usado para transportar a família nas tarefas do dia a dia, como as compras de mercado, além dos passeios. Para o deslocamento pessoal, o vigilante tem uma motocicleta.

Gledson tem três filhos, de 17, de 13 e 8 anos. O quarto bebê está a caminho e o furto do Uno ocorreu justamente durante consulta para acompanhamento da gravidez de três meses.

“A gente tinha ido fazer ultrasson, levou uma hora mais ou menos, quando saímos, nem sinal do carro", relembra. O crime aconteceu na Rua Rui Barbosa, no Centro da cidade.

Incredulidade – O vigilante conta ter ficado “perdido” na hora. Chamou a Polícia Militar alguns minutos depois e, como não havia nada no lugar, foi orientado a procurar a Polícia Civil para o registro policial.

Chegou a ir à Depac Centro a pé, deixando a mulher no lugar do furto. Diante da espera prevista, de mais de uma hora, voltou. Decidiu, então, buscar imagens em estabelecimentos próximos.

Conseguiu. No vídeo de câmera de segurança é possível ver que o ladrão “não leva nem 30 segundos”, como descreve trabalhador, para levar o bem.

Com o vídeo, ele voltou à Delegacia, agora de Uber e com a esposa, e fez o boletim de ocorrência.


Além do sentimento de impotência, do dissabor enfrentado, do prejuízo com a perda do veículo, Gledson vai ter mais ainda mais despesa. Só no dia, gastou pelo menos R$ 70 de transporte por aplicativo. Como a gestação da esposa, de 34 anos, é de risco, sabe que haverá mais gastos com transporte.

Ele vai receber a carcaça do veículo de volta, depois de realizada a perícia pela Polícia Civil. Isso deve levar pelo menos um mês.

O veículo está na Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos). O dono já esteve lá, e já internalizou o fato de não dar para aproveitar nada. “Nem para o ferro-velho serve”.

Sobre planos de comprar outro carro, disse que vai voltar a guardar dinheiro para isso. Financiar nem pensar. " A gente paga o dobro", explica. O Uno foi o segundo carro do vigilante. O primeiro, um Gol, foi vendido para dar entrada na casa onde mora, no Jardim Inápolis.

A delegada titular da Defurv, Aline Sinott, informou que a investigação sobre o furto está em andamento, e há suspeitos investigados. Segundo ela, em casos assim, é rotineiro o uso pelos bandidos para outros crimes.

Gledson chegou a receber foto do veículo em chamas, quando foi localizado. (Foto: Divulgação)
Gledson chegou a receber foto do veículo em chamas, quando foi localizado. (Foto: Divulgação)