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Capital

Homem feito refém é ex-guarda preso pela PF com R$ 130 mil em espécie

Marcelo Raimundo da Silva, de 40 anos, foi pego entregando dinheiro de contrabando a investigador

Por Clara Farias | 10/09/2026 17:41

O homem feito refém por uma dupla armada na noite desta quarta-feira (9), na Moreninha, em Campo Grande, é o ex-guarda civil metropolitano Marcelo Raimundo da Silva, de 40 anos. Ele teve um Fiat Punto e uma carga de 50 iPhones, 20 MacBooks e canetas emagrecedoras, de origem de descaminho, roubados durante a ação. Marcelo já havia sido preso em 2022 com uma carga de mercadorias contrabandeadas avaliada em R$ 1 milhão e, no ano passado, voltou a ser detido durante uma investigação da Polícia Federal envolvendo o pagamento de R$ 130 mil ao investigador da Polícia Civil, Augusto Torres Galvão Florindo, o "Paraíba".

RESUMO

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Ex-guarda civil metropolitano Marcelo Raimundo da Silva, de 40 anos, foi feito refém por uma dupla armada na noite de quarta-feira (9), na Moreninha, em Campo Grande. Os criminosos roubaram um Fiat Punto e uma carga de 50 iPhones, 20 MacBooks e canetas emagrecedoras. Marcelo tem histórico de envolvimento com contrabando, tendo sido preso em 2022 e em 2025, quando foi flagrado entregando R$ 130 mil a um investigador da Polícia Civil.

Conforme apurado pelo Campo Grande News, Marcelo chegava em casa acompanhado de outros dois homens quando os criminosos, que estavam escondidos em um terreno baldio em frente ao imóvel, aproveitaram o momento em que o portão da garagem estava aberto para invadir a residência. Os três foram rendidos e obrigados a permanecer no chão enquanto a dupla recolhia as mercadorias.

Câmeras de segurança registraram a movimentação. Nas imagens, dois veículos entram na garagem e, poucos segundos depois, os dois suspeitos saem do terreno baldio, correm abaixados e entram no imóvel antes que o portão seja completamente fechado.

Um dos criminosos aparece apontando uma arma para um dos homens que estava próximo à porta da casa. Ele revira a cintura da vítima, aparentemente para verificar se ela estava armada. Enquanto isso, o comparsa permanece entre os veículos e manda os ocupantes descerem.

Histórico - O roubo desta quarta-feira envolve um homem que já havia sido investigado e preso em ocorrências relacionadas ao contrabando e descaminho. Em fevereiro de 2022, quando ainda era guarda civil metropolitano, Marcelo foi preso durante uma operação que identificou um comboio de veículos carregados com mercadorias ilegais na região de Maracaju, a 159 quilômetros de Campo Grande.

Na ocasião, policiais encontraram 12 veículos carregados com produtos contrabandeados, entre cigarros, agrotóxicos, pneus, eletrônicos e fardos de roupas. A carga foi avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão.

Homem feito refém é ex-guarda preso pela PF com R$ 130 mil em espécie
Comboio apreendido em fevereiro de 2022. (Foto: Reprodução / PCMS)

Segundo a investigação daquele caso, o grupo utilizava um terreno murado próximo ao posto policial no Distrito de Vista Alegre para esconder os veículos e aguardar o momento considerado mais seguro para seguir viagem. Os integrantes se comunicavam por WhatsApp e contavam com informações sobre a movimentação das equipes responsáveis pela fiscalização.

Marcelo estava entre os quatro presos na operação. Outros oito suspeitos conseguiram fugir.

Três anos depois, em novembro de 2025, o ex-guarda voltou a ser preso, desta vez durante uma investigação da Polícia Federal sobre o pagamento de dinheiro a um investigador da Polícia Civil.

Marcelo foi flagrado entregando R$ 130 mil em espécie ao investigador Augusto Torres Galvão Florindo, conhecido como “Paraíba”, em um estacionamento de atacadista na Avenida dos Cafezais, em Campo Grande. Além do dinheiro entregue pelo ex-guarda, os policiais encontraram outros R$ 20 mil no console do carro de Augusto.

Conforme a investigação da PF, o dinheiro estaria relacionado à compra de mercadorias contrabandeadas que haviam sido apreendidas e posteriormente desviadas. A investigação apontou Marcelo como comprador dos produtos.

Na época, o delegado da Polícia Federal descreveu Marcelo como “contrabandista contumaz” durante os procedimentos do caso.

Homem feito refém é ex-guarda preso pela PF com R$ 130 mil em espécie
Quantia de mais de R$ 150 mil apreendida pela Polícia Federal (Foto: Divulgação / Polícia Federal) .

O processo - Marcelo, Augusto e Ana Cláudia Olazar, mulher do ex-guarda, foram denunciados à Justiça Federal por corrupção. Augusto respondia por corrupção passiva, enquanto Marcelo e Ana Cláudia eram acusados de corrupção ativa e concurso de pessoas. Durante o processo, as versões apresentadas pelos envolvidos foram diferentes.

Em depoimento à Polícia Federal, Augusto afirmou que receberia os R$ 130 mil referentes à venda de aparelhos e cigarros eletrônicos contrabandeados. O investigador disse que ficaria com cerca de R$ 7 mil e chegou a afirmar que sabia que a negociação era ilegal.

Meses depois, em audiência judicial, Augusto mudou a versão. Disse que havia sido contratado por R$ 2 mil para fazer um serviço de segurança particular e transportar valores. Segundo ele, teria sido indicado a Marcelo para realizar o serviço.

Marcelo, por sua vez, afirmou que apenas havia feito um favor a um terceiro ao sacar e entregar o dinheiro. A mulher dele também apresentou outra versão e disse que o valor seria utilizado na compra e venda de veículos.

Homem feito refém é ex-guarda preso pela PF com R$ 130 mil em espécie
Ex-guarda municipal Marcelo Raimundo da Silva, durante depoimento em audiência de instrução (Foto: Arquivo/Campo Grande News))

Em agosto deste ano, o juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini absolveu os três envolvidos das acusações de corrupção. O magistrado reconheceu que a entrega do dinheiro havia ocorrido e que a quantia tinha origem ou finalidade ilícita, mas considerou que não havia provas suficientes de que o pagamento estivesse relacionado à função pública exercida pelo investigador.

A Justiça determinou, entretanto, o perdimento dos R$ 153,5 mil apreendidos em favor da União, por entender que os acusados não comprovaram a propriedade ou a origem lícita do dinheiro.

Mesmo após a absolvição na ação criminal, Augusto foi demitido da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A decisão administrativa foi publicada nesta quarta-feira (9), um dia antes do roubo envolvendo Marcelo. A defesa do ex-investigador informou que pretende recorrer da demissão.

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