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Legado de pesquisadora alemã, livros “sobreviveram” entre destroços de acidente

Obra publicada na Alemanha relata a rotina de Lydia Möcklinghoff no Pantanal e estudos com tamanduás

Por Anahi Zurutuza e Geniffer Valeriano | 03/07/2026 15:21
Legado de pesquisadora alemã, livros “sobreviveram” entre destroços de acidente
Um dos exemplares do livro de Lydia encontrado no local do acidente (Foto: Juliano Almeida)

Além de uma mala bem grande, a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, que morreu em um acidente aéreo em Campo Grande, na manhã desta sexta-feira (3), carregava consigo suas relíquias: vários exemplares do livro escrito por ela sobre aventuras no Pantanal. O vestígio silencioso da vida que a estrangeira construiu no Brasil estava em meio aos destroços do avião que caiu com ela na manhã desta sexta-feira (3).

RESUMO

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Pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, morreu em acidente aéreo em Campo Grande junto ao piloto Henrique Martin. No local da queda foram encontrados exemplares de seu livro sobre aventuras no Pantanal. Zoóloga e doutoranda pela Universidade de Bonn, ela pesquisava mamíferos pantaneiros. O bimotor Seneca caiu após decolar do Aeroporto Santa Maria em meio à forte neblina. A causa do acidente ainda será investigada pelo Cenipa.

A obra conta as aventuras de Lydia no Pantanal. Na sinopse, a alemã relata que vivia “há nove anos em uma fazenda no meio da natureza selvagem do Brasil e faz pesquisa de campo com tamanduás”. “A vida dela por lá é cheia de aventuras. Seja abrindo caminho pelo mato com um facão, seja encerrando a noite com uma boa caipirinha, o cotidiano nada comum da bióloga faz bater mais forte o coração de qualquer pessoa acostumada à cidade...”, completa, em terceira pessoa.

A pesquisadora morreu no acidente junto com o piloto Henrique Martin, pouco depois da decolagem do Aeroporto Santa Maria, na zona rural campo-grandense.

Os livros foram encontrados na aeronave durante o trabalho das equipes que atuaram no local da queda, em área de mata próxima ao aeroporto. A imagem dos exemplares retirados dos destroços chamou atenção porque a obra ajuda a contar outra parte da trajetória de Lydia.

Publicado em alemão, o livro se chama “Ich glaub, mein Puma pfeift: Als Forscherin im reichsten Tierparadies der Welt”. Em tradução literal, o título seria algo como “Acho que meu puma está assobiando: como pesquisadora no mais rico paraíso animal do mundo”. A frase, no entanto, brinca com uma expressão alemã de espanto e não significa que o puma seja o tema central da obra.

A capa também reforça a ligação dela com o Pantanal. Embora o título cite “puma”, que pode fazer referência às onças, a ilustração em destaque é a de um tamanduá-bandeira, um dos símbolos da fauna pantaneira e o animal que marcou os estudos da pesquisadora.

Legado de pesquisadora alemã, livros “sobreviveram” entre destroços de acidente
Pesquisadora apaixonada pelo Pantanal, Lydia joga Jenga durante gravação para TV alemã, conforme descreveu em postagem no Instagram (Foto: Reprodução)

Lydia era zoóloga, ecóloga tropical, bióloga comportamental e jornalista científica. Tinha mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo e fazia doutorado na Universidade de Bonn, com tese sobre conservação de mamíferos no Pantanal.

Também integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu de Pesquisa Zoológica Alexander Koenig, em Bonn, e a CO.BRA (Computational Bioacoustics Research Unit).

O avião que caiu era um bimotor Seneca, modelo Neiva EMB-810D, matrícula PT-WYQ, fabricado em 1983. A aeronave havia decolado do Aeroporto Santa Maria e caiu poucos minutos depois, em meio à forte neblina registrada na região. A causa do acidente ainda não foi confirmada.

Segundo o delegado Sam Suzumura, do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), uma das hipóteses iniciais é que o mau tempo tenha contribuído para a queda, mas qualquer conclusão depende da análise técnica. “A suspeita inicial é que, em razão do mau tempo, isso tenha provocado a queda. Só que a gente precisa seguir nos levantamentos. Vai precisar ser analisada a parte mecânica da aeronave e, para isso, a gente precisa da Aeronáutica. Então, isso vai ser só em um segundo momento para a gente ter certeza da causa do acidente”, explicou.

A aeronave não tinha caixa-preta, mas isso não indica irregularidade. O modelo Neiva não conta com esse tipo de gravador. Por isso, nenhum equipamento semelhante foi recolhido dos destroços.

A área da queda ficará isolada até a chegada dos técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ligado à FAB (Força Aérea Brasileira). O trabalho deve ocorrer neste sábado (4), com acompanhamento da perícia criminal.

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