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Capital

"Pedreiro Assassino" e filha passarão por exame de insanidade mental

Determinação é do juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, atendendo pedido da defesa

Por Lucia Morel | 25/06/2020 17:23
Cléber é acusado de sete homicídios. (Foto: Kísie Anoiã/Arquivo)
Cléber é acusado de sete homicídios. (Foto: Kísie Anoiã/Arquivo)

Cléber de Souza Carvalho, o “Pedreiro Assassino”, vai passar por perícia psiquiátrica para identificar insanidade mental alegada pela defesa. Yasmin Natacha Gonçalves Carvalho, filha dele, também será analisada, conforme decisão do juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. A perícia psiquiátrica deve ser feita dentro de 45 dias, pelo médico Rodrigo Ferreira Abdo.

Acatando pedido da defesa de ambos, magistrado determinou também a complementação de perícias para verificar se houve ou não arrombamento da porta da casa do idoso assassinado por Cléber; existência de vestígios de “fuligem” decorrente de queima de tecidos e papel na extensão do terreno; aplicação de luminol na residência da vítima José Leonel Ferreira dos Santos e ainda, realização de perícia nos materiais entregues pela defesa, que são quatro calças jeans e uma bermuda jeans.

Para a defesa, há “contradição entre o relatório que informa uma porta arrombada e o laudo n.148813 não mencionar isso, razão pela qual requer todo o acervo fotográfico produzido pela perícia técnica e esclarecimentos”.

A defesa dos acusados, que ainda inclui a esposa de Cléber, Roselaine Tavares Gonçalves, é feita pelo advogado Jean Carlos Cabreira de Sousa, que peticionou na Justiça o anulamento do Inquérito Policial sobre a morte de Leonel, alegando abuso de autoridade policial  e tortura aos réus.

Solicitou também “a reprodução simulada dos fatos com o denunciado, considerando divergência de declarações em relação à denunciada Yasmin Natacha, com participação da defesa no ato”.

Sobre essas petições, o juízo sustentou que “os fatos alegados (excesso da Autoridade Policial, tortura, violação das prerrogativas profissionais do Advogado) que já estão sob apuração junto à pedidos administrativos perante à OAB e ao GACEP dispensam qualquer manifestação judicial, devendo a própria parte interessada buscar informações diretamente nesses órgãos”.

Quanto à reprodução simulada, esta foi indeferida com base em posicionamento do MPMS (Ministério Público Estadual), por ser considerada “peça de pouca valia que não alcançaria resultados práticos apenas porque teria havido divergências entre as declarações dos denunciados Cleber e Yasmin”.

Outro pedido solicitado pela defesa e negado pelo magistrado foi a acareação entre os depoimentos de Yasmin e sua mãe, indeferidos, "primeiro, pela própria retratabilidade do interrogatório; segundo, sua pertinência poderá ser melhor avaliada quando da instrução em juízo".

Caso - A série de assassinatos cometidos pelo pedreiro foi descoberta durante investigações sobre o desaparecimento do José Leonel Ferreira dos Santos, de 61 anos. Junto com a mulher e a filha, Roselaine Tavares Gonçalves e Yasmim Natacha Souza de Carvalho – de 40 e 19 anos – Cleber matou a vítima e se mudou para a casa dela.

Depois de saber da situação e não conseguir contato, a família de José Leonel procurou a polícia. Equipes da delegacia especializada foram ao endereço e encontraram o corpo do comerciante enterrado no quintal. Roselaine e Yasmim foram presas no dia 7 de maio por envolvimento do crime, Cleber só foi encontrado no dia 15.

Preso, o pedreiro confessou o assassinato do comerciante e ainda relevou outros seis homicídios. Em depoimento, contou os casos com riqueza de detalhes, levou os policiais aos locais em que ocultou todos os corpos e ajudou a escavar para retirada de ossadas.

José Leonel foi à última vítima de Cleber e é o primeiro caso a chegar à justiça. O comerciante foi assassinato com um golpe de barra de ferro na cabeça, na madrugada do dia 2 de maio, na Vila Nasser.

As outras vítimas, todas homens, foram identificadas como José Jesus de Souza, de 45 anos, Roberto Geraldo Clariano, 50 anos, Hélio Taíra, 74 anos, Flávio Pereira Cece, 34 anos, Claudionor Longo Xavier de 47 anos e o aposentado Timóteo Pontes Romã, de 62 anos.

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