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Interior

Dourados confirma 6ª morte por chikungunya e recebe reforço de R$ 27,5 milhões

Município enfrenta alta circulação do vírus com 3.412 casos prováveis da doença, com 1.572 confirmações

Por Jhefferson Gamarra e Helio de Freitas, de Dourados | 10/04/2026 16:55
Dourados confirma 6ª morte por chikungunya e recebe reforço de R$ 27,5 milhões
Chefe da Força Nacional de Sáude, Rodrigo Guerino Stabel, durante coletiva no Hospital Regional de Dourados (Foto: João Vitor Moura)

O município de Dourados, cidade a 230 quilômetros de Campo Grande, confirmou a sexta morte por chikungunya em meio ao avanço da epidemia que atinge tanto a área urbana quanto a Reserva Indígena. A vítima mais recente é um homem de 55 anos, que estava internado desde o dia 1º de abril no Hospital da Missão Caiuá e morreu em 3 de abril em decorrência de complicações da doença.

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Dourados, a 230 km de Campo Grande, registrou a sexta morte por chikungunya, vitimando um homem de 55 anos internado desde 1º de abril no Hospital Missão Caiuá. O município soma 3.412 casos prováveis e taxa de positividade de 72%. O Ministério da Saúde anunciou repasse de R$ 27,5 milhões para ampliar leitos de UTI, reforçar o SAMU e estruturar a rede de saúde, incluindo territórios indígenas, onde foram registrados 1.780 casos prováveis.

Outras duas mortes seguem em investigação, incluindo o caso de uma menina de 10 anos que estava internada no Hospital Regional de Dourados e não residia na Reserva Indígena.

De acordo com o COE (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública), criado pela prefeitura para coordenar as ações de enfrentamento, a situação nas aldeias indígenas é considerada grave. Foram registrados 1.780 casos prováveis, dos quais 1.264 já confirmados, além de 444 descartados e 516 ainda em investigação. Ao todo, são 2.224 notificações e 246 atendimentos hospitalares apenas nesse território.

No cenário geral do município, Dourados soma 3.412 casos prováveis da doença, com 1.572 confirmações, 609 descartados e 2.449 casos em investigação. A taxa de positividade, de 72,07%, permanece em patamar elevado, indicando intensa circulação viral. Segundo o informe epidemiológico, esse índice tem se mantido entre 72% e 79% ao longo das últimas semanas, o que demonstra que a epidemia segue ativa, apesar de pequenas oscilações.

Atualmente, a curva de positividade da chikungunya em Dourados manteve-se em níveis extremamente elevados (entre aproximadamente 72% e 79%) ao longo do período analisado, o que indica intensa circulação viral. Ainda que haja leve redução, os valores permanecem muito acima dos parâmetros considerados adequados em vigilância epidemiológica, sugerindo que a epidemia segue ativa.

A taxa de positividade é um importante indicador da intensidade de transmissão, sendo que valores elevados refletem maior circulação do agente infeccioso, destaca o informe epidemiológico.

Atualmente, 29 pacientes estão internados com chikungunya em diferentes unidades hospitalares da cidade, evidenciando a pressão sobre a rede de saúde. As autoridades locais reforçam que o combate ao mosquito Aedes aegypti depende também da participação da população, especialmente na eliminação de criadouros.

“As equipes estão trabalhando intensamente no enfrentamento à epidemia na Reserva Indígena e também para conter o avanço da doença nos bairros de Dourados, mas volto a dizer que essa guerra contra o mosquito Aedes aegypti só será vencida se cada pessoa fizer a parte dela no cuidado com sua casa e seu quintal”, enfatizou o secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde anunciou o repasse de R$ 27,5 milhões para reforçar a assistência especializada em Dourados e região. Os recursos serão destinados ao custeio de serviços de média e alta complexidade, ampliação de leitos, qualificação do atendimento de urgência e fortalecimento da rede voltada à população indígena. As portarias de formalização estão previstas para serem publicadas nos próximos dias.

O anúncio foi feito pelo coordenador da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabelli, que destacou o caráter emergencial e estruturante da medida. “Estamos mobilizando um aporte robusto para fortalecer toda a rede de atenção à saúde em Dourados, com foco na ampliação da média e alta complexidade, na habilitação de leitos e na qualificação dos serviços. Trata-se de uma resposta direta, estruturada e necessária para enfrentar a emergência de chikungunya, especialmente nos territórios indígenas”, afirmou.

A maior parte do investimento, R$ 19,3 milhões anuais, será destinada ao Hospital Regional de Cirurgias da Grande Dourados, ampliando a capacidade de realização de procedimentos especializados. O Hospital Universitário também contará com custeio anual de R$ 325 mil.

Entre as medidas, está a habilitação de 20 novos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Tipo II no Hospital Regional de Dourados, sendo 10 para adultos e 10 pediátricos, com impacto anual de R$ 3,94 milhões. O pacote inclui ainda o reforço do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), com novas unidades de suporte avançado e básico, além da qualificação da Central de Regulação das Urgências.

“Só no Hospital Regional, teremos a incorporação permanente de recursos ao teto, além da habilitação de 20 novos leitos de UTI, sendo 10 adultos e 10 pediátricos. Isso mostra que não estamos tratando apenas da emergência, mas deixando um legado estrutural para o sistema de saúde da região”, destacou Rodrigo Stabelli.

Na área de reabilitação, foi habilitado um CER II (Centro Especializado em Reabilitação), com atendimento nas áreas física e visual, com aporte anual de R$ 2,26 milhões. Já o Hospital Missão Evangélica Caiuá teve ampliado o incentivo financeiro voltado à atenção especializada aos povos indígenas, com incremento de R$ 1,01 milhão por ano.

Paralelamente ao reforço estrutural, uma campanha de comunicação começou a ser veiculada na região, com orientações sobre prevenção, sintomas e manejo adequado de resíduos. As mensagens são transmitidas em português e guarani, buscando alcançar tanto a população urbana quanto as comunidades indígenas.

As ações de combate ao mosquito também foram intensificadas. Uma força-tarefa com 50 novos agentes de combate às endemias atua nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados, com apoio de 40 militares do Exército Brasileiro e 21 voluntários da Defesa Civil estadual. As equipes realizam visitas domiciliares, eliminação de focos e aplicação de inseticida com equipamentos de ultra baixo volume.

Na área urbana, foram implantadas Estações Disseminadoras de Larvicida, tecnologia que utiliza o próprio mosquito para espalhar o produto em criadouros de difícil acesso. Das mil unidades enviadas, 173 já foram instaladas.

Desde o início da atuação da Força Nacional do SUS na região, em 17 de março, já foram realizados mais de 1,9 mil atendimentos, além de 349 visitas domiciliares e da remoção de 123 pacientes para unidades de média e alta complexidade.

O Ministério da Saúde reforça a importância da participação da população no enfrentamento à doença. A orientação é eliminar criadouros do mosquito e buscar atendimento ao apresentar sintomas como febre alta e dores intensas nas articulações, evitando a automedicação.