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Capital

“Senti medo”, diz idosa que alugou quarto a suspeito de latrocínio

O suspeito foi identificado como Cézar Antunes Lima, 36 anos. Ele foi morto nesta sexta-feira (14)

Por Mariana Rodrigues e Jhefferson Gamarra | 14/05/2021 14:34
A idosa Maria Marcelina, 72 anos, disse que o suspeito chegou à pensão há 15 dias. (Foto: Jhefferson Gamarra)
A idosa Maria Marcelina, 72 anos, disse que o suspeito chegou à pensão há 15 dias. (Foto: Jhefferson Gamarra)

Foi identificado como Cezar Antunes Lima, 36 anos, o homem morto nesta sexta-feira (14), em Campo Grande, na Rua Ouro Branco, no Bairro Jóquei Clube. Ele é um dos suspeitos pelo latrocínio da artista plástica Catarina Maria Marquesi Moreira, de 72 anos, ocorrido no dia 4 deste mês. A dona da pensão onde o suspeito foi morto, uma idosa de 79 anos, disse que ao saber que ele estava envolvido na morte da artesã ficou com medo de que ela também fosse mais uma vítima por achar que ela tivesse dinheiro.

Ele foi morto dentro do quarto que alugava em um pensionato, enquanto almoçava, por volta do meio-dia. Cézar estava no quarto, comendo arroz com frango, quando os policiais chegaram à pensão, bateram no portão e disseram que precisavam entrar.

Conforme informou a dona da pensão Maria Marcelina, 79 anos, os policiais bateram no portão e disseram que precisavam entrar, ela abriu e eles foram direto para o quarto onde Cézar estava almoçando. “Quando ele percebeu que eram policiais ele reagiu” contou a dona da pensão.

No local em que Cézar foi morto, além do sangue ficou os restos da comida no chão. (Foto: Jhefferson Gamarra)
No local em que Cézar foi morto, além do sangue ficou os restos da comida no chão. (Foto: Jhefferson Gamarra)

Cézar foi morto no quarto próximo a uma cama, no local além de muito sangue, também havia os restos da comida espalhados pelo chão e um pé de chinelo. No quarto não havia colchão, apenas a cama e poucas roupas.

Maria Marcelina contou que Cézar chegou há 15 dias, pagou o aluguel de R$ 450 que dá direito a almoço e janta adiantado. “Ele chegou sozinho e nunca trouxe ninguém. Ele quase não ficava aqui, só vinha durante à noite, hoje que ele chegou e foi almoçar”, lembra, ela complementa ainda que ele era de poucas palavras e só cumprimentava as pessoas.

“Desde 1999 eu tenho a pensão, isso nunca aconteceu. A polícia chamou eu mandei entrar, o rapaz estava almoçando e reagiu à prisão, eu estava na cozinha na hora dos tiros. Ele alugou sozinho não sabia que ele era envolvido em crimes. Fiquei com medo porque ele poderia ter feito comigo igual fez com a outra mulher achando que eu tinha dinheiro”.

A dona da pensão disse ainda que faz marmitas e ajuda o pessoal da região. ”Não vou parar quero continuar ajudando, meu medo é agora ninguém mais querer alugar aqui e eu ficar sem aluguel”.

Cézar Antunes foi morto na tarde desta sexta-feira (14), enquanto almoçava no quarto da pensão. (Jhefferson Gamarra)
Cézar Antunes foi morto na tarde desta sexta-feira (14), enquanto almoçava no quarto da pensão. (Jhefferson Gamarra)

Investigação - Na quinta-feira (13) as equipes da delegacia especializada conseguiram localizar o veículo usado pelos suspeitos no dia da invasão a casa de Catarina Maria. Através do depoimento de testemunhas e de imagens de câmera de segurança foi descoberto que um VW Gol, de cor bege com placa CVB-3225, deu suporte à ação criminosa.

Esse veículo foi encontrado na tarde de ontem.  Ele era dirigido pelo funileiro Thalis Guinter Ambrosio Pereira, 30 anos. Dentro do carro foram encontradas poções de maconha, crime que o suspeito negou. Ele foi preso e teve a prisão preventiva decretada.

Ele afirmou apenas que a droga poderia ser de uns rapazes que iriam comprar o Gol e passaram um dia inteiro com ele, “para teste”. Relatou ainda que como garantia ficou com a motocicleta de um deles, mas não soube dizer o nome dos rapazes. Não há informação sobre o real envolvimento dele na morte de Catarina.

 Caso- A artesã foi encontrada pelo marido na sala da casa ainda com vida, mas não resistiu. O crime aconteceu na Rua João Pessoa, quase esquina com a 13 de Maio, na região do Bairro São Francisco. Segundo a polícia, perícia inicial mostrou que o autor do crime entrou na casa pelo muro após invadir a residência que fica ao lado do local, com um pedaço de madeira colocado para dar apoio.

A principal suspeita é de que o autor tenha invadida a casa na tentativa de encontrar um cofre, que não existe no local. Segundo a Polícia Civil, não havia lesões aparentes no corpo, o que mostra que ela pode ter sido agredida apenas com socos e por isso morreu. O caso segue sob investigação da Derf.




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