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Cruzes pretas marcam protesto contra intervenção de Bolsonaro em universidade

Ato organizado pela comunidade acadêmica cobra nomeação de reitor eleito há dois anos

Por Helio de Freitas, de Dourados | 23/02/2021 11:39
Com cruz na mão, professores protestar contra intervenção na UFGD (Foto: Direto das Ruas)
Com cruz na mão, professores protestar contra intervenção na UFGD (Foto: Direto das Ruas)

Professores e estudantes da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) voltaram a protestar nesta terça-feira (23) contra a presença de reitor temporário no comando da instituição. Eles cobram a nomeação de um dos três nomes incluídos na lista tríplice elaborada após eleição interna, em março de 2019.

Em ato realizado em frente ao prédio da reitoria, na Rua João Rosa Góes, região norte de Dourados, os manifestantes fizeram “velório simbólico da democracia” e reforçaram o coro de que a UFGD está sob intervenção há um ano e oito meses. Cruzes pretas foram instaladas em frente ao prédio.

No dia 8 deste mês, o governo Bolsonaro nomeou o professor do curso de matemática Lino Sanabria para o lugar de Mirlene Ferreira Macedo Damazio, reitora pro tempore desde junho de 2019.

Mirlene perdeu o cargo após se negar a ceder servidores para compor a equipe do atual prefeito Alan Guedes (PP). Quatro dias antes, o prefeito havia reclamado das medidas tomadas pela então reitora em audiência com o ministro da Educação Milton Ribeiro em Brasília.

Para boa parte da comunidade acadêmica, a decisão recente do governo Bolsonaro é ainda mais grave que a nomeação de Mirlene, em junho de 2019. Naquela época a Justiça Federal ainda não havia decidido sobre a ação do MPF (Ministério Público Federal) contra os critérios de elaboração da lista tríplice.

Entretanto, em agosto de 2019 o juiz de primeira instância decidiu pela legalidade da eleição e da lista tríplice. No fim de novembro do ano passado, o desembargador Nery da Costa Junior, do TRF3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, determinou providências imediatas para envio da lista tríplice ao Ministério da Educação, mas até agora o caso não teve solução.

Eleito é do PT – A lista é formada pelos professores Etienne Biasotto (vencedor da eleição interna), Jones Dari Goettert e Antonio Dari Ramos. Filiado ao Partido dos Trabalhadores e filho do ex-vereador e professor aposentado da UFGD Wilson Biasotto, Etienne foi alvo de boicote de bolsonaristas locais.

No dia 9 deste mês, ele encaminhou pedido de providências ao desembargador federal Nery Júnior cobrando definição de prazo por parte do Tribunal para o Governo Bolsonaro cumprir a decisão da Justiça Federal e a nomeação do reitor com base na lista tríplice.

O ato – “O Governo Bolsonaro insiste na ideia de ignorar a lista tríplice que elegeu como reitor Etienne Biasotto e Claudia Lima como vice-reitora”, afirma nota conjunta assinada por entidades de professores, servidores administrativos e estudantes. “Reitor eleito é reitor empossado!”.

Segundo os organizadores, o ato reuniu 70 pessoas e seguiu protocolo de segurança conforme recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) para impedir disseminação do novo coronavírus.

Conforme as entidades, a gestão de Mirlene Damazio foi marcada pela defesa de reingresso de alunos fraudadores das cotas raciais, esvaziamento das decisões coletivas, intervenção na direção da Faculdade de Educação e polícia na reitoria contra a comunidade acadêmica

“No final de 2020, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região intimou a interventora Mirlene Damazio para enviar a lista tríplice para o MEC, mas o Governo Bolsonaro, que demonstrou não ter apreço pela democracia, continua nomeando seus aliados para dirigir os institutos e as universidades federais”, protestam servidores e alunos.

Os manifestantes também acusam grupos políticos locais de se articularem com o governo para manter a intervenção e controlar a universidade. “A nomeação de Lino Sanabria aprofunda o golpe e reforça a intervenção na UFGD”.

Audiência – Na terça-feira (2) às 18h, a Câmara de Vereadores vai realizar audiência pública para debater a intervenção na reitoria da UFGD. Propositor da audiência, o vereador Elias Ishy (PT) disse que o debate é necessário diante da “postura autoritária” do Governo Federal.

Segundo ele, o Ministério da Educação insiste em manter a intervenção da universidade, desrespeitando a lista tríplice e gerando prejuízo à pesquisa e à educação. “O ato em defesa da universidade pública deve ser de toda a bancada política de Mato Grosso do Sul”.

Estudantes de preto com cruzes e caixão em frente ao prédio da reitoria (Foto: Direto das Ruas)
Estudantes de preto com cruzes e caixão em frente ao prédio da reitoria (Foto: Direto das Ruas)


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