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Campo Grande, Quinta-feira, 25 de Abril de 2019

26/02/2019 14:05

Trama da morte de idosa tem mentiras em delegacia e “namorado” policial

Pâmela Ortiz de Carvalho foi estagiária de delegacia e tinha envolvimento doentio com investigador, a quem recorreu quando matou batendo cabeça de aposentada em meio-fio

Anahi Zurutuza e Viviane Oliveira
Pâmela Ortiz de Carvalho posa para foto postada em rede social (Foto: Arquivo pessoal)Pâmela Ortiz de Carvalho posa para foto postada em rede social (Foto: Arquivo pessoal)

A trama do assassinato de Dirce Santoro Guimarães Lima, 79, tem mentiras para todo o lado. Vizinhos, um agente de saúde e até um investigador da Polícia Civil relatam terem sido enganados por Pâmela Ortiz de Carvalho, de 36 anos.

No dia que matou a idosa batendo a cabeça da aposentada contra um meio-fio, a assassina confessa chegou a pedir ajuda para o policial com quem mantinha relacionamento conturbado desde 2015, quando foi estagiária na Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos). 

O investigador prestou depoimento nesta segunda-feira (25) na 7ª DP (Delegacia de Polícia), unidade procurada para o registro do desaparecimento da vítima e que em poucas horas desvendou o enredo brutal.

Golpes - À delegada Christiane Grossi, responsável pelas investigações, o agente da Derf revelou o perfil golpista de Pâmela. Ele contou que a conheceu em 2015, quando ela começou a trabalhar como estagiária na delegacia. Disse que os dois envolveram naquele ano, mantiveram relações sexuais, mas nunca assumiram um relacionamento.

O policial relatou ainda que depois de alguns meses, a delegacia descobriu que Pâmela estava usando cheques de talões apreendidos em investigações da Derf para fazer compras, “dando cheques sem fundo na praça”. Foi instaurada investigação contra ela e os depois perderam o contato.

Assassina confessa no Fórum na manhã desta terça-feira, enquanto aguarda escoltada pela audiência de custódia (Foto: Danielle Valentim)Assassina confessa no Fórum na manhã desta terça-feira, enquanto aguarda escoltada pela audiência de custódia (Foto: Danielle Valentim)

Idas e vindas - O agente disse que, contudo, algum tempo depois que Pâmela havia deixado o estágio, ela o procurou dizendo estar grávida. Quando o bebê nasceu, um exame de DNA provou que o filho não era dele.

“Desde então, eu mantive com ela um relacionamento muito conturbado, do qual eu tentei sair várias vezes. Ficávamos alguns meses sem nos ver, mas nos encontrávamos e o relacionamento era ‘retomado’”, revelou à delegada.

O investigador afirma que Pâmela queria que os dois assumissem a relação e morassem juntos. A mulher tatuou o nome dele nas costas, “tamanha a obsessão dela”, segundo o policial. “Eu resistia [assumir o namoro] e ela sempre usava chantagens. Pâmela disse que se eu não ficasse com ela faria da minha vida um inferno”, completou.

No fim de semana - O servidor contou que o último contato que teve com a mulher foi no domingo (24), um dia depois do assassinato, mas revela que no sábado (23), logo depois que Dirce foi morta, Pâmela ligou para ele dizendo que havia brigado com uma pessoa, que talvez a mesma estivesse morta. “Achei que era uma mentira dela, mais uma maneira de me chantagear”.

Os dois, contudo, se encontraram pessoalmente em ponto localizado na saída para Três Lagoas. O policial disse ter notado uma mancha de sangue no carro e na blusa de Pâmela. “Ela não falava coisa com coisa”, lembra.

O agente recomendou que eles chamassem a polícia, mas a mulher insistiu que não, teria dito a ele que já havia acionado o pai dela, que seria um policial militar.

No dia seguinte, segundo o depoimento, o investigador ligou para Pâmela para saber melhor da história e ela relatou que sofreu tentativa de assalto durante uma corrida por aplicativo e que reagiu com uma machadinha, provavelmente matando a idosa, que se passou por passageira para assaltá-la com a ajuda de um sobrinho que havia saído recentemente da prisão.

“Fiquei preocupado, imaginando se a história era verdadeira ou só mais uma loucura de Pâmela”, disse o policial, acrescentando que só se deu conta que algo de verdade havia acontecido quando recebeu a ligação da 7ª DP.

Câmera de segurança flagrou momento que suspeita buscava idosa em casa, no sábado pela manhã (Foto: Reprodução)Câmera de segurança flagrou momento que suspeita buscava idosa em casa, no sábado pela manhã (Foto: Reprodução)

Mais mentiras – Relatos das pessoas que conheciam a aposentada à polícia também são evidências de que Pâmela agia dissimuladamente.

Quando soube que as vizinhas da “Dona Dirce”, antiga moradora do bairro Santo Antônio, estavam preocupadas e que pensavam em chamar a polícia, Pâmela ligou para o agente de saúde que atendia a idosa dizendo estar preocupada,  uma tentativa de não levantar suspeitas contra ela, segundo a polícia.

Um das vizinhas também relatou que na sexta-feira (22), um dia antes do crime, ouviu Pâmela convidar a idosa para passar o fim de semana em uma chácara.

A mulher, que trabalhava como “Táxi da Vovó”, dirigindo para a vítima e provavelmente para outros idosos, era acima de qualquer suspeita. Pâmela chamava Dirce de “vó”. “Uma pessoa de índole inquestionável, fina, de extrema e educação e muito atenciosa com a Dona Dirce”, contou uma das vizinhas à polícia.

O crime - A vítima desapareceu no sábado (23) e todo o enredo foi descoberto nesta segunda-feira (25) quando vizinhas da idosa foram à 7ª DP para registrar o sumiço. Na tentativa de despistar, a assassina confessa também esteve na delegacia e mentiu.

Segundo a delegada Christiane Grossi, Pâmela só admitiu ter assassinado a idosa ao ser informada pela polícia que câmeras de segurança haviam flagrado o momento em que ela saiu com Dirce no sábado, dia do desparecimento.

O achado do cadáver, no bairro Indubrasil, foi informado à polícia no momento em que a assassina estava sendo interrogada.

Além de prestar serviço como motorista de idosos, Pâmela se apresentava como policial. Ele teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva durante audiência de custódia na manhã desta terça-feira (26).

A idosa era viúva, não tinha filhos e nem familiares em Campo Grande.



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