Governo assume novo projeto para reformar Feira Central por R$ 40 milhões
Agesul encaminhou nova ideia ao Iphan após o instituto rejeitar propostas apresentadas pela prefeitura
A Feira Central de Campo Grande completou 100 anos em 2025, com a expectativa frustrada de que o centenário fosse comemorado com a entrega de uma reforma no espaço e uma ampliação que incluiria dois novos pavimentos. Pelo menos três projetos arquitetônicos acabaram rejeitados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) por estarem incompletos e desrespeitarem critérios técnicos relacionados às intervenções no complexo ferroviário e residencial onde o prédio se localiza, que é tombado.
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A Feira Central de Campo Grande completou 100 anos em 2025 sem a reforma esperada. Três projetos arquitetônicos foram rejeitados pelo Iphan por não respeitarem normas do complexo tombado onde está localizada. A Agesul assumiu a missão e protocolou novo anteprojeto no órgão. Há R$ 40 milhões em risco, sendo R$ 15 milhões da Caixa e R$ 25 milhões do Estado. A associação teme a desvalorização dos recursos com o passar do tempo.
Nesta semana, a Agesul (Agência Estadual de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) confirmou que assumiu a missão de apresentar uma proposta compatível, após a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) desistir de novas tentativas. Há um recurso de cerca de R$ 40 milhões em jogo que pode ser perdido caso nenhuma ideia viável seja aprovada.
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Ainda é um pré-projeto, ou seja, um desenho preliminar para avaliação. "Um novo anteprojeto, que concilia as demandas da Associação da Feira, da Prefeitura e do Estado, já está protocolado no Iphan para análise prévia. Assim que o Instituto concluir a análise, a Agesul iniciará nova assessoria junto à Associação da Feira para confecção dos projetos executivos para que fique dentro das normas, para a futura contratação da obra", disse o órgão em nota.
O investimento de R$ 40 milhões está garantido, reforçou a Agesul, sendo R$ 15 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal à Prefeitura de Campo Grande e R$ 25 milhões do Governo Estadual.
"Viável aos negócios" - Alvira Appel, presidente da Afecetur (Associação da Feira Central, Cultural e Turística de Campo Grande), disse nesta sexta-feira (5) que o plano foi encaminhado ao Iphan há 15 dias e que os feirantes esperam uma resposta rápida.
O primeiro projeto foi apresentado em 2018, ela lembra, e custou aproximadamente R$ 1,5 milhão para ser produzido. O receio é a desvalorização dos R$ 40 milhões obtidos junto ao poder público, já que materiais de construção e mão de obra vão encarecendo ao longo do tempo. "Quanto mais demora, mais a gente vai perdendo lastro", ela falou.
A representante e a Agesul não deram detalhes do anteprojeto. Segundo Alvira, só é possível adiantar que é um novo conceito "viável aos negócios", que vai proporcionar mais conforto aos trabalhadores e clientes, principalmente.
"Os feirantes amam o que fazem, trabalham com dedicação. Estamos muito felizes com a iniciativa da Agesul, pois somos muito frágeis sozinhos. Gostaríamos que todos os pares agissem com celeridade agora. A partir do aval do Iphan, as novas linhas desse projeto serão desenhadas", declarou a presidente da Associação.
Estrutura ruim - Entre os problemas enfrentados pelos feirantes atualmente estão as más condições de trabalho em cozinhas improvisadas nas sobarias, por exemplo, e o desinteresse em vender produtos sensíveis ao calor, como as hortaliças, que são o coração de qualquer feira. Além disso, os lojistas pedem espaços mais atrativos para expor produtos e tornar as vendas mais competitivas.

"Queremos que os condomínios possam dar uma condição saudável de trabalho para os seus funcionários. Somos uma OSC (Organização da Sociedade Civil), mas pagamos impostos para a prefeitura e cumprimos o que a lei pede. Precisamos de melhorias", completa Alvira.
Até 60 mil - A Feira Central é um dos pontos turísticos mais frequentados de Campo Grande. A gastronomia acabou virando seu carro-chefe ao longo dos anos, sendo sobá, espetinho, pastel e peixe as opções mais procuradas.
Estimativa feita pela Afecetur e pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de Mato Grosso do Sul aponta que cerca de 50 mil a 60 mil pessoas passam pela feira mensalmente. "Tem pico nos dias de festival, nem cabe tanta gente", afirma a presidente.
O levantamento foi feito com base em dados do estacionamento e no perfil da clientela da feira, que geralmente a frequenta acompanhada de familiares.
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