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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

03/02/2016 18:01

Guardando nascentes em área nobre, espaço já teve dias mais charmosos

Bianca Bianchi
Entrada da Praça Itanhangá, um convite para o contato com a natureza (Foto: Alan Nantes)Entrada da Praça Itanhangá, um convite para o contato com a natureza (Foto: Alan Nantes)

Descendo pela Rua Chaadi Scaff, um fluxo intenso de carros da Avenida Zahran em direção à Afonso Pena, a principal de Campo Grande. Poucos reparam que ali, bem em frente a um quebra-molas, que parece ser proposital para fazer o motorista diminuir o ritmo – e não só a velocidade - , há um portão de acesso à Área de Lazer Lúdio Martins Coelho Filho, mais conhecida como Praça Itanhangá. Um convite para o contato com a natureza, mas que tem sido maltratada ultimamente.

Criada na gestão do antigo prefeito que dá nome à área, a praça tem mais de 20 anos de história. Localizada em uma das regiões mais nobres da capital, o bairro Itanhangá Park, oferece pista de caminhada, parquinho infantil, academia da terceira idade, quadra poliesportiva, muita sombra e abriga, ainda, as nascentes do Córrego Vendas.

O silêncio, o verde, o ar puro, a sensação de paz e a beleza do lugar são inquestionáveis. Duvidosa é a maneira como toda essa riqueza tem sido tratada. Na tarde desta quarta-feira (03), a equipe do Campo Grande News esteve no local e viu umcenário que contrasta com a beleza de outros tempos.

A fonte da praça está seca e acumula folhas e lixo (Foto: Alan Nantes)A fonte da praça está seca e acumula folhas e lixo (Foto: Alan Nantes)

Ainda da calçada é possível ver um dos portões que cercam o parque quebrado. Ao passar pela entrada, placas de sinalização, que deveriam dar as boas vindas ao visitante e divulgar as regras de bom uso do local, estão totalmente apagadas. Uma delas foi usada até para fazer propaganda de um estabelecimento comercial próximo dali.

A fonte, agora seca, acumula folhas e sujeira. O bebedeuro está entupido e a água gelada, que deveria servir para matar a sede e refrescar o passeio de algum visitante, vaza pelo equipamento escorrendo até o chão. Uma das pontes que passa por cima do lago, que abriga espécies de peixes, está quebrada e com muitos pregos soltos.

No parquinho infantil, o corrimão da escada do escorregador está quebrado. Um já até foi arrancado e o outro está quase lá. Uma árvore caiu sobre o balanço, interditando o brinquedo preferido da criançada.

O mato e as folhas tentam tirar o brilho e a beleza do lugar, mas são os papeis, plásticos, garrafas pets e copos descartáveis jogados que conseguem. Há lixeiras em vários pontos da praça, mas além de lixo, elas acumulam também água. E o que era pra ser um ambiente usado para promover a qualidade de vida e a saúde, colocam-nas em risco pela possibilidade de ser criadouro de mosquistos Aedes aegipty.

Balanço interditado pela queda da árvore (Foto: Alan Nantes)Balanço interditado pela queda da árvore (Foto: Alan Nantes)
Corrimão da escada do escorregador: um já foi arrancado e o outro está quase lá (Foto Alan Nantes)Corrimão da escada do escorregador: um já foi arrancado e o outro está quase lá (Foto Alan Nantes)
Vizinho do parque há 20 anos, Antônio é frequentador assíduo, mas reconhece problemas (Foto: Alan Nantes)Vizinho do parque há 20 anos, Antônio é frequentador assíduo, mas reconhece problemas (Foto: Alan Nantes)

O aposentado Antônio Tedesco, 74 anos, é morador de um condomínio bem em frente à praça há 25 anos. Conta que viu o brejo se transformar e as árvores crescerem. "Vi a transformação dessa maravilha. Venho todos os dias caminhar, fico uns 40 minutos. Vocês deviam vir também", sugere animado à equipe de reportagem.

Apesar de adorar o lugar, Tedesco confessa que a praça enfrenta algumas dificuldades. "Eu gosto quando vejo várias pessoas caminhando por aqui e quando as escolas fazem excursão com seus aluno. Mas, entendo quem não vem. Às vezes a movimentação é estranha, tem gente usando droga, e até mendigo que vem morar aqui", lamenta.

A responsabilidade pela manutenção da área é da Prefeitura, por meio da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano). O Executivo municipal foi procurado, via assessoria, para informar porque o parque não vem recebendo cuidados, mas até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.




É lamentável que um local tão lindo em plena área central, uma opção de cenário para sessões de fotos de várias pessoas, se encontrar em situação de total abandono pelos órgãos públicos. A necessidade de manutenção é premente, que vai desde a simples limpeza (como bem mostrou a reportagem), até reparos na pista de caminhada, revisão da iluminação, reparo nos brinquedos, jardinagem, ponte, quadras, grades, enfim... é realmente lamentável o descaso da nossa administração com esta área de preservação natural. Entramos em contato com a Semadur por volta de outubro do ano passado relatando os problemas enfrentados pelo parte, contudo, a resposta deles foi que o registro foi anotado e entraria numa fila de trabalho, sem qualquer previsão de ser atendido... enfim, já se passaram meses e nada.
 
Artur em 04/02/2016 11:01:44
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