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Capital

Justiça tira do júri réu que perseguiu e atropelou jovem por briga em bar

Juiz conclui que atropelamento não teve intenção de matar motociclista

Por Gustavo Bonotto | 27/08/2026 11:02
Justiça tira do júri réu que perseguiu e atropelou jovem por briga em bar
Renault Logan branco conduzido pelo comerciante teve a parte frontal danificada em atropelamento. (Foto: Reprodução processual)

A Justiça de Mato Grosso do Sul retirou do Tribunal do Júri o comerciante Vlademir Gutierres, de 60 anos, acusado de perseguir e atropelar um motociclista de 23 anos depois de uma discussão em uma tabacaria no Coophavila II, em Campo Grande. O juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida concluiu que as provas confirmam a perseguição e o atropelamento, mas não demonstram que o comerciante pretendia matar o jovem. A sentença foi assinada na segunda-feira (24), quase seis meses depois do caso.

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Justiça de Mato Grosso do Sul retirou do Tribunal do Júri o comerciante Vlademir Gutierres, 60 anos, acusado de atropelar um motociclista após discussão em tabacaria em Campo Grande. O juiz concluiu que as provas confirmam o atropelamento, mas não provam intenção de matar. O próprio Ministério Público mudou seu entendimento após depoimentos e pediu a desclassificação da tentativa de homicídio qualificado.

A decisão, publicada nesta quinta-feira (27) no Diário de Justiça muda o rumo da acusação apresentada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Em abril, a Promotoria denunciou Vlademir por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e pediu que ele fosse julgado pelo Tribunal do Júri. A acusação sustentava que o comerciante perseguiu o motociclista depois de uma troca de ofensas e o atropelou de propósito.

O próprio MP, porém, mudou de entendimento depois dos depoimentos prestados durante o processo. Nas alegações finais, a Promotoria reconheceu que nenhuma das testemunhas que estava na tabacaria presenciou o atropelamento e que não foi possível esclarecer com segurança a forma como ocorreu a colisão. Por isso, pediu que a tentativa de homicídio fosse retirada e substituída por uma acusação que não seja de crime doloso contra a vida.

Garcete acompanhou a conclusão. Para o juiz, não há dúvida de que Vlademir causou as lesões sofridas pelo motociclista, mas os depoimentos não trouxeram elementos seguros sobre uma intenção de matar.

“Sendo assim, não havendo elementos suficientes no sentido de que o acusado tinha a intenção de matar a vítima ou, ao menos, que tenha sido interrompido por circunstâncias alheias à sua vontade, reputo não ter restado provado o animus necandi imputado ao réu, o que exige a desclassificação”, escreveu o magistrado.

A instrução mostrou versões diferentes sobre os momentos que antecederam o atropelamento. O motociclista afirmou que Vlademir o ofendeu e disse que iria “pegá-lo”. Ele contou que deixou a tabacaria de moto e percebeu pouco depois que o Renault Logan branco conduzido pelo comerciante estava muito próximo. O carro atingiu a traseira da motocicleta e o jovem perdeu a consciência.

No dia do caso, policiais encontraram o jovem caído e com forte sangramento na cabeça. Ele recebeu os primeiros atendimentos e foi levado à Santa Casa. Vlademir foi preso depois que o Logan perdeu o controle, atingiu o meio-fio, atravessou o canteiro central e parou na contramão.

O registro policial apontou sinais de embriaguez, como odor de álcool, olhos avermelhados e agitação. Vlademir recusou o teste do bafômetro. Ele foi colocado em liberdade dois dias depois do atropelamento e passou a cumprir medidas determinadas pela Justiça.