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Capital

Por denunciar omissão, advogada do Caso Sophia pode ser punida

Petição considera "inaceitável" o posicionamento de Janice Andrade, que chamou a investigação de omissa

Por Gustavo Bonotto e Anahi Zurutuza | 27/02/2024 22:49
Fachada da Depca, delegacia que iniciou as investigações da morte da menina Sophia. (Foto: Arquivo/Paulo Francis)
Fachada da Depca, delegacia que iniciou as investigações da morte da menina Sophia. (Foto: Arquivo/Paulo Francis)

A Adepol (Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul) denunciou a advogada que atua na acusação dos envolvidos na morte de Sophia Ocampo, de 2 anos, para a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Segundo a entidade, a petição considera "inaceitável" o posicionamento de Janice Andrade, que chamou de omissa a delegada responsável pelas investigações iniciais, Anne Karine Sanches Trevizan, titular da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), durante entrevistas à imprensa.

"A delegada da Depca está me processando porque a chamei de omissa, incompetente e mentirosa. Isso foi feito para me calar, e vocês não vão me calar", argumenta Janice.

A jurista e assistente de acusação do caso publicou vídeo onde disse estar sendo vítima de uma perseguição processual. "Chamo de mentirosa pela falta de verdade em entrevistas. Houve falta com a verdade. Disseram aos jornais que o pai da criança tinha dispensado medidas protetivas, e isso é irrenunciável", explicou.

A advogada relatou que uma ação civil para que o Estado responda por omissão está em desenvolvimento. "Não tenho medo de ninguém, nem mesmo de processo", finalizou. Durante toda a investigação, a advogada acusou a polícia e o conselheiro tutelar de não fazerem nada para evitar crimes como de Sophia, espancada por anos pelo padrasto.

De acordo com os autos obtidos pela reportagem, a presidência da Adepol afirmou que a advogada atacou "[...] a honra e dignidade da Delegada de Polícia, mulher e mãe de família" em reportagem exibida na televisão aberta durante data em que o crime completou um ano.

Ainda segundo o documento, a denúncia foi anexada a um boletim de ocorrência registrado em 30 de janeiro de 2024 pelos crimes de injúria, difamação contra funcionário público e calúnia. "A advogada proferiu ofensas pessoais direcionadas à comunicante, chamando-a de mentirosa por duas vezes, de incompetente, e que faz ameaça para que pais compareçam à delegacia para desestimulá-los no registro de boletins de ocorrência", diz o ofício.

Nas redes sociais, a associação também emitiu nota de repúdio. "Discordar dos resultados formais de uma investigação tem  sede e foro apropriados aos autos do vindouro processual, e não em uma reportagem televisiva, com acusações estapafúrdias e xingamentos levianos", discorreu o texto.

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