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Capital

Juiz nega sigilo do “Caso Bernal” e defesa desiste de recuperar celulares

Pedidos da defesa do ex-prefeito Alcides Bernal, preso por matar fiscal tributário, não prosperaram

Por Anahi Zurutuza | 07/04/2026 19:19
Juiz nega sigilo do “Caso Bernal” e defesa desiste de recuperar celulares
Bernal aparece mexendo no celular logo após atirar em fiscal tributário (Foto: Câmera de Segurança/Reprodução)

O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, negou pedido para colocar os autos do “Caso Bernal” em sigilo. A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Jesus Peralta Bernal, preso desde o dia 24 de março por matar a tiros o fiscal tributário estadual, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, tentou na Justiça conter a exposição do cliente para evitar que ele fosse julgado antecipadamente.

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Juiz nega sigilo no caso Bernal, ex-prefeito de Campo Grande preso desde 24 de março por matar a tiros o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini. A defesa tentou conter a exposição do cliente, mas o magistrado entendeu que a divulgação é consequência da ampla cobertura da imprensa. O Ministério Público também se opôs à devolução de celulares apreendidos. O inquérito foi concluído com indiciamento por homicídio qualificado e porte ilegal de arma.

O magistrado entende, contudo, que o cenário narrado por advogado é consequência da ampla divulgação da ocorrência e seus desdobramentos pela imprensa e que não se enquadra na legislação que prevê segredo de Justiça em alguns casos.

A família da vítima havia se posicionado contra o sigilo. O advogado Tiago Martinho, que representa a viúva e os filhos do fiscal tributário, argumentou que o próprio investigado conversou com a imprensa assim que o crime ocorreu, por telefone, e deu sua versão dos fatos antes de se entregar à polícia.

Também nesta terça-feira (7), o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) manifestou-se contrário a outro pedido da defesa do ex-prefeito, que tentava recuperar dois celulares entregues à polícia. Depois da manifestação, o advogado Gledson Alves de Souza protocolou pedido de desistência do requerimento e o juiz determinou o arquivamento dos autos.

A investigação – O inquérito policial foi concluído e encaminhado à Justiça no dia 2 de abril, mas pendente de laudos periciais.

Segundo a Polícia Civil, Bernal atirou para matar Roberto Carlos, na tarde de 24 de março. O delegado Danilo Mansur manteve o enquadramento por homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo, já que o registro do revólver calibre 38 e a autorização para porte estavam vencidos.

De acordo com a investigação, a vítima chegou ao imóvel acompanhada de um chaveiro e teve acesso à residência após a abertura do portão. Cerca de 40 minutos depois, Bernal chegou ao local, pegou um revólver na caminhonete e entrou no imóvel já com a arma em mãos. Em poucos segundos, após avançar em direção à área interna, efetuou o primeiro disparo.

A defesa sustenta que o ex-prefeito agiu para se proteger. Em interrogatório, Bernal afirmou que atirou após se sentir ameaçado. Já o relato do chaveiro e as imagens analisadas pela polícia indicam que a vítima não teve tempo de reagir, versão que diverge da apresentada pelo investigado.

Parte da dinâmica, no entanto, ainda depende de perícia. O laudo das imagens de segurança e exames complementares deve esclarecer pontos como a distância dos disparos e a sequência dos fatos.

Segundo o delegado, um relatório complementar será enviado à Justiça após a conclusão dessas análises.

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