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Advogada aciona OAB e PF por coação de fintech que deixou dívida de 5 milhões

“Isso é inadmissível e nós não toleramos de forma alguma”, diz presidente de entidade

Por Aline dos Santos | 17/06/2026 10:37
Advogada aciona OAB e PF por coação de fintech que deixou dívida de 5 milhões
Unidade do Grupo ICA em Dourados, a 251 km de Campo Grande. (Foto: Reprodução)

Advogada que move ações contra o Grupo ICA, Tayla Campos Weschenfelder acionou a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil) em Dourados e a PF (Polícia Federal) para denunciar que passou a sofrer ataques diretos, difamações e intimidações promovidas por representantes da empresa.

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Advogada que move ações contra o Grupo ICA em Dourados acionou a OAB/MS e a Polícia Federal após sofrer ataques, difamações e intimidações de representantes da empresa. Tayla Weschenfelder chegou a alterar sua rotina por temer sua integridade física. A Justiça local recebeu 11 ações contra o grupo, cobrando R$ 5 milhões em investimentos perdidos por empresários e servidores que aportaram recursos com promessa de retorno de até 2,5% ao mês, suspensos desde março.

A profissional protocolou nesta semana um pedido urgente de providências junto à Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas.

"A tentativa de criminalizar o exercício regular da advocacia e coagir uma profissional por meio de terror psicológico é a prova máxima do desespero de quem foi desmascarado documentalmente. Não estamos lidando com um mero descumprimento de contrato, mas com um esquema complexo de dilapidação patrimonial. A advocacia não vai se acovardar diante de ameaças de quem tenta usar o medo como escudo para a impunidade", afirma Tayla.

Conforme relato levado à OAB, o nível de hostilidade e coação forçou a advogada a alterar sua rotina e rotas de deslocamento na cidade, temendo por sua integridade física.

“Em uma tentativa de isolar a profissional e amedrontar as vítimas, prepostos do grupo passaram a assediar os clientes da advogada, acusando-a de ‘inflamar’ a situação e proferindo ameaças de que ela ‘será acionada na hora certa’", informa nota divulgada pela profissional.

A presidente da subseção da OAB em Dourados, Edna Borelli, afirma que o caso será analisado. “Temos acompanhado pela imprensa que é uma situação que vem se arrastando a partir deste ano, com possível prejuízo a algumas pessoas pela empresa citada. Mas a gente precisa olhar para o advogado, para que ele possa exercer a sua função sem nenhuma violação de prerrogativa, sem nenhuma intimidação. Isso é inadmissível e nós não toleramos de forma alguma. Porque o advogado precisa trabalhar de uma forma segura e tranquila”.

Advogada aciona OAB e PF por coação de fintech que deixou dívida de 5 milhões
Advogada Tayla Weschenfelder acionou a OAB e relata coação. (Foto: Arquivo pessoal)

O caso - A Justiça de Dourados recebeu 11 ações contra o Grupo ICA cobrando R$ 5 milhões em investimentos perdidos. Os denunciantes são empresários, profissionais liberais (advogado, contador, médico veterinário) e servidora pública que aportaram dinheiro no grupo, que tem um posto de atendimento na Rua Major Capilé, região valorizada da cidade. O enredo é de que as promessas eram de retorno de até 2,5%, mas os rendimentos deixaram de ser creditados desde março deste ano.

Os processos têm valores individuais que vão de R$ 54 mil a R$ 1.128.450,00. Os rendimentos iam bem até o primeiro semestre de 2026. Depois, conforme as ações, a operação passou a apresentar sinais de colapso financeiro e inadimplemento generalizado.

A justificativa inicial propagada pelo grupo alegava uma suposta "auditoria e limitação" por parte do Banco Central. A versão caiu por terra após diligências da advogada.

Questionado pela reportagem sobre a interrupção dos pagamentos, o grupo justificou que passa por processo de reorganização societária, operacional e regulatória, decorrente da implementação de uma nova estrutura de negócios vinculada a um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).

Sobre a denúncia de coação, o Grupo ICA rejeita integralmente as alegações de que representantes da empresa teriam praticado atos de intimidação, coação, ameaça ou difamação contra a advogada.

"As afirmações divulgadas são unilaterais e carecem de comprovação, razão pela qual o Grupo ICA considera inadequada qualquer tentativa de apresentar como fato consumado acusações que, até o momento, não foram submetidas ao devido contraditório nem reconhecidas por qualquer autoridade competente. O Grupo ICA atua estritamente dentro dos limites legais e éticos, exercendo regularmente seus direitos de defesa e de comunicação com as partes envolvidas em procedimentos judiciais e negociais", diz a nota enviada à reportagem.

O grupo aponta que em nenhum momento foi adotada ou autorizada qualquer conduta destinada a constranger profissionais da advocacia, investidores ou terceiros. "A empresa entende que divergências jurídicas devem ser debatidas nos fóruns competentes, com base em provas e argumentos técnicos, e não por meio da divulgação de acusações que possam gerar conclusões precipitadas perante a opinião pública".

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