Mesmo sem desfile, jipes mantêm celebração pelos 127 anos de Campo Grande
Grupo mudou os planos no aniversário da cidade e coloriu estacionamento de restaurante

A chuva que cancelou o desfile pelos 127 anos de Campo Grande nesta quarta-feira (26) obrigou os integrantes do Jeep Clube Capital MS a mudar os planos. Os veículos antigos e personalizados não passaram pela Rua 13 de Maio, como estava previsto, mas também não ficaram escondidos nas garagens.
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Sem o evento cívico, parte do grupo manteve o encontro mensal e se reuniu para almoçar em um restaurante próximo ao shopping. Na entrada do estabelecimento, os jipes coloridos chamaram a atenção de quem passava pelo local.
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O clube havia inscrito 18 veículos para participar do desfile. Com o cancelamento e o tempo instável, nove chegaram ao encontro. Os demais integrantes acabaram seguindo outros planos com as famílias.
Fundador do grupo, José Domingos Junior, de 39 anos, conta que criou o clube há quatro anos, após se mudar de Ponta Porã para Campo Grande. Ao procurar outros proprietários de jipes antigos, encontrou principalmente grupos dedicados a trilhas.
“Eu procurei um Jeep Clube porque o meu era mais para eventos de carros antigos. Como não encontrei, falei: ‘Quer saber? Vou montar um clube’”, lembra.
José criou uma página nas redes sociais e começou a conhecer outros proprietários em oficinas, funilarias, encontros realizados em praças e estacionamentos de shoppings. O nome Jeep Clube Capital MS foi escolhido como uma homenagem a Campo Grande.

Inicialmente, o grupo de WhatsApp chegou a reunir mais de 70 pessoas. Neste ano, o clube passou por uma reorganização e ficou com 25 integrantes, que contribuem mensalmente para manter as atividades.
Parte do dinheiro arrecadado será destinada a uma ação social no Dia das Crianças. O grupo ainda avalia qual entidade ou comunidade receberá a doação de brinquedos.
“Hoje somos uma família. A gente se reúne todos os meses e escolhe um local diferente. Vamos conversando, colocando as ideias em prática e tentando ajudar alguma entidade”, afirma José.
Além dos encontros, os integrantes fazem questão de participar de atividades públicas e eventos ligados ao antigomobilismo. Este seria o quarto ano consecutivo do clube no desfile de aniversário de Campo Grande.
Entre os veículos inscritos estava um Ford 1929 aberto, que transportaria uma miss durante o percurso. A presença também foi cancelada por causa da chuva.
O clube já participou de encontros em outras cidades, como Ponta Porã. Também costuma colaborar com a chegada do Papai Noel promovida pelo Comper. Para a próxima edição, José planeja engatar uma carretinha em seu jipe e transformá-la em trenó.
“A intenção é enfeitar, colocar o Papai Noel e levar alegria para as crianças. Onde a gente chega, reúne crianças e famílias. Elas sobem nos jipes, tiram fotos e marcam o clube nas redes sociais”, conta.
Onças por todos os lados - Entre os veículos que mais despertaram curiosidade estava o jipe de Lídia Vieira, de 62 anos. O carro é inteiramente inspirado em onças. Os animais aparecem nos bancos, na tapeçaria e até no teto, onde uma família de pelúcia acompanha os passeios. As três onças foram batizadas de Juma, Juminha e Jurema. Para completar a personalização, até a buzina reproduz um rugido do animal.
Nascida no Paraguai, Lídia vive em Mato Grosso do Sul há 43 anos e conta que a paixão pelas onças começou ainda na infância, quando viu uma de perto. Como não poderia criar um animal verdadeiro, encontrou no jipe uma maneira menos arriscada, e bastante mais chamativa, de manter a paixão por perto.
“Meu marido teve a ideia de colocar estampa de onça nos bancos. Depois fui tendo outras ideias e coloquei as oncinhas em cima. As pessoas perguntam se tenho coragem de andar assim. Tenho muito mais”, brinca.
A chuva impediu que Juma, Juminha e Jurema fossem apresentadas ao público durante o desfile, mas não apagou o entusiasmo da proprietária. Por onde passa, o veículo desperta olhares, fotografias e conversas.
Lídia conta que frequentemente encontra turistas interessados na decoração. Em uma dessas ocasiões, conversou em espanhol com visitantes cubanos que pararam para fotografar o carro.
Moradora de Campo Grande desde a década de 1990, ela diz que não pretende trocar a cidade nem mesmo por uma vida perto do mar. “Campo Grande é a cidade que me acolheu, que me adotou. Eu amo Campo Grande. Vou à praia, mas depois volto para casa”, termina.
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