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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

13/07/2012 11:29

"Gritei e ele não respondeu", conta o 1º taxista a chegar onde colega foi morto

Paula Maciulevicius

“Gritei Manoel, Manoel, Manoel e ele não respondeu. Foi quando o policial chegou e falou ele já está morto”. O desabafo é do também taxista Kelson Silva Rosa, 33 anos. Ele é um dos quatro colegas que saíram em busca dos assaltantes que mataram Manoel Kusman Bondarenco, na madrugada desta sexta-feira, junto com a Polícia Militar. Kelson foi o primeiro a chegar no lugar.

No chamado para a última corrida de Manoel, Kelson era o terceiro da fila. A chamada veio pela central. “Eu vi ele saindo e falei brincando vai dormir, vai dormir”, relembra.

Quando Kelson retornou de uma corrida, recebeu a chamada da central de Manoel perguntando se havia algum carro sumido e se ali tinha algum motorista chamado Manoel. O rapaz respondeu que sim e em seguida foi informado de que o colega havia sido assaltado em Sidrolândia.

“Quando eu liguei no celular dele, estava desligado. Aí voltei no carro para falar com a central e a Polícia Militar chegou lá com o cara para caçar o outro. Éramos 30, fomos só em quatro”, conta.

A Polícia Militar foi até o ponto onde Manoel saiu. No terminal rodoviário, já com Adailton da Mata Souza, conhecido como “Pequeno”, preso. Ele era quem estava dirigindo o táxi após o crime.

Kelson foi quem mesmo, com a angústia de não saber se o colega estava vivo, localizou o segundo envolvido, Evandro Silva dos Santos, conhecido como “Zoinho”.

O motorista saiu de táxi pela avenida Guaicurus em direção ao bairro Cohab, quando encontrou e abordou um mototaxista que ia buscar um passageiro ali próximo. “Eu falei vamos lá ver. Quando achamos ele, eu pedi os documentos deles e perguntei onde ele morava. Ele disse que era perto do Pires no Colibri, aí bateu com a indicação do outro, que disse que também morava lá”, diz.

Em seguida, eles questionaram sobre o local de onde o rapaz fez a ligação, conferiram que batia com o número de um orelhão próximo de um motel, ali na região.

“Enquanto isso ele dizia tem que pegar esses caras que matam taxista e no final era ele o cara”, conta.

Kelson e o mototaxista ficaram com Evandro até a Polícia Militar chegar e de lá seguiram para onde o crime aconteceu e o corpo de Manoel estava.

“Fui o primeiro a chegar lá. É uma estrada de chão, dá pra entender que ele andou um pouco e caiu, estava encolhido no chão, com bastante sangue”, descreve a cena.

No ponto onde Manoel trabalhava, quatro taxistas saíram junto da PM para localizar assaltantes. (Foto: Rodrigo Pazinato)No ponto onde Manoel trabalhava, quatro taxistas saíram junto da PM para localizar assaltantes. (Foto: Rodrigo Pazinato)

Hoje enquanto conversava com o Campo Grande News, Kelson estava abalado. Triste de perder um colega por tão pouco. “Ele apertou por socorro, acionou a central, mas só deu tempo de reportar onde ele estava e em seguida o sinal sumiu. Os caras já sabiam que ele tinha dinheiro. Na central eles pediram troco para R$ 100. Então eles sabiam que no bolso ele ia ter pelo menos R$ 100”.

Após a onda de assaltos a taxistas do ano passado, Kelson diz que a segurança continua rium. “Agora voltou de novo. Perdi um amigo, mas podia ser eu. Só a rádio é diferente, mas a minha área e a dele é a mesma”.

“Não imaginava que ele estava rindo e 2h depois acho ele morto”, finaliza.

Ponto de táxi - Entre os colegas do ponto onde Manoel trabalhava o clima era de pouca conversa. Quem compartilhou do último turno do taxista já não estava mais ali, quem chegou para trabalhar sabia da notícia e com dor no coração seguia adiante para trabalhar.

Segundo relatos dos colegas de ponto, Manoel trabalhava há cerca de um ano e meio no ponto e de uns tempos para cá estava sozinho no carro, não dividia com outro taxista.

“É sobre a morte do meu amigo?” em seguida a taxista mulher de 51 anos caiu no choro. Não quis se identificar por medo de se expor e se tornar uma nova vítima. “Eu estava abastecendo o carro quando me falaram e eu disse é brincadeira, não pode ser”, conta.

Taxista há 8 anos ela fala que há pouca, muito pouca segurança. “Não tem segurança nenhuma, que segurança nós temos? Se tivesse ele não estaria morto. Medo a gente tem a todo momento, a gente fica se sentindo um trapo, uma pessoa que não tem significado de nada”, desabafa.

Ela conta com propriedade de quem roda a cidade inteira e traz à tona o que já foi discussão no ano passado. “Tinha que fazer ronda, tem região que tem que ficar direto, principalmente de noite, de madrugada. Tinha que perguntar para a gente se está tudo bem, para onde o passageiro está indo”.

O colega Aparecido Ferreira, 53 anos, compartilha de outra opinião, puxando para o lado de quem sofre, além de assaltos, a pressão das centrais e dos donos de pontos.

“Sofre pressão muito grande, eles querem dinheiro e a gente acaba fazendo corrida de alto risco para apresentar quilometragem. Dá medo, mas se for pensar no medo, tem que desistir da profissão”.



Crime bárbaro!!! Cadê a segurança? Enquanto um pai de família perde a vida trabalhando, marginais estão soltos distruindo lares.
Manoel Kusman era um trabalhador, pai de família, deixou 04 filhas lindas!Sendo aniversário de uma delas a Jéssika Apª Soares Bondarenco que completou 14 anos no dia do sepultamento de seu pai!

Nós familiares estamos revoltados com esse crime covarde pedimos justiça!
 
Juliana Sandano. em 15/07/2012 10:34:56
... vem com jargão "num sô bandido não, vcs tem que prender bandido", dificultando ao máximo a abordagem, e as vezes uma simples abordagem vira uma ocorrência. A segurança pública é direito e RESPONSABILIDADE de todos. Tinha 30 e só foram 4; cadê o "espirito de corpo", ta certo que num iria trazer o colega de volta; mas precisa mostrar pro vagabundo q a sociedade não aceita mais isso.
 
Alberto Romero em 14/07/2012 06:47:37
E se em uma troca de tiro a policia vem a matar um vagabundo desses, vem os direitos humanos e defende esses marginais dizendo que houve excesso, porém eles matam e nao acontecem nada, entao amigos só temos que lamentar a perda de um trabalhador inocente. Meus lamentos.
 
Tony Cruz em 13/07/2012 06:23:28
Enqto os bandidos agem livremente e certos de que que não serão punidos por seus atos, eu e toda a sociedade, indignados e de mãos atadas, vemos notícias absurdas como esta do sr. Manoel e, pensamos: Mais um inocente, mais um trabalhador que se foi...quem será o próximo?!...Pode ser eu, pode ser você...até quando?Até o povo se revoltar e começar a fazer justiça com as próprias mãos?!
 
Angela Regina em 13/07/2012 06:22:31
Nós deviamos exigir dos nossos governantes q ladões tivessem da primeira vez q fossem presos por roubo uma d suas mõs arrancada,e da segunda a outra, já da terceira n haveria como,assim teriam evitado essa morte,e muitas outras Já q no transporte publico não tem mais dinheiro els estão roubando motoristas e passageiros,
N tem q acabar c circulação d dinheiro e sim c a circulação de ladrões
 
vhania taixeira em 13/07/2012 05:22:38
Pena de morte ja... Ta terrivel... aqui no Brasil bandido faz o que quer... se eu fosse um desses taxistas amigo do Manoel juntava todos eles... e assim q esses bandidos saissem da cadeia (o que ja vai acontecer) dava uma surra ate os desgraçados morrerem! Não farão falta, pode ter certeza ;)
A sociedade agradece.
 
Anne Nunes em 13/07/2012 04:57:34
O melhor segurança não é colocar divisório no carro. Vai adiantar pouco. O que adianta é taxista trabalhar mais com maquininha de cartão e colocar cofre no carro do qual só um terceiro (central, colega, esposa, sei la) tem a chave. E anunciar isso em adesivos nos vidros e dentro do carro. Para que assaltante sabe que não tem como obter dinheiro com o taxista. Assim como que é agora nos onibus.
 
Marcos da Silva em 13/07/2012 04:55:19
Quando é que algum politico corajoso vai propor um plebiscito para a pena de morte
 
Athaide Romero em 13/07/2012 04:07:50
Que direitos humanos o que, para estes caras tem de ser é tortos humanos, de direito não tem é nada. Já sabem que fazem isto porque não da nada para eles, infelizmente no Brasil impera a injustiça para bandido e justiça para o homem de bem.
 
francisco carlos em 13/07/2012 03:42:52
Vcs tem razao a segurança e ruim. mais vcs tem que exigi dos donos dos taxis segurança no proprio carro, colocando divisao entre motorista e passageiros sei que nao é cem por cento seguro mais terao um pouco mais de segurança.
 
manol lopes em 13/07/2012 02:44:12
Acompanhei esse caso através de uma emissora de TV! Totalmente revoltante e os dois marginais continuaram agindo na maior frieza diante das câmeras! O Brasil tinha que rever suas punições pra certos tipos de crimes! Só a dor gera compreensão! O que será da família desse trabalhador?! Onde estão os "Direitos Humanos" para olhar por esses Humanos descentes que morrem pelas mãos de marginais!
 
Marcos Guimarães em 13/07/2012 01:37:31
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