Após perder documentos e dinheiro em furto, borracheiro busca recomeço em abrigo
A prefeitura acolhe Jeferson Luís e outras 79 pessoas em um ponto de apoio improvisado durante o frio
Há três dias vivendo nas ruas de Campo Grande, o borracheiro Jeferson Luís Rodrigues Moraes, de 38 anos, tenta reorganizar a vida depois de perder trabalho, moradia e até os documentos pessoais. Em meio à frente fria que atinge Mato Grosso do Sul, ele encontrou abrigo no ponto de apoio montado no Parque Ayrton Senna, após ser furtado enquanto dormia em uma unidade de saúde.
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Jeferson veio de Bataguassu, onde trabalhava em uma carvoaria, para a Capital há cerca de três meses. Há 30 dias, ele conseguiu emprego em uma borracharia onde também dormia; no entanto, acabou brigando com o patrão e, há três dias, está vivendo na rua.
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“Eu trabalhava e morava lá. Briguei com o patrão e optei por sair. Fui para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Leblon. No domingo levaram minhas coisas, documentos e R$ 400 reais que eu tinha. Aí ligaram aqui no abrigo e foram me buscar”, relatou o borracheiro.
Segundo ele, naquele domingo, passou muito frio na rua e a estrutura improvisada no Parque Ayrton Senna ajudou a amenizar o sofrimento com a queda da temperatura. “Passei um frio lascado. Aqui, nem todos os colchões têm lençol, por isso fica um pouco gelado, mas, mesmo assim, ajudou bastante, melhor do que ficar na rua”, declarou.
Agora, Jeferson procura um emprego para conseguir se reestruturar. No momento, tudo o que ele tem é um casaco fino e uma coberta recebida no abrigo improvisado. “Estou procurando emprego, minha mãe morreu e minhas irmãs tem a vida delas. Trabalho com borracharia, maquinário, mexo com trator, o que tiver”, finalizou.
Além do abrigo noturno, pessoas em situação de rua têm buscado apoio no Centro POP, que oferece alimentação ao longo do dia. No local, são servidos chá quente logo cedo, pão e bolo caseiro no café da manhã, almoço e lanche da tarde.
Entre os acolhidos também estão imigrantes que tentam deixar Campo Grande. A colombiana Leila Gamboa, de 28 anos, e a companheira Jenifer Rota, de 31, querem retornar para São Paulo (SP) após passarem por Corumbá. Elas estão na Capital há 4 dias.
“Está horrível, muito frio. Os cobertores foram eles que deram para a gente. Aqui é menos frio do que na rua”, disse Leila. Mas precisam regularizar os documentos antes de seguir viagem.
Já o venezuelano Jeferson Gamboa, de 29 anos, está há três meses em Campo Grande. Depois de vir do Peru, trabalha como pedreiro e dorme no abrigo montado no Parque Ayrton Senna. Ele também teve os pertences furtados na rua e não tem roupas para enfrentar as baixas temperaturas. “Muito frio. Deram coberta, colchão e comida. Atenderam a gente bem”, afirmou.
Outro acolhido, Eddilxon Eduardo, busca ajuda para voltar ao Uruguai, onde vive sua família. Ele chegou a Campo Grande no sábado, vindo de Corumbá.
Conforme divulgado pela força-tarefa, o ponto de apoio acolheu 80 pessoas na noite de segunda-feira (11), sendo 70 homens e 10 mulheres, entre elas cinco idosos. Seis pessoas recusaram atendimento.
Com previsão de continuidade do frio nos próximos dias, equipes seguem mobilizadas para oferecer abrigo, alimentação e atendimento às pessoas em situação de rua na Capital.
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