Rua Brilhante acumula duas tragédias em 13 dias e 1,5 km de distância
Medo faz parte da rotina de quem passa pela via marcada por fatalidade e imprudência
Os acidentes que resultaram na amputação da perna da comerciante Jamile Domingues, de 42 anos, e na morte de Gabriele Pinzan, de 33, ocorreram com intervalo de 13 dias e a apenas 1,5 quilômetro de distância. Em comum, além da proximidade, estão a Rua Brilhante e a imprudência.
RESUMO
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Dois graves acidentes ocorridos na Rua Brilhante, em Campo Grande, chamaram a atenção para os problemas de segurança viária no local. Com intervalo de 13 dias, uma comerciante teve a perna amputada e uma motociclista morreu em colisões causadas por alta velocidade. Moradores e frequentadores da região relatam que o excesso de velocidade é constante, principalmente durante a madrugada, quando acontecem "rachas". Apesar do limite de 40 km/h, a via apresenta problemas de sinalização e infraestrutura, tornando o local perigoso para pedestres e motoristas.
O primeiro caso aconteceu na madrugada de sábado (14), no trecho entre a Rua Hermenegildo Pereira e a Travessa Lótus. A comerciante atravessava a via ao lado do marido quando foi atingida por um carro em alta velocidade. O motorista fugiu sem prestar socorro.
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Já o segundo acidente foi registrado nesta sexta-feira (28), por volta das 7h, no cruzamento com a Rua Argemiro Fialho. Gabriele pilotava uma motocicleta e foi atingida por um ônibus após o motorista avançar o sinal vermelho. Ela chegou a ser reanimada por cerca de 30 minutos pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu.
Para quem convive diariamente com a via, o medo é constante. “Todo dia, se você passar aqui, tem que passar com medo. Tem que cuidar da sua vida e da dos outros”, diz Ajila Bianca, de 27 anos, motociclista.
Trabalhando em um lava-jato, a autônoma relata que o excesso de velocidade é frequente, principalmente durante a madrugada. “É muito perigoso. De madrugada, o pessoal aposta racha. Lá na frente, no acidente da moça [Jamile], com certeza era racha”, afirma.
No dia da morte de Gabriele, Ajila presenciou a tentativa de reanimação e o desespero da família. “Eu senti como se fosse alguém da minha família, ou até eu, porque ando de moto”, relata.
Ao longo da Rua Brilhante, há placas que indicam limite de 40 km/h. No entanto, segundo o aposentado Vicente Leite Bringel, de 60 anos, a regra não é respeitada. “O que a gente vê são velocidades excessivas. Se viessem dentro do limite, no máximo haveria um susto. Hoje, é a velocidade que tira vidas”, avalia.
Para o motorista João Vicente Neves, de 44 anos, os acidentes são resultado de um conjunto de problemas. “Falta sinalização, não tem pintura na via, tem ponto de ônibus mal posicionado. É um combo de fatores”, explica.
Ainda assim, ele aponta que a alta velocidade e os rachas são os principais desafios. “Vira e mexe tem disputa. Não sei o que essa rua tem que todo mundo quer correr. Mais à frente colocaram radar e câmera, ajudou. Não gosto muito, mas, se for para colocar juízo, que coloquem”, conclui.
De acordo com a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), 77 pessoas morreram neste ano nas ruas de Mato Grosso do Sul. Destas, 11 são de Campo Grande.
O Campo Grande News encaminhou e-mail à Prefeitura de Campo Grande questionando se há algum projeto de melhoria em relação a segurança e fiscalização na via, e aguarda retorno.
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