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Capital

Mesmo sem desfile, jipes mantêm celebração pelos 127 anos de Campo Grande

Grupo mudou os planos no aniversário da cidade e coloriu estacionamento de restaurante

Por Kamila Alcântara | 26/08/2026 14:51
Mesmo sem desfile, jipes mantêm celebração pelos 127 anos de Campo Grande
Veículos estacionados em frente ao restaurante deixou a rua até mais colorida neste 26 de agosto chuvoso (Foto: Paulo Francis)

A chuva que cancelou o desfile pelos 127 anos de Campo Grande nesta quarta-feira (26) obrigou os integrantes do Jeep Clube Capital MS a mudar os planos. Os veículos antigos e personalizados não passaram pela Rua 13 de Maio, como estava previsto, mas também não ficaram escondidos nas garagens.

RESUMO

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A chuva que cancelou o desfile pelos 127 anos de Campo Grande impediu o Jeep Clube Capital MS de participar do evento, mas o grupo manteve o encontro mensal em um restaurante. Fundado há quatro anos por José Domingos Junior, o clube reúne 25 integrantes e participa de eventos de antigomobilismo. Entre os veículos, o jipe decorado com onças de Lídia Vieira, 62 anos, se destacou pela personalização temática.

Sem o evento cívico, parte do grupo manteve o encontro mensal e se reuniu para almoçar em um restaurante próximo ao shopping. Na entrada do estabelecimento, os jipes coloridos chamaram a atenção de quem passava pelo local.

O clube havia inscrito 18 veículos para participar do desfile. Com o cancelamento e o tempo instável, nove chegaram ao encontro. Os demais integrantes acabaram seguindo outros planos com as famílias.

Fundador do grupo, José Domingos Junior, de 39 anos, conta que criou o clube há quatro anos, após se mudar de Ponta Porã para Campo Grande. Ao procurar outros proprietários de jipes antigos, encontrou principalmente grupos dedicados a trilhas.

“Eu procurei um Jeep Clube porque o meu era mais para eventos de carros antigos. Como não encontrei, falei: ‘Quer saber? Vou montar um clube’”, lembra.

José criou uma página nas redes sociais e começou a conhecer outros proprietários em oficinas, funilarias, encontros realizados em praças e estacionamentos de shoppings. O nome Jeep Clube Capital MS foi escolhido como uma homenagem a Campo Grande.

Mesmo sem desfile, jipes mantêm celebração pelos 127 anos de Campo Grande
Mesmo sem desfile, jipes mantêm celebração pelos 127 anos de Campo Grande
José Domingos Junior diz que os amigos do Jeep Clube Campo Grande não desfilaram no evento de aniversário da cidade, mas não deixaram de comemorar (Foto: Paulo Francis)

Inicialmente, o grupo de WhatsApp chegou a reunir mais de 70 pessoas. Neste ano, o clube passou por uma reorganização e ficou com 25 integrantes, que contribuem mensalmente para manter as atividades.

Parte do dinheiro arrecadado será destinada a uma ação social no Dia das Crianças. O grupo ainda avalia qual entidade ou comunidade receberá a doação de brinquedos.

“Hoje somos uma família. A gente se reúne todos os meses e escolhe um local diferente. Vamos conversando, colocando as ideias em prática e tentando ajudar alguma entidade”, afirma José.

Além dos encontros, os integrantes fazem questão de participar de atividades públicas e eventos ligados ao antigomobilismo. Este seria o quarto ano consecutivo do clube no desfile de aniversário de Campo Grande.

Entre os veículos inscritos estava um Ford 1929 aberto, que transportaria uma miss durante o percurso. A presença também foi cancelada por causa da chuva.

O clube já participou de encontros em outras cidades, como Ponta Porã. Também costuma colaborar com a chegada do Papai Noel promovida pelo Comper. Para a próxima edição, José planeja engatar uma carretinha em seu jipe e transformá-la em trenó.

“A intenção é enfeitar, colocar o Papai Noel e levar alegria para as crianças. Onde a gente chega, reúne crianças e famílias. Elas sobem nos jipes, tiram fotos e marcam o clube nas redes sociais”, conta.

Onças por todos os lados - Entre os veículos que mais despertaram curiosidade estava o jipe de Lídia Vieira, de 62 anos. O carro é inteiramente inspirado em onças. Os animais aparecem nos bancos, na tapeçaria e até no teto, onde uma família de pelúcia acompanha os passeios. As três onças foram batizadas de Juma, Juminha e Jurema. Para completar a personalização, até a buzina reproduz um rugido do animal.

Mesmo sem desfile, jipes mantêm celebração pelos 127 anos de Campo Grande
Mesmo sem desfile, jipes mantêm celebração pelos 127 anos de Campo Grande
A família de pelúcia, Juma, Juminha e Jurema tomaram banho de chuva (Foto: Paulo Francis)

Nascida no Paraguai, Lídia vive em Mato Grosso do Sul há 43 anos e conta que a paixão pelas onças começou ainda na infância, quando viu uma de perto. Como não poderia criar um animal verdadeiro, encontrou no jipe uma maneira menos arriscada, e bastante mais chamativa, de manter a paixão por perto.

“Meu marido teve a ideia de colocar estampa de onça nos bancos. Depois fui tendo outras ideias e coloquei as oncinhas em cima. As pessoas perguntam se tenho coragem de andar assim. Tenho muito mais”, brinca.

A chuva impediu que Juma, Juminha e Jurema fossem apresentadas ao público durante o desfile, mas não apagou o entusiasmo da proprietária. Por onde passa, o veículo desperta olhares, fotografias e conversas.

Lídia conta que frequentemente encontra turistas interessados na decoração. Em uma dessas ocasiões, conversou em espanhol com visitantes cubanos que pararam para fotografar o carro.

Moradora de Campo Grande desde a década de 1990, ela diz que não pretende trocar a cidade nem mesmo por uma vida perto do mar. “Campo Grande é a cidade que me acolheu, que me adotou. Eu amo Campo Grande. Vou à praia, mas depois volto para casa”, termina.

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