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Capital

Na operação que mirou boutique, Gaeco apreendeu pedras preciosas e documentos

Maleta recheada de gemas foi apreendida em Campo Grande e conteúdo ainda será avaliado pelos investigadores

Por Anahi Zurutuza e Clara Farias | 10/09/2026 17:32
Na operação que mirou boutique, Gaeco apreendeu pedras preciosas e documentos
Maleta com pedras preciosas foi apreendida em Campo Grande durante operação (Foto: MPRS/Divulgação)

Maleta com dezenas de pedras preciosas foi apreendida em Campo Grande durante a Operação Luxúria, deflagrada nesta quinta-feira (10) contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa gaúcha.

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Uma maleta com dezenas de pedras preciosas foi apreendida em Campo Grande durante a Operação Luxúria, deflagrada contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa gaúcha. A boutique Karen Manica, na Avenida Mato Grosso, foi um dos endereços vasculhados. A operação bloqueou R$ 8,1 milhões e cumpriu 17 mandados em quatro cidades. Entre os bens identificados estão uma mansão avaliada em R$ 2,95 milhões e dois veículos blindados.

Um dos endereços vasculhados na Capital foi a boutique Karen Manica, localizada na Avenida Mato Grosso. O MPRS (Ministério Público do Rio Grande do Sul), contudo, não informou onde o conjunto de gemas foi encontrado, confirmando apenas que a apreensão aconteceu na cidade.

Segundo o Ministério Público, o material ainda está sendo contabilizado e avaliado. Depois dessa etapa, os autos de apreensão produzidos em Mato Grosso do Sul serão encaminhados ao Rio Grande do Sul, onde a investigação é conduzida.

Fotografia divulgada pelo MPRS mostra pedras verdes, amarelas, azuis, roxas e transparentes separadas em pequenos compartimentos e identificadas por códigos. O tipo, a autenticidade e o valor do material ainda não foram informados.

Comerciante de gemas consultado pela reportagem identificou na foto citrinos, ametistas e algumas esmeraldas. No “olhômetro”, não é possível estimar com precisão o quanto valem as pedras.

Além das pedras, documentos foram recolhidos durante os mandados cumpridos em Mato Grosso do Sul. O conteúdo será analisado para identificar movimentações financeiras, outros bens e possíveis envolvidos no esquema.

Braço operacional – Após a publicação da primeira reportagem, o MPRS informou que a empresa alcançada pela operação em Mato Grosso do Sul funciona como “braço operacional” da lavagem de dinheiro praticada a partir do Rio Grande do Sul. “Em MS seria o braço operacional da lavagem praticada a partir do RS”, respondeu o órgão ao ser questionado sobre a ligação entre a empresa de Campo Grande e o núcleo financeiro da facção.

A investigação ainda tenta descobrir há quanto tempo o esquema operava no Estado, como os recursos eram movimentados e se existem vínculos familiares entre os envolvidos. A Operação Luxúria está na primeira fase e não houve prisões anteriores relacionadas ao caso.

Em Campo Grande, equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) chegaram à boutique por volta das 6h. A loja estava fechada e foi aberta por uma funcionária. Três agentes permaneceram no estabelecimento até aproximadamente as 9h.

A empresária Karen Manica, dona da loja que leva seu nome, estava viajando no momento da operação, conforme apurado pela reportagem. Natural de Porto Alegre, ela vive em Mato Grosso do Sul desde a infância e lançou a marca na Capital há 32 anos. O Campo Grande News não conseguiu o contato direto da empresária, mas deixa o espaço aberto para futuras manifestações.

Mandados também foram cumpridos em Porto Murtinho, mas o Ministério Público ainda não revelou quem foi alvo no município nem qual seria a relação com o núcleo investigado.

Na operação que mirou boutique, Gaeco apreendeu pedras preciosas e documentos
Mansão em Porto Alegre avaliada em R$ 2,95 milhões está entre bens identificados no patrimônio de investigados (Foto: MPRS/Divulgação)

Lavagem de R$ 8,1 milhões – Segundo o MPRS, os R$ 8,1 milhões bloqueados judicialmente correspondem ao valor que a investigação afirma já ter comprovado como lavagem de dinheiro, considerando o patrimônio identificado até agora. O total movimentado pelo grupo ainda será calculado.

O bloqueio de contas e bens especificamente ligados aos alvos de Mato Grosso do Sul ainda estava em andamento nesta quinta-feira. Por isso, não há informação definitiva sobre quanto desse patrimônio pertence a pessoas ou empresas do Estado.

Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Campo Grande e Porto Murtinho. A operação é conduzida pela 6ª Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre (RS).

A investigação aponta que empresas, familiares e possíveis “laranjas” eram utilizados para esconder a origem e a propriedade de recursos ilícitos. Entre os bens identificados estão uma mansão avaliada em R$ 2,95 milhões, uma loja de roupas, joias e artigos de luxo em Porto Alegre e dois veículos blindados.