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Capital

“Sobrinho” tenta culpar marido, mas vira suspeito do assassinato de Márcia

Denúncia anônima levou polícia a carro alugado por rapaz que esteve com “tia” no dia do desaparecimento dela

Por Anahi Zurutuza, Ana Beatriz Rodrigues e Mirian Machado | 19/10/2021 13:06
No pátio da 6ª DP, SUV alugado por "sobrinho" de Márcia foi periciado, um dia antes dele ser preso. (Foto: Paulo Francis)
No pátio da 6ª DP, SUV alugado por "sobrinho" de Márcia foi periciado, um dia antes dele ser preso. (Foto: Paulo Francis)

Uma reviravolta no inquérito do assassinato de Márcia Catarina Lugo Ortiz, 57 anos, tirou o marido da vítima, Guilherme Yarzon Ortiz, de 66 anos, da mira e colocou sob suspeita o “sobrinho” dela. Carlos Fernandes Soares, 33, foi preso na sexta-feira, dia 15, depois que a Justiça deferiu pedido de prisão temporária feito pelo delegado João Reis Belo, da 6ª Delegacia de Polícia, que comanda as investigações.

Até denúncia anônima levar a polícia a uma Toyota SW4 preta, a chave da investigação, tudo levava a crer que o policial civil aposentado com quem Márcia era casada teria motivos para matá-la. Conforme apurou o Campo Grande News, na semana em que foi encontrada morta, a dona de casa estava seguindo o marido atrás de “provas” de que ele colecionava amantes. A intenção de Márcia seria expor a infidelidade do marido e anunciar a separação à família depois do aniversário dela, no dia 11 de outubro.

Quem contou a versão à reportagem foi justamente o “sobrinho”, agora investigado pelo assassinato. A reportagem também apurou que Carlos chamava Márcia de tia, por consideração.

Acontece que depois de descobrir o paradeiro do carro preto, onde provavelmente Márcia embarcou na noite do dia 7 de outubro, quando desapareceu, força-tarefa policial, com integrantes da 6ª DP, DEH (Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Homicídios) e GOI (Grupo de Operações e Investigações), passou a seguir o rastro de Carlos. Os policiais descobriram que a Toyota SW4 havia sido alugada pelo “sobrinho”.

O carro foi encontrado e levado para o pátio da 6ª DP, onde passou por perícia na tarde de quinta-feira (14). O Campo Grande News apurou que reparos já haviam sido feitos – a SW4 tinha passado por lava-jato e serviços em tapeceiro e funileiro – mas os peritos são capazes de localizar vestígios, caso algum crime tenha acontecido ali. Material foi coletado no interior do automóvel para tentar encontrar sangue da vítima, por exemplo.

Carlos Henrique Machuca Santareno, o "China", quando foi preso na sexta-feira. (Foto: Reprodução)
Carlos Henrique Machuca Santareno, o "China", quando foi preso na sexta-feira. (Foto: Reprodução)

Carlos Fernandes, que era cúmplice de Márcia no plano para desmascarar o marido, foi pego pela polícia no mesmo dia em que outro Carlos, o Henrique Machuca Santareno, agiota conhecido como “China”, foi preso. Os dois são investigados no caso.

Ainda na tarde da sexta-feira passada, os policiais e delegados envolvidos na investigação cumpriram mandados de busca e apreensão atrás de pistas em endereços ligados aos suspeitos.

Versão do sobrinho – O rapaz, que havia falado com o Campo Grande News na condição de anonimato, sem querer revelar sequer o primeiro nome, afirmou que as traições por parte de Guilherme Ortiz começaram há anos, quando a esposa viu uma foto do marido com a amante em um site de eventos. “Ela ainda tentava salvar o casamento. No momento em que descobriu outros casos, passou a investigar e segui-lo”, narrou como testemunha.

Segundo o “sobrinho”, Márcia havia passado a sexta-feira, dia em que desapareceu, seguindo o esposo. À tarde, foi ao médico, mas voltou por volta das 17h. Às 18h39, uma câmera de segurança registrou Márcia a um quarteirão do local onde morava, como se estivesse voltando para casa.

O último contato que teve com a família foi as 21h40 de quinta-feira, dia 7. O telefone da vítima, um iPhone, estaria sem sinal por completo e, por isso, a família não conseguiu rastrear.

Márcia Catarina Lugo Ortiz em foto publicada em rede social. (Foto: Reprodução)
Márcia Catarina Lugo Ortiz em foto publicada em rede social. (Foto: Reprodução)

Desaparecimento e morte - Segundo o boletim de ocorrência registrado pelo marido de Márcia às 12h do dia 8 de outubro, a mulher desapareceu por volta das 19h do dia anterior. Guilherme disse que ela saiu a pé da casa da mãe em direção a sua residência, que fica a menos de uma quadra de distância, na Rua Bernardo Franco Baís, Vila Carvalho – região central da Capital.

Foi uma vizinha quem contou que a vítima chegou a ser seguida por um SUV preto e ao virar a esquina, por volta das 19h, subiu no veículo. Ao Campo Grande News, a testemunha, que pediu para ter o nome preservado, disse que Márcia parecia conhecer a pessoa que estava no veículo. “Ela já estava para entrar na casa dela, mas o SUV parou bem na hora e ela começou a conversar com o motorista”, narrou, lembrando que Márcia trancou novamente o portão de casa e entrou no carro.

A mulher foi encontrada morta por volta das 14h40 do mesmo dia do registro oficial do desaparecimento, com um tiro na cabeça. O corpo estava sob ponte no Córrego Imbirussu, em Campo Grande. Havia marcas de sangue no guard-rail da pista.

Há dias, nossos jornalistas tentam conversar com Guilherme, mas em todos os contatos, ele se recusou a falar.

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