Restauradora acumula denúncias por móveis não devolvidos em Campo Grande
Clientes relatam pagamento adiantado, peças de valor afetivo levadas e anos de disputa na justiça
Promessas de entrega, desculpas sucessivas, mensagens ignoradas e móveis que nunca voltaram para casa. Uma nova denúncia registrada na Polícia Civil expôs o rastro de acusações envolvendo a restauradora de móveis Lilia Borges Luiz Ruiz, em Campo Grande. Clientes relatam que entregaram peças antigas, muitas herdadas da família, pagaram antecipadamente e depois passaram a cobrar por meses sem solução.
RESUMO
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Restauradora de móveis em Campo Grande, Lilia Borges Luiz Ruiz, acumula denúncias de clientes que entregaram peças antigas, pagaram antecipadamente e não receberam os bens de volta. O caso mais recente envolve uma motorista que pagou R$ 2,1 mil e foi bloqueada após cobranças. O Ministério Público já a denunciou por apropriação indébita. Em sua defesa, ela alega dificuldades financeiras e pessoais.
O caso mais recente foi denunciado por uma motorista de 47 anos, que afirma ter contratado o serviço após encontrar uma página no Instagram especializada em restauração de móveis antigos. Segundo o boletim de ocorrência, ela pagou R$ 2,1 mil e entregou diversos itens, entre eles aparador, prateleiras, estante e quadros.
Depois da retirada dos bens, conforme o relato, começaram os adiamentos. “Na próxima semana”, “estou finalizando”, “já vou entregar”. Segundo a vítima, as respostas se repetiram até que ela acabou bloqueada nas redes sociais e no telefone.
Prints obtidos pela reportagem mostram cobranças sem resposta e, em outros momentos, justificativas como suposta internação hospitalar, problemas pessoais e até relato de carro roubado para explicar novos atrasos. O caso foi registrado como estelionato.
Móveis levados, dinheiro pago e nada devolvido - A nova denúncia se soma a uma série de processos já localizados pela reportagem, todos envolvendo reclamações semelhantes.
Em uma das ações, uma enfermeira relatou ter contratado a restauração de cristaleira, buffet e jogo de mesa com cadeiras por R$ 6 mil. Conforme o processo, os móveis tinham forte valor sentimental e pertenciam à família. Após atrasos e descumprimento, a Justiça reconheceu a falha contratual e determinou restituição de valores e devolução dos bens.
Em outro caso, um aposentado informou ter pago R$ 13,4 mil para reforma de móveis de demolição destinados à nova residência da família. Segundo os autos, parte dos itens ficou retida e outra parte voltou em condições precárias.
Há ainda ação movida por outra cliente que afirma ter pago R$ 2 mil pela restauração de mesa e cadeiras. Quando foi atrás dos móveis, segundo o processo, encontrou peças desmontadas, faltando partes e sem previsão de entrega.
Em 2025, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou Lilia por apropriação indébita. De acordo com a acusação, uma cliente entregou 8 cadeiras e uma mesa de madeira Angelim, pagando R$ 2.230 pela restauração. O MP sustenta que os bens não foram devolvidos integralmente e que parte do mobiliário permaneceu retida mesmo após cobranças. O processo criminal segue em andamento.
Valor afetivo - O prejuízo relatado pelas vítimas vai além do dinheiro. Boa parte dos móveis entregues eram peças herdadas de pais, avós e familiares. Objetos únicos, guardados por anos, levados na esperança de serem restaurados e devolvidos em melhores condições.
Em vez disso, clientes relatam desgaste, prejuízo financeiro e a sensação de terem sido enganados.
Separadamente, cada processo trata de uma vítima. Juntos, os documentos mostram um padrão que se repete: captação de clientes pela internet, pagamento antecipado, retirada de móveis e longa peregrinação para reaver bens ou dinheiro.
Em alguns casos, a busca terminou em delegacia. Em outros, em ações judiciais que se arrastam há anos.
Outro lado - Em resposta à reportagem, Lilia Borges Ruiz afirmou que enfrentou falência financeira após o ex-companheiro deixar o país, o que teria provocado endividamento e acúmulo de serviços pendentes. Segundo ela, ficou sozinha para sustentar os três filhos e administrar o trabalho, sem estrutura para atender à demanda, situação que teria gerado uma “bola de neve”.
Ela também relatou problemas de saúde. Disse que tenta se reerguer, resolver processos pendentes e hoje atende “um móvel por vez” para evitar novos problemas. Lilia afirmou ainda que nunca teve intenção de prejudicar clientes, que ama o trabalho de restauração e que sua atividade é a única fonte de renda da família.
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