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Política

MS entra na linha de frente do plano bilionário de Lula contra crime organizado

Programa dá centralidade ao Planalto e mira fronteiras, facções, presídios e lavagem de dinheiro no Estado

Por Vasconcelo Quadros, de Brasília | 12/05/2026 15:36
MS entra na linha de frente do plano bilionário de Lula contra crime organizado

O programa Brasil Contra o Crime Organizado lançado nessa terça-feira (12) em Brasília pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva coloca o governo federal em posição central de enfrentamento às facções criminosas e à insegurança geral, mas também inclui Mato Grosso do Sul e sua extensa fronteira com Paraguai e Bolívia, por onde passam drogas, armas e rotas estratégicas do PCC e Comando Vermelho, como uma das prioridades.

RESUMO

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com R$ 11,1 bilhões em investimentos para combater facções criminosas. Mato Grosso do Sul, responsável por 40% das apreensões nacionais de drogas, é prioridade pelo controle de fronteiras com Paraguai e Bolívia. O Estado receberá R$ 10 milhões para operações e R$ 25 milhões em equipamentos ao Corpo de Bombeiros.

O Estado responde por cerca de 40% das apreensões nacionais de drogas, segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, que esteve presente no ato. Ao lançar a iniciativa no Palácio do Planalto, Lula afirmou que “as facções criminosas não serão donas de nenhum pedaço do território brasileiro” e anunciou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado aprovar a PEC da Segurança, proposta que amplia a integração entre União e estados no combate ao crime organizado.

Com previsão de R$ 11,1 bilhões em investimentos e financiamentos para estados e municípios, o plano aposta em quatro eixos: asfixia financeira das organizações criminosas, reforço da segurança nos presídios, aumento da taxa de esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas, incluindo operações integradas em áreas de fronteira, fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos), ampliação da presença da Polícia Federal e mecanismos para bloquear celulares em presídios.

Desse volume financeiro, R$ 10 bilhões serão destinados aos estados e municípios através de financiamentos, pelo BNDES, do FIIS (Fundo de Investimentos em Infraestrutura Social). Embora o orçamento ainda não tenha sido detalhado, Mato Grosso do Sul poderá receber parte dos recursos destinados ao eixo do combate ao contrabando de armas e controle de fronteiras, que receberá algo em torno de R$ 146 milhões, ao todo. O Estado e municípios, especialmente os de fronteira, poderão acessar os recursos do BNDES.

Fronteira sob pressão

Num discurso em que afirmou que o crime organizado atua “do mais baixo ao mais alto” da sociedade, incluindo sistema financeiro, política, Judiciário e até o futebol, Lula defendeu atacar a lavagem de dinheiro e prometeu combater as facções “da esquina ao andar de cima”.

O presidente também afirmou ter discutido o tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo cooperação internacional contra o narcotráfico e a extradição de criminosos ligados às facções. O lançamento do pacote ocorre num momento em que o governo tenta consolidar uma marca na área de segurança pública, tema que deve dominar o debate eleitoral de 2026.

Lula também tenta evitar interferências externas em assuntos de segurança, especialmente diante da pressão de setores norte-americanos para classificar facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas. Lula ofereceu a Trump espaço para cooperação no CCPI Amazônia (Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia), mas ressaltou que comando e decisões permanecem sob controle brasileiro.

Para o secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, o foco em fronteiras e sistema penitenciário dialoga diretamente com a realidade do Estado, que, segundo ele, convive com uma das maiores populações carcerárias proporcionais do país, reflexo dos crimes transfronteiriços ligados ao tráfico, contrabando e descaminho.

Na avaliação do secretário, o programa acerta ao priorizar inteligência, integração entre forças estaduais e federais com os países vizinhos (especialmente os que produzem cocaína e maconha) e investimentos para impedir que facções continuem operando de dentro dos presídios.

MS entra na linha de frente do plano bilionário de Lula contra crime organizado
Agentes do lado paraguaio da fronteira com carregamento de droga apreendida (Foto: Senad)

Facções e influência política

Videira também afirmou que as organizações criminosas buscam ampliar influência política em cidades-gêmeas da fronteira sul-mato-grossense, injetando recursos em candidaturas e tentando consolidar domínio territorial em regiões estratégicas para o tráfico internacional. Para ele, o crime organizado “há muito vem elegendo” representantes políticos e busca controlar áreas consideradas estratégicas para logística, circulação de mercadorias ilícitas e proteção das atividades criminosas.

Segundo o secretário, facções como PCC e Comando Vermelho já não atuam apenas no tráfico de drogas e armas, mas também em atividades econômicas legais, como distribuição de combustíveis, transporte clandestino, internet, contratos públicos e lavagem de dinheiro. “Hoje você tem o crime organizado atuando dentro de atividades legais”, afirmou.

Presídios e rota do tráfico

Videira avalia os investimentos no sistema penitenciário como eixo central do combate às facções. Segundo ele, o problema não está apenas na entrada da droga pelas fronteiras, mas na capacidade de PCC e CV operarem de dentro dos presídios, especialmente por meio de celulares. O controle das unidades prisionais, afirma, terá impacto direto na realidade carcerária de Mato Grosso do Sul, historicamente ligada à expansão do PCC nas rotas entre Paraguai e Brasil. O governo estenderá o regime de segurança máxima adotado nas penitenciárias federais a 138 presídios estaduais, entre eles alguns de Mato Grosso do Sul.
 O secretário afirma, no entanto, que não é apenas pela fronteira seca que passam as armas utilizadas por facções e milícias em guerra nos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo. Na avaliação dele, a maior parte entra pelos portos e aeroportos, o que amplia a necessidade de integração nacional no combate ao tráfico internacional de armas. “As armas que são utilizadas nos estados e nos grandes centros litorâneos entram, na grande maioria, pelos portos”, afirmou.

O secretário Antônio Carlos Videira afirmou que Mato Grosso do Sul receberia já nesta terça-feira recursos federais imediatos dentro do programa Brasil Contra o Crime Organizado. Segundo ele, serão mais de R$ 10 milhões para custeio de diárias operacionais em ações nas fronteiras, divisas e combate a crimes ambientais e violência contra a mulher.

Além disso, o Estado receberá cerca de R$ 25 milhões em equipamentos destinados principalmente ao Corpo de Bombeiros para enfrentamento aos incêndios no Pantanal e em outros biomas. Videira também destacou que os financiamentos previstos pelo governo federal permitirão ao Estado ampliar investimentos em viaturas, inteligência, sistema penitenciário e operações integradas de fronteira.