A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018

07/10/2016 13:08

Delegado diz que segurança não foi indiciado por agir “em legítima defesa”

Polícia Civil requisitou gravações de câmeras da boate onde homem foi morto e outro baleado na madrugada de segunda

Helio de Freitas, de Dourados
Local onde homem atingido por segurança foi encontrado, na segunda-feira (Foto: Osvaldo Duarte)Local onde homem atingido por segurança foi encontrado, na segunda-feira (Foto: Osvaldo Duarte)

O segurança da boate Jangoo, que se apresentou ontem (6) e confessou ter atirado em Saulo Rafael Arzamendia, 39, encontrado morto na manhã de segunda-feira (3) em Dourados, a 233 km de Campo Grande, agiu em “legítima defesa”, segundo entendimento da Polícia Civil.

Apesar de ter afirmado que atirou “sem querer acertar em alguém” e o tiro ter atingido as costas de Saulo, o segurança, de 29 anos de idade, foi ouvido pelo delegado Marcelo Batistela Damaceno, da 1ª Delegacia de Polícia, e liberado sem ter sido indiciado. “No meu entendimento ele agiu em legítima defesa”, afirmou o delegado ao Campo Grande News.

Segundo o delegado, o segurança disse no depoimento que a arma usava por ele, uma pistola calibre 6.35, foi derrubada no chão por Cleiton Gonçalves Almeida, 33, que foi morto por Saulo em frente à boate, na madrugada de segunda-feira.

“Ele disse que pegou a arma no chão e fez um único disparo, mas já requisitamos as imagens das câmeras da boate para encaminhar à perícia e tentar apurar exatamente o que ocorreu”, afirmou Marcelo Damaceno.

Segundo o delegado, as imagens divulgadas na segunda-feira, que não mostram o segurança pegando a suposta arma de Cleiton, não foram entregues à polícia, mas apenas aos meios de comunicação.

Questionado se acredita que arma era de fato de Cleiton Almeida, o delegado afirma que a história precisa ser investigada mais profundamente, uma vez que se essa versão for verdadeira, significa que Cleiton entrou armado na boate. Ele foi alvejado assim que saiu da casa noturna com um grupo de amigos e caminhava na calçada.

Marcelo Damaceno disse que vai concluir o inquérito nos próximos dias e encaminhar ao Poder Judiciário. Caberá ao Ministério Público decidir se oferece ou não denúncia contra o segurança da boate.

As mortes – Saulo Rafael Arzamendia, 39, foi encontrado morto na manhã de segunda-feira em frente a um escritório de advocacia, na rua Ciro Melo. Horas antes, ele tinha atirado em Cleiton Almeida, em frente à boate Jangoo, na Rua Toshinobu Katayama, a 200 metros de onde foi encontrado morto.

O segurança contou que na madrugada de segunda-feira já tinha encerrado seu turno na boate e estava fumando em frente ao local quando viu Saulo atirando em Cleiton, que chegou a correr, mas caiu no canteiro central, onde levou mais tiros. Na versão do segurança, Cleiton estava com a arma, mas não teve tempo de atirar.

Ao ver a pistola no chão e o atirador fugindo após atirar em Cleiton, o segurança disse pegou a arma e atirou. Um tiro acertou Saulo nas costas e saiu na barriga.

As imagens divulgadas na segunda mostram Saulo se aproximando de Cleiton, onde faz o primeiro disparo, depois corre atrás da vítima até Cleiton cair no canteiro central, onde atira outras vezes.

Depois Saulo aparece fugindo, momento em que cai, se levanta e corre cambaleando.

Presos - Charles Junior Emídio Onofre, 27, e Ederson Batista Lopes, 32, detidos por seguranças da boate e entregues à Polícia Militar, continuam presos por suspeita de participação na morte de Cleiton.

Os dois eram amigos de Saulo. O revólver usado por Saulo para atirar em Cleiton foi encontrado com a dupla. Eles teriam pegado a arma que Saulo deixou cair ao fugir, mas não socorreram o amigo. Os dois se negaram a dar informações sobre os fatos.



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions