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Capital

Organização de show rebate PRF e diz que problema foi estrutura da BR-262

Santo Show afirma que megaevento escancarou desafio antigo de mobilidade urbana na Capital

Por Anahi Zurutuza | 10/04/2026 14:06
Organização de show rebate PRF e diz que problema foi estrutura da BR-262
Congestionamento na BR-262 na tarde desta quinta-feira, 9 de abril (Foto: Paulol Francis)

Não faltou planejamento, mas o colapso no trânsito registrado antes e depois do show da banda Guns N’ Roses, expôs limites de Campo Grande para comportar evento deste porte, defende a Santo Show, organizadora da apresentação que levou 35 mil pessoas ao Autódromo Internacional nesta quinta-feira (9). Diferente do que alega a PRF (Polícia Rodoviária Federal), a organização também nega falhas no acesso aos estacionamentos.

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A organizadora do show do Guns N' Roses em Campo Grande, a Santo Show, defendeu seu planejamento após o caos no trânsito que afetou os 35 mil fãs no Autódromo Internacional na quinta-feira (9). A empresa atribuiu o congestionamento de 14 km na BR-262 aos limites de infraestrutura da cidade, negando falhas operacionais apontadas pela PRF, que citou acesso único aos estacionamentos e uso de QR Code como causas do problema. O evento gerou impacto econômico estimado em R$ 33 milhões.

“A realização de um evento dessa magnitude exige coragem, planejamento e capacidade de execução. Também expõe, de forma inevitável, os limites de uma cidade que ainda não havia operado uma logística desse porte. O que se verificou não foi ausência de planejamento, mas o encontro entre uma demanda comprovada e uma infraestrutura que precisa evoluir”, afirmou a empresa em nota.

Para chegar ao local do evento, boa parte do público teve de enfrentar congestionamento de mais de 14 km na BR-262, o único acesso, e espera de mais de 5 horas dentro dos veículos. Há relatos de fãs que desistiram de assistir ao show.

Segundo a organização, o planejamento ocorreu ao longo de três meses e contou com a participação de órgãos públicos. “Todas as condicionantes foram cumpridas pela produção, incluindo estrutura interna, fluxos de entrada, segurança e atendimento ao público”, destacou a nota.

A Santo Show também ressaltou que o problema evidenciou um gargalo: a BR-262 “se mostrou insuficiente para absorver o deslocamento simultâneo de 35 mil pessoas”. “O congestionamento registrado na BR 262 é um fato e não deve ser relativizado. Trata-se, no entanto, de uma rodovia federal de pista simples, que concentrou todo o fluxo de chegada de um público recorde. A operação contou com efetivo da Polícia Rodoviária Federal, uso de drones, radares móveis, restrição de veículos pesados ao longo do dia e fiscalização com bafômetros. Ainda assim, a capacidade física da via não suportou o volume simultâneo de veículos”.

A organização pondera que o problema, contudo, serviu para demonstrar que o poder público precisa avançar na busca de soluções de mobilidade para a cidade. “Campo Grande demonstrou que tem público, capacidade de consumo e relevância para receber grandes eventos. O desafio que se impõe agora é estrutural e coletivo. É necessário avançar em soluções de mobilidade, planejamento urbano e adequação de espaços para que a cidade possa consolidar esse novo posicionamento de forma segura e eficiente”, também diz o texto enviado pela empresa.

Ainda conforme o comunicado, o atraso de cerca de 1h30 no início da apresentação foi proposital, uma medida para tentar minimizar prejuízos ao público. “Foi uma decisão operacional responsável, adotada para permitir a entrada do maior número possível de pessoas que ainda estavam em deslocamento.”

A empresa também enfatizou que não tem competência legal para atuar na rodovia. “A organização privada não possui competência legal para intervenção em rodovias federais ou no sistema viário urbano”, pontuou.

Apesar dos transtornos, a produtora destacou o impacto econômico do evento, estimado em mais de R$ 33 milhões, além da ocupação de 86% da rede hoteleira, com 30% do público vindo de fora do Mato Grosso do Sul e de outros países, e a geração de cerca de 1,5 mil empregos temporários.

“Do ponto de vista operacional, tratou-se de uma das maiores estruturas já montadas na região, com mais de 800 toneladas de equipamentos, 66 carretas envolvidas e aproximadamente 2.800 profissionais atuando nas etapas de montagem, execução e desmontagem, sendo mais de duas centenas apenas no backstage da banda”.

Falhas operacionais – A PRF (Polícia Rodoviária Federal) atribuiu o congestionamento principalmente à organização interna do evento. O órgão afirmou que houve descumprimento do planejamento apresentado previamente.

De acordo com a corporação, “houve apenas uma via efetiva de acesso aos estacionamentos, com entrada de veículos de forma individualizada, o que gerou retenção”. A PRF também criticou a adoção de leitura de QR Code na entrada, medida que, segundo o órgão, havia sido desaconselhada.

Outro ponto levantado foi o atraso na abertura dos estacionamentos e a falta de sinalização adequada, fatores que contribuíram para o aumento das filas.

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