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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

27/06/2016 10:07

Polícia diz que não recebeu cópia da ordem para prender procurador

Aline dos Santos e Guilherme Henri
Durante entrevista, delegado Lauretto recebeu ligação da Sejusp sobre o caso Zeolla. (Foto: Guilherme Henri)Durante entrevista, delegado Lauretto recebeu ligação da Sejusp sobre o caso Zeolla. (Foto: Guilherme Henri)

Os bastidores da prisão do procurador aposentado Carlos Alberto Zeolla, suspeito de estupro de adolescentes, é marcado por desentendimento entre MPE (Ministério Público Estadual) e Polícia Civil. Nesta segunda-feira (27), a DPCA ((Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) informou que não recebeu a cópia da decisão judicial que deferiu a prisão preventiva.

Ontem, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), braço do Ministério Público, revelou que cumpriu o mandado porque estava em aberto desde abril e a polícia demorou, sem intenção de favorecimento ao procurador aposentado.

De acordo com o delegado Mário Donizete Ferraz de Queiroz, adjunto na DPCA, a delegacia não recebeu a cópia da decisão. “A DPCA não tinha conhecimento de que tinha autorizado o mandado, que deferiu em abril. Essa cópia não veio, ficou no sistema e o Gaeco cumpriu”, afirma.

A informação foi confirmada pelo delegado titular Paulo Sérgio de Souza Lauretto e, inclusive, repassada por ele ao secretário adjunto da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), Antonio Carlos Videira, que telefonou para o delegado durante a entrevista.

Ao efetuar a prisão na última sexta-feira (24), o Gaeco levou Zeolla para o Centro de Triagem. Agora, ele só pode deixar o local mediante autorização da 7ª Vara Criminal de Campo Grande, que autorizou a preventiva. Ainda na sexta-feira, a DPCA questionou a medida, porque o procurador não foi ouvido.

Hoje, o delegado Mário Queiroz vai solicitar a Justiça que Zeolla seja encaminhado para prestar depoimento. Ainda não foi definida a data de quando o procurador irá depor. A investigação contra Zeolla começou no ano passado, quando um adolescente de 13 anos agrediu a mãe. Ele disse que um homem, apontado como sendo o procurador, iria levá-lo para a Alemanha. A mãe questionou a situação e foi agredida pelo adolescente. O caso foi registrado na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que abriu investigação.

O aliciador seria um homem conhecido como “Carlos Xará”. A polícia identificou mais dois meninos de 10 e 11 anos. As duas crianças relataram que eram embebedadas antes dos abusos, além de serem sempre presenteadas com celulares, dinheiro e perfumes.

A identidade de “Carlos Xará” foi revelada a partir de consulta de placa do carro. O veículo foi fotografado por moradores do loteamento Nova Serrana, no Jardim Noroeste, na saída para Três Lagoas.

A defesa pediu à Justiça que Zeolla seja transferido para sala de Estado Maior ou fique em prisão domiciliar. Ele tem essa prerrogativa por ser membro do MPE. A expectativa é de que a solicitação seja analisada na segunda-feira.

No sábado, o advogado José Belga Trad relatou que o preso estava aflito e que, caso já tivesse sido ouvido, a prisão não seria decretada. “Ele tem muita coisa para esclarecer. Se tivesse sido ouvido antes, muito provavelmente não teria sido decretada a prisão”, afirmou. Hoje, a reportagem não conseguiu contato com a defesa.

Em 2001, Zeolla foi condenado por matar o sobrinho. A condenação foi em regime semiaberto, mas ele obteve autorização para ficar internado em uma clínica e, atualmente, já estava em casa.



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