Preso em operação na Santa Casa representou vencedora do pregão da Lotesul
Maurício Aparecido Benites foi alvo da Antidotum, que investiga fraudes no hospital
Preso sexta-feira (dia 11) na Operação Antidotum, que investiga fraudes milionárias na Santa Casa de Campo Grande, Maurício Aparecido Benites foi representante da empresa Dodmax Tecnologia Ltda em etapa do pregão da plataforma da Lotesul (loteria estadual).
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Maurício Aparecido Benites, preso na Operação Antidotum por fraudes na Santa Casa de Campo Grande, também atuou como representante da Dodmax Tecnologia em licitação da loteria estadual Lotesul, vencida por consórcio liderado pela empresa no valor de R$ 51,4 milhões. Investigado como dirigente da Redvalue Tecnologia, ele é apontado em esquema de desvio de R$ 1,4 milhão do hospital por meio de contrato de digitalização de prontuários com indícios de simulação de concorrência.
O consórcio, formado pela Dodmax (empresa líder e com sede em Campo Grande) e as paranaenses Pay Brokers IP Instituição de Pagamentos Ltda e Paybrokers Loterias Ltda, venceu a licitação da Sefaz (Secretaria Estadual de Fazenda).
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Conforme o edital do pregão, o total era R$ 51.474.339,31, valor correspondente à receita projetada para a operação do serviço. O repasse mínimo previsto no pregão era de 14,33%. A Dodmax vai repassar 31%.
No dia 9 de fevereiro de 2026, quando foi realizada a primeira prova técnica do processo licitatório, Maurício Benites assinou a ata da sessão pública, que aconteceu na Setdig (Secretaria Executiva de Transformação Digital), como representante da empresa Dodmax Tecnologia Ltda.

Nas provas de conceito da Dodmax, realizadas nos dias 28 de abril e 5 de maio, a empresa foi representada pelo diretor Mauro Luiz Barbosa Dódero.
Conforme Dódero, Maurício não possui qualquer vínculo com a Dodmax. “Na ocasião, ele foi contratado pontualmente para atuar como técnico de informática e acompanhar a apresentação de outra empresa participante durante o procedimento, em razão de seu conhecimento na área. Até aquele momento, não havia chegado ao nosso conhecimento qualquer informação que desabonasse sua conduta. Sua participação não teve influência no andamento do procedimento”, diz o diretor.
Desvio na Santa Casa – No relatório da Operação Antidotum, realizada pelo Gecoc e Gaeco, Maurício Aparecido Benites surge como dirigente da Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda, cujo contrato é apontado como rota para desvio de R$ 1,4 milhão do hospital.
De acordo com a investigação, o contrato para a digitalização de prontuários foi formalizado em 29 de outubro de 2024. O objeto consistia na organização, preparação, digitalização, indexação e armazenamento do acervo documental da instituição, abrangendo prontuários médicos e demais documentos administrativos.
No contrato celebrado com a Redvalue, o Conselho Fiscal da Santa Casa constatou que os pagamentos realizados não correspondiam à produção efetivamente comprovada e pediu a imediata suspensão.
O processo administrativo que resultou no contrato teve a participação de quatro empresas, sendo a Redvalue, que tem sede em Goiânia (GO), com o menor valor por folha: 5 centavos. As concorrentes apresentaram valores de 12 centavos, 15 centavos e 40 centavos.
“No curso das investigações, entretanto, apurou-se que as empresas que participaram da cotação possuem vínculos entre si, o que levanta fortes indícios de simulação de concorrência para legitimar a contratação previamente direcionada”, aponta o relatório.


