ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MARÇO, SÁBADO  28    CAMPO GRANDE 31º

Capital

Rua Brilhante acumula duas tragédias em 13 dias e 1,5 km de distância

Medo faz parte da rotina de quem passa pela via marcada por fatalidade e imprudência

Por Geniffer Valeriano e Mileny Barros | 28/03/2026 12:33

Os acidentes que resultaram na amputação da perna da comerciante Jamile Domingues, de 42 anos, e na morte de Gabriele Pinzan, de 33, ocorreram com intervalo de 13 dias e a apenas 1,5 quilômetro de distância. Em comum, além da proximidade, estão a Rua Brilhante e a imprudência.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Dois graves acidentes ocorridos na Rua Brilhante, em Campo Grande, chamaram a atenção para os problemas de segurança viária no local. Com intervalo de 13 dias, uma comerciante teve a perna amputada e uma motociclista morreu em colisões causadas por alta velocidade. Moradores e frequentadores da região relatam que o excesso de velocidade é constante, principalmente durante a madrugada, quando acontecem "rachas". Apesar do limite de 40 km/h, a via apresenta problemas de sinalização e infraestrutura, tornando o local perigoso para pedestres e motoristas.

O primeiro caso aconteceu na madrugada de sábado (14), no trecho entre a Rua Hermenegildo Pereira e a Travessa Lótus. A comerciante atravessava a via ao lado do marido quando foi atingida por um carro em alta velocidade. O motorista fugiu sem prestar socorro.

Já o segundo acidente foi registrado nesta sexta-feira (28), por volta das 7h, no cruzamento com a Rua Argemiro Fialho. Gabriele pilotava uma motocicleta e foi atingida por um ônibus após o motorista avançar o sinal vermelho. Ela chegou a ser reanimada por cerca de 30 minutos pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu.

Para quem convive diariamente com a via, o medo é constante. “Todo dia, se você passar aqui, tem que passar com medo. Tem que cuidar da sua vida e da dos outros”, diz Ajila Bianca, de 27 anos, motociclista.

Trabalhando em um lava-jato, a autônoma relata que o excesso de velocidade é frequente, principalmente durante a madrugada. “É muito perigoso. De madrugada, o pessoal aposta racha. Lá na frente, no acidente da moça [Jamile], com certeza era racha”, afirma.

No dia da morte de Gabriele, Ajila presenciou a tentativa de reanimação e o desespero da família. “Eu senti como se fosse alguém da minha família, ou até eu, porque ando de moto”, relata.

Rua Brilhante acumula duas tragédias em 13 dias e 1,5 km de distância
Ajila Bianca diz que medo domina quem precisa passar pela Rua Brilhante (Foto: Mileny Barros)

Ao longo da Rua Brilhante, há placas que indicam limite de 40 km/h. No entanto, segundo o aposentado Vicente Leite Bringel, de 60 anos, a regra não é respeitada. “O que a gente vê são velocidades excessivas. Se viessem dentro do limite, no máximo haveria um susto. Hoje, é a velocidade que tira vidas”, avalia.

Para o motorista João Vicente Neves, de 44 anos, os acidentes são resultado de um conjunto de problemas. “Falta sinalização, não tem pintura na via, tem ponto de ônibus mal posicionado. É um combo de fatores”, explica.

Rua Brilhante acumula duas tragédias em 13 dias e 1,5 km de distância
João Vicente faz diversas críticas relacionadas ao trânsito (Foto: Mileny Barros)

Ainda assim, ele aponta que a alta velocidade e os rachas são os principais desafios. “Vira e mexe tem disputa. Não sei o que essa rua tem que todo mundo quer correr. Mais à frente colocaram radar e câmera, ajudou. Não gosto muito, mas, se for para colocar juízo, que coloquem”, conclui.

De acordo com a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), 77 pessoas morreram neste ano nas ruas de Mato Grosso do Sul. Destas, 11 são de Campo Grande.

O Campo Grande News encaminhou e-mail à Prefeitura de Campo Grande questionando se há algum projeto de melhoria em relação a segurança e fiscalização na via, e aguarda retorno.

Rua Brilhante acumula duas tragédias em 13 dias e 1,5 km de distância
Rua Brilhante foi palco de acidente separados por 13 dias e 1,5 km (Foto: Mileny Barros)


Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.