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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

22/01/2016 15:27

Em meio a epidemia, seis municípios de MS ainda não têm casos de dengue

Flávia Lima
Em Batayporã, agentes intensificaram limpeza em terrenos. (Foto: Divulgação) Em Batayporã, agentes intensificaram limpeza em terrenos. (Foto: Divulgação)
Coleta de pneus em Taquarussu evita descarte irregular do material, que pode se transformar em criadouro do Aedes. (Foto:Divulgação)Coleta de pneus em Taquarussu evita descarte irregular do material, que pode se transformar em criadouro do Aedes. (Foto:Divulgação)

Enquanto 16 municípios de Mato Grosso do Sul despontam no ranking de maior incidência de dengue no Estado, conforme o último boletim epidemiológico divulgado esta semana pelo governo do Estado, seis cidades têm taxas zeradas de incidência e notificações de casos suspeitos, desde a primeira semana de janeiro. São eles: Batayporã, Glória de Dourados, Inocência, Novo Horizonte do Sul, Japorã e Taquarussu.

De acordo com o coordenador de vetores da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Mauro Lucio Rosa, de fato existem regiões que apontam menos de 1% de incidência do mosquito Aedes aegypti, mas também pode ocorrer de o município encontrar alguma dificuldade técnica para enviar os relatórios referentes às visitas domiciliares, por isso os dados não constam no último levantamento.

Apesar de começarem o ano com taxas zeradas, apontadas nos últimos dois relatórios, esses municípios, assim como a maioria das cidades do interior, fecharam o ano de 2015 apresentando alto índice de incidência do mosquito e de notificações em relação ao número de habitantes.

Destas seis cidades, Japorã foi a que apresentou as maiores taxas no último relatório de dezembro, com 266 notificações, ocupando o 18º lugar. Na sequência estava Inocência, com 235 notificações, ficando em 19º lugar. Já Bataiporã fechou 2015 em 79ª posição, com apenas 11 notificações.

Mesmo apresentando bons resultados na primeira semana de janeiro, o coordenador de vetores da SES disse que é comum as cidades apresentarem baixos índices quando se inicia um novo ciclo de coleta de dados. "Não damos sequência ao trabalho realizado ano passado. É preciso iniciar uma nova contagem de dados, por isso a tendência é que as notificações comecem a surgir aos poucos", explica.

A prova é que o primeiro boletim epidemiológico de 2016, elaborado entre os dias três e nove de janeiro, apresentava apenas quatro municípios com alta incidência de dengue. Já no segundo relatório constam 16 cidades.

Otimismo - No entanto, os gestores de quatro, das seis cidades que apresentam taxas zeradas, preferem se manter otimistas e apostam nas táticas de combate ao Aedes, adotadas desde o segundo semestre de 2015 para manter as cidades longe das altas estatísticas de dengue e que o envio de dados à SES não tem sido problema.

Para a maioria dos secretários de saúde ouvidos pelo Campo Grande News, as campanhas realizadas em rádios, mutirões e principalmente aplicação de multas para quem mantém terrenos sujos, tem surtido efeito positivo, criando uma cultura de conscientização sobre a necessidade de evitar a epidemia registrada ano passado.

Em Batayporã, cidade com 11 mil habitantes, o secretário de Saúde, Paulo Monteiro Mingotti, diz que a ordem é investigar qualquer caso suspeito, mesmo antes de notificar o governo estadual. Ele diz que semana passada houve três pacientes com suspeitas de dengue no bairro Vila Nidio Offo, por isso determinou que as visitas domiciliares fossem intensificadas nas 4 mil residências, antes mesmo dos exames ficarem prontos.

Dos 11 casos suspeitos verificados em 2015, ele diz que nenhum foi confirmado pelos exames. "Queremos manter esse quadro. É difícil, mas estamos batalhando", ressalta. A cidade conta com 36 agentes número que, de acordo com o secretário, é o preconizado pelo Ministério da Saúde.  

Em Inocência, o secretário de Saúde Gelson Pimenta dos Santos, aposta na penalização dos moradores que não cumprem as notificações para limpeza de terrenos. "Tem gente que faz corpo mole, tem que ser duro mesmo", afirma. 

A cidade, que conta com 7611 habitantes, tem 16 agentes para vistoriar 3,3 mil residências mensalmente. Porém, frente ao quadro de epidemia no Estado, Gelson diz que as visitas estão mais frequentes. "Ano passado tivemos casos confirmados, mas estamos trabalhando para manter as taxas zeradas", diz.  

Já em Novo Horizonte do Sul, cidade com 4.932 habitantes, o coordenador da Vigilância Epidemiológica e Controle de Vetores, Geovaldo Vieira dos Santos, aposta nas ações continuadas e campanhas nas escolas para mobilizar a população, e ressalta que entre novembro e dezembro houve uma incidência do mosquito de apenas 0,22, porém, nenhuma notificação de casos suspeito foi detectada.

Quanto ao envio e dados para a SES, ele disse que esta semana o computador utilizado para essa finalidade apresentou problema, mas ele enviou os relatórios de forma manual, para Dourados, que deve reenviar os dados a Capital. "Mandamos os mapas semanalmente. O pessoal do Estado já veio aqui e constatou nossa baixa incidência", afirma.

O baixo número de habitantes é, na opinião da secretária de Saúde de Taquarussu, Letícia Janaina Neves, o principal facilitador no trabalho de conscientização da população.

Mesmo decretando situação de emergência devido ás chuvas do fim do ano, o município, que conta com apenas 3.522 moradores e cerca de 1,4 mil residências, não vem encontrando dificuldade para se manter longe do quadro epidêmico.

"Todo mundo é parente, então ninguém dificulta o trabalho dos agentes nas residências", ressalta. Ela diz que a prefeitura mantém um carro de som nas ruas, pedindo a colaboração da população no sentido de manter os quintais limpos.

"Também realizamos um trabalho junto à Secretaria de Meio Ambiente, que faz a coleta seletiva nos bairros e, até o fim do mês, nossos 12 agentes também estarão com os tablets para facilitar o trabalho", ressalta. 



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