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Campo Grande, Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

10/06/2019 08:04

Suspensa há 4 anos, obrigatoriedade do extintor veicular divide opiniões

Projeto de Lei Complementar 159/2017 pretende restabelecer a instalação obrigatória do equipamento em carros de passeio

Mirian Machado
Mesmo não sendo obrigatório, 30% dos condutores continuam comprando extintores para carros, segundo gerente (Foto: Henrique Kawaminami)Mesmo não sendo obrigatório, 30% dos condutores continuam comprando extintores para carros, segundo gerente (Foto: Henrique Kawaminami)

Apesar de não ser mais tão comum, ainda há pessoas que se assustaram com fumaça saindo do carro enquanto dirigem. Só neste ano, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul registrou 124 incêndios em veículos de passeio ou utilitários. Alguns dos casos são apenas princípios, fáceis de serem controlados, mas outros não têm tanta sorte e acabam na perda total do automóvel.

Lembrado apenas nestas horas, o extintor veicular teve sua presença em veículos declarada facultativa há cerca de quatro anos. Até então, o vai-e-vem da exigência já deixou condutores de cabelo em pé e causou correria aos comércios que vendem o item. Mesmo assim, apesar da não obrigatoriedade do material, muitos ainda optam em se prevenir.

O projeto de Lei complementar 159/2017, que tramita no Senado Federal, pretende restabelecer a instalação obrigatória de extintor de incêndio em carros de passeio. A proposta ainda será analisada pela Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor da Casa. Nas ruas de Campo Grande, o assunto divide opiniões entre motoristas.

O taxista Adenir Antônio Ferreira, de 65 anos, tem extintor no carro que utiliza para trabalhar, mas o material está vencido e ele não faz questão de o renovar, já que não acha necessário por não usar com frequência.

“Acho que isso é uma indústria para arrecadar dinheiro com as multas. Quando acontece algo, a primeira coisa que pensamos é em sair correndo do carro. Até lembrar do extintor já pegou fogo em tudo e um extintor desse tamanho não vai resolver o problema”, comenta.

Colega de Adenir, o também taxista Edgar Coutinho, de 39 anos, tem a mesma opinião. Para ele, os carros novos hoje em dia vem com tecnologia avançada pensada nesse tema. “Alguns carros vem com dispositivos, sensores de incêndio. Quando começa uma fumaça ele já corta a ligação com a gasolina e evita um caos maior”, justifica.

Adenir não concorda com o uso, já que o extintor 'não resolveria um problema maior' (Foto: Henrique Kawaminami)Adenir não concorda com o uso, já que o extintor 'não resolveria um problema maior' (Foto: Henrique Kawaminami)
Emerson continua usando o equipamento, com o qual evitou maiores prejuízos com principio de incêndio (Foto: Henrique Kawaminami) Emerson continua usando o equipamento, com o qual evitou maiores prejuízos com principio de incêndio (Foto: Henrique Kawaminami)

Entre os que apoiam o uso do extintor nos carros, está o representante comercial Emerson Pereira Barbosa, de 45 anos. “A gente nunca sabe se vai acontecer, então, o jeito é prevenir”, afirma. Mesmo sem ser obrigatório, ele renovou o equipamento, inclusive precisou utilizar há mais ou menos um mês.

“Foi erro meu. Estava voltando de viagem e ao verificar o óleo esqueci a tampa na parte de cima ali da frente, aí começou a sair fumaça na parte elétrica e precisei utilizar. Evitei um prejuízo maior”, conta.

“As pessoas não querem gastar R$ 100 a cada cinco anos, mas não pensam no prejuízo maior se não tiver (o extintor)”, argumenta Fernando da Costa, eletromecânico de 34 anos que também já precisou utilizar o item, mas para ajudar outro condutor. “Estava dirigindo e vi um carro com fumaça, o motorista tentou apagar com o dele, usou tudo, mas não apagou. Daí parei e peguei o meu, aí sim conseguimos conter e evitamos que o fogo pegasse no carro inteiro”.

Rever os valores dos equipamentos é algo que, na opinião do empresário Germano Zanin, ajudaria muito. “Não é obrigatório, mas eu uso e sempre vou usar. Já ajudei muita gente”, conta. Sobre os valores, ele lamenta que muitas empresas colocam valores exorbitantes. “Duzentos reais para recarregar? É um absurdo”, reclama.

Motoristas não se preocupam em trocar extintores vencidos, já que o uso agora é facultativo (Foto: Henrique Kawaminami)Motoristas não se preocupam em trocar extintores vencidos, já que o uso agora é facultativo (Foto: Henrique Kawaminami)
Ainda com estoque de 2015, loja oferta extintores com validade até 2020 por R$ 50 (Foto: Henrique Kawaminami)Ainda com estoque de 2015, loja oferta extintores com validade até 2020 por R$ 50 (Foto: Henrique Kawaminami)

Gerente em uma loja de produtos de combate a incêndio, Lara Estadulho afirma que reduziu muito as vendas, mesmo assim ainda existem clientes fiéis: cerca de 30% que, alega, se preocupam com a prevenção.

Conforme Lara, pouco antes da ultima decisão de suspender a obrigatoriedade, em 2015, havia um estoque de 5 mil extintores veiculares. Hoje, ainda há destes equipamentos na loja, ou seja, a validade é para o ano que vem. Com o prazo curto e para tentar não ter tanto prejuízo, os materiais estão sendo vendidos de R$ 40 a R$ 50.

“Tudo que não é cobrado por lei consequentemente cai a procura, mas o extintor de carro é algo necessário. Quase tudo é questão cultural do ser humano”, conclui.

Como utilizar o extintor- Conforme o tenente do Corpo de Bombeiros Eduardo Tracz, o equipamento serve apenas para princípios de incêndios. “O poder de extinguir as chamas é pequeno, ele foi projetado justamente para isso”, explica.

O recomendado é não fornecer ar às chamas, não abrindo a tampa onde está o motor. “Só abra o capô o suficiente para entrar o bico do extintor. Não abra o capô por completo, o local não pode ter contato com o ar. Use todo o material, por completo. Se não surtir efeito, peça ajuda de outros motoristas e pegue o extintor de outros veículos”.

No caso de incêndios dentro do veículos, se possível, deixe as janelas fechadas por causa do contato com o ar, o que pode aumentar as chamas, e adote o mesmo processo: coloque apenas o bico do extintor e use por completo.

“É importante que (os extintores) estejam na validade correta. O certo é, a cada troca de óleo, por exemplo, verificar a pressão do extintor”, ressalta.

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