TJ manda soltar médico preso por suspeita de matar fisioterapeuta
João Jazbik Neto estava na cadeia desde o dia 14; defesa sustenta inocência e diz que contestará laudos

O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) determinou nesta quinta-feira (20) a soltura do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, investigado pela morte da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos. A informação foi confirmada ao Campo Grande News pelo advogado José Belga Trad.
RESUMO
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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a soltura do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, preso preventivamente sob suspeita de matar a esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos. A defesa recorreu ao tribunal alegando inocência e contestando laudos periciais. O inquérito policial concluiu que Fabíola foi morta em contexto de violência doméstica, afastando a hipótese de suicídio.
João estava preso preventivamente desde sexta-feira (14), quando foi levado à prisão pela segunda vez desde a morte de Fabíola. No sábado (15), passou por audiência de custódia e foi encaminhado ao Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande.
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A defesa havia recorrido ao TJ contra a prisão. Segundo Belga Trad, foram apresentados diferentes argumentos para pedir a liberdade do cardiologista. O advogado reafirmou a inocência do médico e disse que a defesa pretende contestar os laudos que embasaram a investigação.
“Apresentamos diversos argumentos. Ele é inocente. A vítima se despediu em carta registrada num diário em que havia outras mensagens dela expressando ideação suicida. Os laudos serão contestados em juízo pela defesa. Além de tudo, ele colaborou com as investigações e estava cumprindo rigorosamente as cautelares fixadas em habeas corpus anteriormente concedido pelo Tribunal”, afirmou.
Os fundamentos adotados pelo TJMS para determinar a soltura e as eventuais medidas cautelares impostas nesta nova decisão ainda não foram obtidos pela reportagem.
O caso – Fabíola foi encontrada morta em 18 de maio, dentro da chácara onde vivia com João, na região da Chácara dos Poderes. Foi o próprio médico quem acionou socorro e informou inicialmente que a esposa teria tirado a própria vida.
Naquele mesmo dia, João acabou preso por posse irregular de armas de fogo e fraude processual. Durante a investigação, a polícia apontou que um armário contendo armas e munições havia sido retirado da residência principal e levado para outro imóvel dentro da propriedade depois da morte de Fabíola.
A Polícia Civil também identificou divergências entre relatos colhidos no local e elementos encontrados pela perícia. Com isso, a possibilidade de feminicídio passou a ser investigada pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).
João permaneceu preso nos dias seguintes. Em 22 de maio, a Justiça concedeu liberdade mediante medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar.
Em julho, o TJMS confirmou por unanimidade a liberdade do médico. Aquela decisão dizia respeito à prisão pelos crimes relacionados às armas e à suspeita de fraude processual e não examinava o mérito da investigação sobre a morte de Fabíola.
Reviravolta – Em 28 de julho, o Campo Grande News revelou que o laudo necroscópico havia afastado a possibilidade de o disparo ter sido feito com a arma encostada ou muito próxima da cabeça de Fabíola. O documento também descrevia hematomas em diferentes partes do corpo da fisioterapeuta.
A investigação avançou e, em 14 de agosto, João voltou a ser preso. Desta vez, o mandado de prisão preventiva foi expedido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande no inquérito que apurava diretamente a morte da fisioterapeuta.
Na ocasião, a defesa classificou a medida como “descabida” e argumentou que ainda não havia denúncia apresentada contra o médico.
Na segunda-feira (17), a Polícia Civil anunciou a conclusão do inquérito. Segundo a investigação, laudos produzidos pelo Instituto de Criminalística e pelo instituto médico-legal afastaram a hipótese de suicídio e apontaram que Fabíola foi morta em contexto de violência doméstica e familiar. O inquérito foi encaminhado para análise do Ministério Público.
No dia seguinte, o juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, explicou ao Campo Grande News os elementos considerados para decretar a prisão. Segundo o magistrado, a perícia apontou que Fabíola sofreu agressões antes do disparo.
De acordo com a análise pericial citada pelo juiz, Fabíola teria recebido primeiro um golpe com instrumento contundente na lateral direita da cabeça e caído. Já no chão, teria sofrido outro golpe na lateral esquerda. A perícia analisou ainda manchas de sangue, trajetória do projétil e posição do corpo e concluiu que a morte ocorreu em cenário de violência contra a vítima.

