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Diversão

Há 25 anos, BR também “colapsou” com 50 mil pessoas na inauguração do autódromo

O retrato mostra que a cidade não consegue se desvencilhar da falta de mobilidade

Por Aline dos Santos e Thailla Torres | 10/04/2026 12:41
Há 25 anos, BR também “colapsou” com 50 mil pessoas na inauguração do autódromo
Capa do jornal Folha do Povo mostra caos para acesso ao autódromo em 2001. (Foto: Reprodução)

O caos que dominou o acesso ao Autódromo Internacional de Campo Grande, na BR-262, na ida e volta do show da banda Guns N’ Roses, na quinta-feira (dia 9), também foi a marca da inauguração do circuito, que aconteceu em 5 de agosto de 2001.

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O caos no acesso ao Autódromo Internacional de Campo Grande durante o show do Guns N' Roses, em 9 de janeiro, repetiu cenas de 2001, quando a inauguração do circuito gerou 18 km de engarrafamento com 50 mil pessoas. Desta vez, 35 mil foram ao evento e o trajeto de 10 km durou até cinco horas. A PRF apontou falhas na organização, como leitura de QR Code e atraso na abertura dos estacionamentos.

Há 25 anos, 50 mil pessoas se deslocaram para ver prova da temporada da Fórmula Truck. A manchete do jornal Folha do Povo foi “O Dia em que a Cidade Parou”. A fotografia mostra pessoas caminhando, além de carros e ônibus parados em direção à saída para Três Lagoas. O engarrafamento foi de 18 quilômetros.

O retrato mostra que a cidade não consegue se desvencilhar da falta de mobilidade. Em 2001, Campo Grande era uma Capital com 663.621 habitantes. Agora, a população é de 962.883.

Ontem, mais de 35 mil pessoas foram para o autódromo. O resultado foi  engarrafamento, confusão e muita demora. O deslocamento até o local do show, que fica a 10 km da área urbana, levou cinco horas, tempo suficiente por exemplo, para viajar de Campo Grande ao interior de São Paulo, passando por Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas.

O “cortejo” aconteceu numa rodovia de pista simples, com poucos trechos de acostamento e com entorno marcado pelo adensamento populacional. No trajeto, ainda é preciso passar pelo viaduto, que conecta a 262 com a BR-163.

Para se ter uma ideia da quantidade de pessoas, é como se quase todos os moradores do Maria Aparecida Pedrossian (14.495) e do Jardim Noroeste (22.767) saíssem num curto período de tempo para o autódromo.

Prefeito de Campo Grande em 2001, André Puccinelli (MDB) se recorda do grande público. “Encheu o autódromo e tinha gente esperando para entrar. Lotou todas as arquibancadas, o estacionamento do lado. Gente saindo para tudo que é lado”, rememora.

Depois do mais recente caos, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) afirmou que a retenção de veículos foi provocada principalmente por falhas na organização interna do evento, como exemplos a leitura de QR Code na entrada e o atraso na abertura dos estacionamentos.

Logística depende da cidade, não só dos produtores

A dificuldade de acesso ao Autódromo não surpreendeu quem já atua com eventos na cidade. Para o produtor Jean Medina, famoso como “Paçoca”, que já realizou festivais de funk no local com público de até 10 mil pessoas, o problema vai além da organização do evento.

“Nos eventos que eu realizei, o público não chega tudo de uma vez. As pessoas vão chegando aos poucos, curtindo, e no meu caso ainda tem muito motoqueiro, então o fluxo é diferente. Mesmo assim, já dá pra perceber que o acesso é limitado”, explica.

Segundo ele, o cenário visto no show do Guns N’ Roses escancara uma limitação estrutural da cidade.

“Você coloca 35 mil pessoas para acessar por uma via só. Mesmo com planejamento, não resolve. Não tem duas, três, quatro vias. As ruas são pequenas, tudo converge para o mesmo lugar”, afirma.

Jean também pondera que a responsabilidade não pode recair apenas sobre os organizadores.

“A organização tem a parte dela, mas não tem como fazer isso sozinha. Se a cidade quiser investir em grandes eventos, precisa pensar no acesso. É preciso mapear várias rotas, melhorar a estrutura viária. Hoje, Campo Grande não tem um espaço adequado para um evento desse porte”, diz.

Há 25 anos, BR também “colapsou” com 50 mil pessoas na inauguração do autódromo
Congestionamento em frente ao Bairro Maria Aparecida Pedrossian. (Foto: Paulo Francis)

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