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Capital

Após ataque a laudos, família de Fabíola sai em defesa de delegada e peritas

Em nota, o advogado afirmou que desqualificar profissionais que atuam no caso ultrapassa limites

Por Ana Paula Chuva | 27/08/2026 10:35
Após ataque a laudos, família de Fabíola sai em defesa de delegada e peritas
Delegada Analu (blusa branca) ao lado de João Jazbik no dia do crime (Foto: Arquivo | Campo Grande News)

A família de Fabíola Marcotti divulgou nota oficial para rebater as declarações da defesa do médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, que classificou os laudos da investigação sobre a morte da fisioterapeuta como "precários" e "amadores". A manifestação é assinada pelo advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens, assistente de acusação.

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A família de Fabíola Marcotti rebateu declarações da defesa do médico João Jazbik Neto, réu por feminicídio, que classificou os laudos periciais como "precários" e "amadores". Em nota, o advogado da família defendeu as profissionais responsáveis pelo caso e destacou o simbolismo do episódio ocorrer durante o Agosto Lilás. O médico foi denunciado após investigação de 95 dias concluir que Fabíola foi assassinada, contrariando a versão inicial de suicídio.

No documento, o advogado destaca que questionar provas é um direito da defesa, no entanto, desqualificar as profissionais envolvidas no caso e classificar a apuração técnica como “fantasiosa” ultrapassa os limites.

"Nós perguntamos: é assim que se trata o trabalho de mulheres que dedicaram conhecimento, técnica e responsabilidade à investigação da morte de outra mulher?", questionou a família no documento

O posicionamento cita nominalmente as profissionais responsáveis pelo caso: a delegada Analu Lacerda Ferraz, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher); a perita Thayla Venancio; a médica perita do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), Priscilla Alexandrino; e as promotoras de Justiça Luciana do Amaral Rabelo e Daniele Borghetti Zampieri.

"Não são amadoras. São profissionais que cumpriram suas funções diante de uma investigação de extrema complexidade", diz o documento encaminhado à imprensa.

A família ainda enfatizou o simbolismo do episódio ocorrer durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Segundo a manifestação, a violência de gênero nem sempre é evidente e exige olhar técnico para ser identificada.

"O Ministério Público de Mato Grosso do Sul ofereceu denúncia por feminicídio e o Poder Judiciário recebeu, permitindo que o processo siga seu curso. Não se trata de condenação antecipada, mas também não se trata de uma investigação que possa ser reduzida à 'fantasia'", pontua a família, reafirmando confiança na Polícia Civil, na perícia, no Imol, no MPMS e no Judiciário.

João Jazbik Neto virou réu após o recebimento da denúncia por feminicídio, violência psicológica, posse irregular de arma de fogo e fraude processual. A acusação aponta que Fabíola foi agredida e morta por disparo de arma de fogo, contestando a versão inicial de suicídio apresentada pelo médico no dia do crime.

Após ataque a laudos, família de Fabíola sai em defesa de delegada e peritas
Fabíola foi encontrada morta no dia 18 de maio deste ano (Foto: Arquivo)

Caso - Fabíola foi encontrada morta em 18 de maio, na chácara onde morava com o médico, em Campo Grande. João relatou inicialmente que a companheira havia cometido suicídio, mas a Polícia Civil concluiu, após 95 dias de investigação, que ela foi assassinada.

Nesta segunda-feira (24), o MPMS apresentou denúncia por feminicídio, violência psicológica contra a mulher, posse irregular de armas e fraude processual. A acusação foi recebida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, e João passou formalmente à condição de réu.

Após a decisão, advogado José Belga Trad emitiu nota e classificou como “precários” e “até mesmo amadores” os laudos periciais usados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul para sustentar a acusação.

Na manifestação, a defesa afirmou que apresentará resposta dentro do prazo legal e fará “severas contestações” aos exames. Segundo o advogado, os laudos apresentam interpretações e conclusões “distorcidas e fantasiosas”. “A defesa afirma e reafirma a inocência do seu cliente e repudia qualquer tentativa de imposição sumária de pena”, declarou José Trad.

A nota também critica o que chama de condenação antecipada pela opinião pública. Para a defesa, o recebimento da denúncia não significa que o médico seja culpado, mas apenas abre a fase na qual os argumentos e as provas da acusação serão confrontados judicialmente.

O advogado também classificou qualquer julgamento anterior ao encerramento do processo como “prejulgamento” ou “tentativa de justiçamento”.

Acusação – Segundo a denúncia apresentada pelo MPMS e recebida pela Justiça, Fabíola teria sofrido sucessivos golpes na cabeça com um objeto ainda não identificado antes de ser atingida pelo disparo fatal.

A acusação sustenta que a fisioterapeuta caiu de joelhos após o primeiro golpe, foi novamente atingida e teve sua capacidade de defesa reduzida. O laudo necroscópico apontou traumatismo cranioencefálico provocado por projétil de arma de fogo como causa da morte.

O MPMS também acusa João de orientar funcionários a retirar do cômodo uma estante com armas e munições antes da chegada da polícia. Dois empregados do médico foram denunciados por fraude processual.

João permanece em liberdade por decisão do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). O Ministério Público tenta restabelecer a prisão preventiva, mas o recurso ainda aguarda análise. Com o recebimento da denúncia, o processo entra na fase de produção de provas e depoimentos. Ao final dessa etapa, a Justiça decidirá se o médico será levado a júri popular.

Após ataque a laudos, família de Fabíola sai em defesa de delegada e peritas
Armas apreendidas na casa onde Fabíola morava com João (Foto: Arquivo | Campo Grande News)


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