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Economia

Clientes de MS pedem bloqueio de bens da Naskar antes que patrimônio desapareça

Ações pedem rescisão de contratos, devolução de valores e medidas urgentes contra sócios

Por Kamila Alcântara | 28/05/2026 15:16
Clientes de MS pedem bloqueio de bens da Naskar antes que patrimônio desapareça
Aplicativo de investimento financeiro da Naskar (Foto: Reprodução)

A crise envolvendo a fintech Naskar saiu do campo dos boletins de ocorrência e entrou em uma nova fase em Campo Grande: a corrida judicial para tentar recuperar valores antes que patrimônio da empresa e dos sócios desapareça. Processos que chegaram à Justiça de Mato Grosso do Sul pedem rescisão contratual, restituição de dinheiro, desconsideração da personalidade jurídica e medidas urgentes para bloqueio de bens.

RESUMO

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Clientes da fintech Naskar recorrem à Justiça de Mato Grosso do Sul para tentar recuperar valores investidos na plataforma, que teria bloqueado saques e retirado seu aplicativo do ar em maio. As ações pedem bloqueio de bens via Sisbajud, restrição de veículos pelo Renajud e até retenção de passaportes dos sócios. Prejuízos registrados em boletins de ocorrência na Capital já ultrapassam R$ 4 milhões.

As ações são movidas contra Naskar Instituição de Pagamento Ltda./Naskar Gestão de Ativos Ltda., 7Trust Finance Instituição de Pagamento S.A., Celcoin Instituição de Pagamento S.A. e sócios ligados à operação. Entre os pedidos estão bloqueio de ativos financeiros via Sisbajud, na modalidade conhecida como “teimosinha”, restrição de veículos pelo Renajud, arresto de bens e até retenção de passaportes dos corréus.

O ponto central agora não é apenas saber quanto cada cliente perdeu, mas se ainda haverá patrimônio disponível para eventual ressarcimento. Em uma das ações, uma aposentada de Campo Grande afirma ter feito aporte inicial de R$ 100 mil e diz que mantinha aproximadamente R$ 107 mil sob custódia da empresa. Em outra, uma investidora relata ter aplicado R$ 100 mil em junho de 2025 e possuir cerca de R$ 38,5 mil bloqueados na plataforma.

Nos dois casos, as autoras afirmam que contrataram a operação por meio de contrato de mútuo financeiro, com promessa de rendimento de 2% ao mês. Segundo as petições, os valores eram acompanhados pelo aplicativo da Naskar, usado para aportes, saques, extratos e documentos. A partir de maio, porém, as clientes dizem que tentaram resgatar o dinheiro e foram surpreendidas com a informação de que os ativos estavam bloqueados.

As ações apontam que, no dia 8 de maio, o aplicativo oficial teria sido retirado do ar, impedindo o acesso ao saldo e ao histórico de movimentações. As petições classificam a situação como retenção ilícita de valores e obstrução de provas. Também sustentam que a fintech interrompeu operações, bloqueou o aplicativo, tirou o site do ar e deixou clientes sem explicações.

Em um dos processos, a Justiça de 1º grau negou a tutela de urgência. A defesa recorreu ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), alegando que a decisão teria ignorado documentos como contrato de mútuo, comprovantes de aporte, retirada do aplicativo do ar e a repercussão nacional do caso. No recurso, a autora pede efeito suspensivo para tentar garantir bloqueio de valores antes do julgamento definitivo.

Ao Campo Grande News, o advogado Luiz Afonso da Costa, do escritório Alcides Gomes e Luiz Afonso Advogados, que representa clientes nos casos, afirma que outras pessoas também têm procurado orientação jurídica depois do colapso da plataforma.

“Mais pessoas estão nos procurando e a primeira providência que aconselhamos aos nossos clientes é registrar um boletim de ocorrência, bem como preservar provas, como contratos, comprovantes de transferência, extratos, capturas de tela do aplicativo e históricos de conversas com a empresa, e, por fim, buscar medidas judiciais de urgência, visando reaver o capital investido”, disse.

Segundo ele, o perfil das vítimas é variado. Há pessoas com experiência em investimento e outras que teriam depositado economias em busca de renda passiva. Para o advogado, isso mostra que qualquer pessoa pode ser atingida quando a operação se apresenta como alternativa financeira aparentemente segura.

“Nossos clientes possuem perfil diverso, pois se tratam tanto de pessoas com perfil de investidor quanto pessoas que depositaram suas economias visando à obtenção de uma renda passiva, o que mostra que qualquer pessoa pode ser vítima em situações como essa, porque tudo indica se tratar de uma fraude estruturada, com fortes indícios de apropriação indébita e ocultação de patrimônio”, afirmou.

Luiz também sustenta que a empresa operava sem os devidos registros na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e no BC (Banco Central), o que, segundo ele, aumentava o risco para os clientes. “A empresa Naskar operava sem os devidos registros na CVM e no Banco Central, caracterizando risco de contraparte absoluto”, disse.

Nas ações, os advogados pedem medidas urgentes sob o argumento de que há risco de dissipação de patrimônio. A preocupação é que, se o bloqueio não for feito rapidamente, uma eventual decisão futura favorável às vítimas possa não ter efeito prático.

“Em todas as ações estamos requerendo o deferimento da liminar, a fim de assegurar a efetividade da tutela jurisdicional, já que o principal receio é que a empresa tente se esquivar de sua responsabilidade dissipando o patrimônio”, afirmou o advogado.

Ele defende que os clientes não esperem uma resposta espontânea da empresa. “O importante agora é se precaver contra a fuga de sócios ou ocultação de bens. O recomendado é não aguardar um posicionamento da empresa e agir rapidamente na esfera judicial”, completou.

A crise da Naskar já havia levado pelo menos quatro pessoas de Campo Grande a registrar boletins de ocorrência por suspeita de estelionato e apropriação indébita. Na ocasião, os relatos mencionavam prejuízos que, somados, ultrapassavam R$ 4 milhões apenas nos casos comunicados à polícia na Capital.

As ações ainda estão em andamento e os pedidos dependem de análise da Justiça.

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