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Capital

Mãe de autista reclama de descaso em domingo de prova do Passe na UFMS

O episódio aconteceu neste domingo em um dos locais de prova, na Avenida Gury Marques, em Campo Grande

Por Viviane Oliveira | 08/12/2019 12:58
Dalva reclamou da falta de preparo da organização do Passe em lidar com a situação (Foto: Paulo Francis)
Dalva reclamou da falta de preparo da organização do Passe em lidar com a situação (Foto: Paulo Francis)

A costureira Dalva Batista da Silva, 50 anos, ficou revoltada e ao mesmo tempo desesperada ao saber que não foi disponibilizado um professor de apoio para a filha autista de 15 anos fazer a 1ª etapa do Passe (Programa de Avaliação Seriada Seletiva) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). As provas foram realizadas na manhã deste domingo (8), em Campo Grande e outras nove cidades do Estado. Dalva disse ainda que pediu para ficar próxima à filha, cerca de 300 metros de distância, mas foi colocada "para fora" por um dos organizadores do vestibular.

Dalva contou que durante a inscrição, pela internet, encaminhou todos os documentos necessários solicitando à universidade a ajuda de um profissional, pois a filha tem autismo moderado e quando fica muito ansiosa tem crises graves, se joga na parede, se bate, se morte. Ao chegar nesta manhã em um dos locais de prova, na Avenida Gury Marques, teve uma surpresa desagradável: não havia professor de apoio para auxiliar a adolescente durante a prova, nem podia ficar próximo à filha.

“Mandei a declaração, o laudo médico. Tudo certinho, mas não providenciaram nada e ainda me disseram que o meu pedido havia sido indeferido”, lamentou. Conforme Dalva, ainda tentou explicar a situação para os organizadores da Fapec (Fundação de Apoio à Pesquisa ao Ensino e à Cultura), banca responsável pela aplicação da prova, mostrando a carteirinha de TEA (Transtorno do Espectro Autista), mas sem sucesso.

Adriana reclamou que a filha não pôde fazer a prova por causa da identidade (Foto: Paulo Francis)
Adriana reclamou que a filha não pôde fazer a prova por causa da identidade (Foto: Paulo Francis)

A costureira disse ainda que foi tratada com desprezo e de forma grosseira. “Me trataram como seu eu fosse qualquer uma. Só quero fazer valer um direito que a minha filha tem. Eles falaram que iriam contê-la se ela entrasse em crise. “Não pode segurar um autista durante a crise. Eles podem até machucá-la. Infelizmente as pessoas ainda precisam de informação para lidar com pessoas com transtorno, com deficiência. Minha filha já sofre muito na escola em razão disso. Ela nem quis fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) com medo”, lamentou.

Em frente ao local de prova outros pais reclamavam da falta de organização. A acadêmica Adriana Nunes Castro afirmou que a filha de 15 anos não pôde fazer a prova porque na identidade não constava a assinatura. "Ela fez quando era criança. Não tem assinatura, mas tem foto, consta o nome dos pais, o nome dela completo. É um documento", lamentou. O mesmo problema ocorreu com outra concorrente, segundo explicou a mãe.

Outro lado - O Campo Grande News tentou falar com a assessoria de imprensa da UFMS mas não conseguiu contato pelo telefone fixo disponível na internet. A organização da Fapec também foi chamada durante a reportagem no local, porém informou que somente vai se pronunciar sobre o assunto amanhã (9).

Passe - Neste ano, mais de 7 mil candidatos se inscreveram para o Passe. As provas tiveram a duração máxima de 4h30 e foram realizadas também nos nos municípios de Aquidauana, Chapadão do Sul, Corumbá, Coxim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas. 

O Programa de Avaliação Seriada Seletiva é uma das novas formas de ingresso na UFMS, que ao invés de medir o aprendizado dos candidatos em uma única prova, medirá o aprendizado ao final de cada ano do ensino médio. A partir de 2020, 20% das vagas dos cursos de graduação serão reservadas para esta modalidade de ingresso.

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