“Não é vagabundo”, diz tio sobre rapaz baleado pela PM na Nhanhá
Jovem trabalha como mecânico, está consciente na Santa Casa e teria ido ao bairro buscar peças para consertar
“Ele é moleque, mas é trabalhador. Não é vagabundo, não”. A afirmação é de um tio do motociclista de 19 anos baleado por um policial militar durante perseguição na manhã desta sexta-feira (24), no Bairro Nhanhá, em Campo Grande.
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Um motociclista foi baleado por um policial militar durante perseguição no Bairro Nhanhá, em Campo Grande, na manhã desta sexta-feira (24). O jovem, descrito pelo tio como trabalhador, está consciente na Santa Casa. Ele teria ido ao bairro buscar peças para a moto. Segundo testemunha, o rapaz tentou retirar a placa durante a fuga e levou a mão à cintura. A PM isolou a área para perícia, mas não divulgou nota oficial sobre o caso.
O familiar, que pediu para não ser identificado, contou que o jovem está consciente e orientado na Santa Casa, onde permanece acompanhado pelo pai. A reportagem ainda não teve acesso ao boletim médico nem a informações detalhadas sobre os ferimentos.
Segundo o tio, o rapaz não mora no Nhanhá. Ele teria ido ao bairro para buscar peças usadas no conserto da motocicleta e depois seguiria para almoçar na casa da avó. “O que nos falaram era que ele veio aqui no bairro buscar umas peças para arrumar a moto dele”, declarou.
O jovem trabalhou como mecânico de motocicletas, mas, há alguns meses, passou a atuar na manutenção de máquinas. Ele morava com a avó e se casou recentemente, conforme o familiar.
A Honda CG 160 conduzida durante a perseguição pertence à esposa dele. A motocicleta deverá ser recolhida ao pátio do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul).
O tio disse ter sido informado por policiais militares que o rapaz teria fugido de abordagem. “Nesse caso, vocês precisam analisar quais são os argumentos da PM. Prefiro não me manifestar, pois, nessas situações, acabamos sendo sempre responsabilizados. A polícia nunca sofre consequências”, disse.
A perseguição ocorreu por volta das 11h30, na Rua Antônio Bittencourt Filho. Segundo as informações apuradas inicialmente no local, o motociclista teria desobedecido a uma ordem de parada e fugido pela contramão em direção à Avenida Manoel da Costa Lima. Ele foi atingido por um disparo e caiu com a motocicleta entre a Travessa do Touro e a Rua Cristóvão Escapulatempo.
Uma moradora relatou ter ouvido 3 disparos. Ela afirmou que o motociclista tentou retirar a placa da moto durante a fuga e levou a mão à cintura, levando o policial a acreditar que ele sacaria uma arma. Essa é a versão apresentada pela testemunha e ainda não foi confirmada oficialmente pela Polícia Militar.
Até o momento, não foi informado se alguma arma ou material ilícito foi encontrado com o rapaz. A PM isolou a área para o trabalho da perícia, mas ainda não divulgou nota detalhando a abordagem, a dinâmica dos disparos e o motivo pelo qual o motociclista era perseguido.



