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Meio Ambiente

Flora eleva a 55 o número de tatus-canastra monitorados por projeto

Fêmea de 26 kg é a 10ª acompanhada no Cerrado; GPS ajuda a revelar caminhos da espécie pela paisagem

Por Inara Silva | 10/09/2026 17:17


Com 26 quilos e hábitos noturnos, Flora agora terá seus passos pelo Cerrado de Mato Grosso do Sul acompanhados por pesquisadores. Capturada no domingo (6), no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas, a 327 km de Campo Grande, a fêmea é o 55º tatu-canastra a integrar o monitoramento desenvolvido pelo ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) desde o início do programa.

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Flora, fêmea de tatu-canastra com 26 quilos, foi capturada no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas (MS), e se tornou o 55º animal monitorado pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS). Com transmissores GPS e armadilhas fotográficas, pesquisadores acompanham os deslocamentos da espécie pelo Cerrado para entender como ela transita por paisagens fragmentadas.

Dos 55 animais já capturados e monitorados pelo instituto, 45 são do Pantanal e dez do Cerrado. Neste último bioma, cinco são do Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas, três da região de Ribas do Rio Pardo e dois de uma área de transição entre os municípios de Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Santa Rita do Pardo. Atualmente, cinco dos dez tatus do Cerrado permanecem com monitoramento ativo.

Segundo o ICAS, a chegada de Flora amplia a base de dados que deve contribuir para a conservação da espécie. Os cientistas buscam responder à seguinte pergunta: Por onde circula o maior tatu do mundo em uma paisagem marcada pela fragmentação da vegetação nativa?

No Parque do Pombo, o trabalho começou em 2022 e combina transmissores GPS com armadilhas fotográficas. Os equipamentos permitem acompanhar deslocamentos, identificar áreas utilizadas pelos animais e investigar possíveis conexões entre os mais de 8 mil hectares de vegetação nativa protegidos pela unidade e outros fragmentos de Cerrado no entorno. O ICAS informa que o programa utiliza esse tipo de tecnologia para estudar a ecologia e os hábitos da espécie.

Coordenador de campo das ações do Projeto Tatu-Canastra no Cerrado, Gabriel Massocato, afirma que atingir o “décimo indivíduo monitorado é um marco importante porque cada animal acrescenta novas informações sobre essa população. Estamos construindo, ao longo dos anos, uma base de dados que nos permite compreender melhor como os tatus-canastra vivem no Cerrado, quais áreas utilizam e como se deslocam por uma paisagem que vai muito além dos limites do parque”.

Conforme Massocato, é justamente o que ocorre depois dos limites da unidade de conservação que interessa aos pesquisadores, pois ao acompanhar os trajetos por GPS, a equipe busca descobrir quais fragmentos são utilizados e quais áreas podem ser importantes para manter a conexão entre ambientes ocupados pela espécie.

“Quando acompanhamos um animal por GPS, ele acaba nos mostrando quais caminhos são utilizados pelos tatu-canastras. Conseguimos observar até onde ele vai, quais fragmentos utiliza e quais áreas podem ser fundamentais para conectar o parque a outros remanescentes de Cerrado”, afirma Massocato.

Confira a galeria de imagens:

  • Foto: ICAS
  • Foto: ICAS
  • Foto: ICAS

Refúgio - O Parque Natural Municipal do Pombo preserva 8.032 hectares de Cerrado nativo e abriga espécies como tatu-canastra, anta, lobo-guará e cachorro-vinagre. O monitoramento combina GPS e 80 armadilhas fotográficas, que também já registraram teiú-mascarado e tatu-de-sete-bandas.

Iniciado no Pantanal em 2010, o programa do ICAS posteriormente ampliou sua atuação para outros biomas. Considerado vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), o tatu-canastra (Priodontes maximus) é o maior tatu do mundo e pode atingir cerca de 1,5 metro de comprimento.

A espécie é considerada uma “engenheira do ecossistema” porque suas grandes tocas são utilizadas por outros animais. Pesquisas citadas pelo ICAS registraram mais de 100 espécies de vertebrados e cerca de 300 de invertebrados utilizando essas estruturas.

A reprodução lenta aumenta sua vulnerabilidade à perda e à fragmentação do habitat. Segundo o ICAS, as fêmeas têm apenas um filhote a cada três ou quatro anos.

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