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Capital

Simulação coloca motoentregadores dentro de caminhão para mostrar pontos cegos

Ação na Praça Ary Coelho reúne serviços de saúde e atividades educativas voltadas à segurança no trânsito

Por Viviane Oliveira e Geniffer Valeriano | 13/05/2026 10:09
Simulação coloca motoentregadores dentro de caminhão para mostrar pontos cegos
Motoentregador verifica a pressão arterial durante ação de saúde na Praça Ary Coelho (Foto: Maya Severino)

Motoentregadores participam, nesta quarta-feira (13), de uma ação voltada à saúde e segurança da categoria na Praça Ary Coelho, no Centro de Campo Grande. Entre as atividades que mais chamaram atenção está uma simulação realizada com caminhão e motocicletas para demonstrar os perigos dos pontos cegos no trânsito.

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Motoentregadores participam de ação de saúde e segurança na Praça Ary Coelho, em Campo Grande, com simulação de pontos cegos no trânsito usando caminhão e motos, óculos que simulam embriaguez, aferição de pressão, glicemia e exame de vista. A iniciativa integra as campanhas Abril Verde e Maio Amarelo, promovida pela prefeitura em parceria com o Detran, e conta com apoio de plataformas de entrega e da Abrasel.

Na dinâmica, motos foram posicionadas ao redor do caminhão para mostrar áreas sem visibilidade para motoristas de veículos grandes, como caminhões e ônibus. Os motociclistas puderam entrar na cabine do veículo para entender como deixam de ser vistos quando trafegam muito próximos.

A atividade integra a programação das campanhas Abril Verde e Maio Amarelo, promovida pela prefeitura em parceria com o Detran (Departamento Estadual de Trânsito).

Segundo Andrea Moringo, diretora de Educação para o Trânsito do Detran, o objetivo é conscientizar os trabalhadores sobre situações de risco comuns no dia a dia. “A proposta é mostrar que bebida e direção não combinam e alertar sobre os riscos dos pontos cegos em veículos grandes. Quando o motociclista fica muito próximo de caminhões e ônibus, coloca a própria vida em risco”, afirmou.

Além da simulação, os participantes também puderam utilizar óculos que reproduzem os efeitos da embriaguez para entender como o álcool compromete a percepção e os reflexos no trânsito.

Simulação coloca motoentregadores dentro de caminhão para mostrar pontos cegos
Motos posicionadas ao redor de caminhão simulam pontos cegos no trânsito (Foto: Geniffer Valeriano)

Andrea destacou ainda que a falta de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) continua sendo um dos principais fatores ligados a acidentes envolvendo motociclistas. Outro ponto de preocupação é o aumento do uso de ciclomotores e bicicletas elétricas na Capital. “Essas pessoas precisam de orientação básica, principalmente em relação ao comportamento de risco. A questão do ponto cego é muito séria”, ressaltou.

A coordenadora da Vigilância Sanitária da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), Renata Sanches, explicou que a ação busca oferecer um momento de cuidado para profissionais que passam grande parte do dia nas ruas. “Eles movimentam a cidade e o comércio e quase nunca param. A ideia é proporcionar uma manhã voltada à saúde deles”, disse.

Até o meio-dia, os trabalhadores terão acesso à aferição de pressão arterial, teste de glicemia, testes rápidos, exame de vista, corte de cabelo e café da manhã.

Entre os participantes está Matheus Gonzalez, de 27 anos, que atua há quatro anos na profissão e integra o grupo Fúria das Ruas. Segundo ele, os entregadores enfrentam jornadas exaustivas e pouco tempo para cuidar da própria saúde. “Muitas vezes a gente trabalha 12, 14 horas em cima da moto e não consegue parar nem para cortar o cabelo ou fazer um exame”, relatou. Segundo ele, há cerca de 700 motoentregadores na cidade, sendo que 80% são homens.

Simulação coloca motoentregadores dentro de caminhão para mostrar pontos cegos
Matheus relata rotina exaustiva e dificuldade para encontrar tempo para cuidar da saúde (Foto: Geniffer Valeriano)

Já Jailton Pereira, de 35 anos, afirmou que os motoentregadores convivem diariamente com insegurança no trânsito. “O para-choque da moto é o nosso corpo. A gente precisa estar atento o tempo todo”, afirmou. Segundo ele, muitos acidentes ocorrem por distração de motoristas ao celular.

O entregador Paulo Sérgio da Silva, que atua há oito anos na profissão, participou da simulação com óculos que simulam embriaguez e afirmou ter se impressionado com a experiência. “Foi muito ruim a sensação. Dá para entender o perigo que é dirigir alcoolizado”, comentou.

A ação conta ainda com apoio de plataformas de entrega e da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). Representantes do iFood divulgam cursos gratuitos para motociclistas interessados em concluir os estudos por meio do Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).

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