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Interior

"Lenda viva" do PCC preso na Máxima de Naviraí é alvo de megaoperação nacional

Conhecido como "Lenda Viva", Luan Bernardino é suspeito de manter vínculo com facção dentro do presídio

Por Gabi Cenciarelli | 15/06/2026 14:28
"Lenda viva" do PCC preso na Máxima de Naviraí é alvo de megaoperação nacional

Apontado pelo Ministério Público como disciplinador do PCC (Primeiro Comando da Capital) e conhecido pelo apelido de "Lenda Viva", o detento da Penitenciária de Segurança Máxima de Naviraí, Luan Bernardino da Silva, de 36 anos, voltou a ser alvo das autoridades nesta segunda-feira (15).

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Apontado como disciplinador do PCC e preso desde julho de 2025 em Naviraí, Luan Bernardino da Silva, de 36 anos, foi novamente alvo de mandado judicial durante a Operação Panóptico, megaoperação do Gaeco do Paraná que mobilizou mil policiais e cumpriu 559 ordens judiciais em quatro estados. A ofensiva expediu 304 mandados de prisão, sendo 176 cumpridos dentro de presídios, e apreendeu drogas, armas e equipamentos para bloquear tornozeleiras eletrônicas.

Mesmo preso desde o ano passado, ele foi um dos investigados na Operação Panóptico, megaoperação coordenada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Paraná. A ofensiva mobilizou cerca de mil policiais e cumpriu 559 ordens judiciais em quatro estados contra integrantes de uma organização criminosa suspeita de continuar atuando a partir dos presídios.

Ao todo, foram expedidos 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão no Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina. Segundo o Ministério Público paranaense, o objetivo é enfraquecer a estrutura da facção, reunir provas e impedir a continuidade das atividades criminosas atribuídas aos investigados.

Entre os alvos estava Luan, que recebeu novo mandado enquanto permanecia recolhido no sistema prisional sul-mato-grossense.

"Lenda viva" do PCC preso na Máxima de Naviraí é alvo de megaoperação nacional
Celular encontrado com Luan durante a primeira prisão (Foto: Processo)

Segundo o promotor de Justiça Guilherme Franchi, integrante do Gaeco do Paraná, responsável pelas investigações, o detento foi identificado como integrante da facção criminosa investigada. A suspeita é de que ele tenha permanecido vinculado ao PCC mesmo depois de ser preso.

A informação chama atenção porque o nome de Luan já aparecia em investigações anteriores como um dos integrantes com posição de relevância dentro da estrutura criminosa.

"Lenda Viva" - Quando foi preso em julho de 2025, durante a Operação Adsumus, Luan não era tratado pelos investigadores apenas como mais um alvo ligado ao tráfico de drogas.

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ele foi identificado pelos apelidos de "Zumbi" e "Lenda Viva" e apontado como disciplinador da facção.

"Lenda viva" do PCC preso na Máxima de Naviraí é alvo de megaoperação nacional
Dinheiro e drogas apreendidos na casa de um dos alvos (Foto: Divulgação | PCMS)

A função é considerada estratégica dentro da organização criminosa. Cabe ao disciplinador fiscalizar o cumprimento das regras internas, cobrar integrantes, resolver conflitos e garantir que as determinações do grupo sejam obedecidas.

Foi justamente esse perfil que fez com que o nome dele permanecesse no radar das forças de segurança mesmo após a prisão.

O próprio Luan admitiu em interrogatório à Polícia Civil que já havia cumprido aproximadamente oito anos de prisão no Paraná pelo crime de roubo. Na mesma oitiva, também afirmou que chegou a descumprir regras do regime semiaberto durante o cumprimento da pena.

Quando foi preso em Naviraí, ele ainda possuía mandado de recaptura expedido pela Justiça paranaense.  Já instalado em Mato Grosso do Sul, voltou a ser alvo de investigações relacionadas ao tráfico de drogas e à atuação de integrantes do PCC na região sul do Estado.

"Lenda viva" do PCC preso na Máxima de Naviraí é alvo de megaoperação nacional
Cumprimento de um dos mandados da operação do Parana (Foto: Divulgação)

Prisão em operação contra faccionados - Luan foi preso em 2 de julho de 2025 durante a Operação Adsumus, deflagrada pela Polícia Civil após meses de investigação sobre integrantes do PCC envolvidos com tráfico de drogas e roubos de veículos em Naviraí e cidades da região.

A apuração teve início após um assalto que ganhou repercussão no município. Uma idosa de 62 anos foi mantida sob ameaça durante horas dentro da própria casa, enquanto criminosos roubavam sua caminhonete Fiat Toro, celulares e realizavam transferências bancárias superiores a R$ 22 mil via Pix.

Durante o cumprimento de mandado de busca na residência de Luan, localizada no bairro BNH, policiais encontraram 20 gramas de crack, quantidade que poderia render cerca de 200 porções para comercialização, além de duas balanças de precisão, dois celulares, R$ 1.189 em dinheiro e uma munição calibre .22.

Para o Ministério Público, os elementos encontrados eram compatíveis com a atividade de tráfico de drogas. A investigação também apontava possível envolvimento dele com organização criminosa ligada ao tráfico e a roubos de veículos.

Posteriormente, ele foi condenado por tráfico de drogas e posse irregular de munição, permanecendo preso desde então.

Dentro dos presídios - A Operação Panóptico foi deflagrada simultaneamente em dezenas de cidades e tem como principal alvo integrantes de uma organização criminosa que, segundo o Ministério Público do Paraná, mantém atividades a partir das unidades prisionais.

O dado mais emblemático da operação ajuda a explicar a estratégia adotada pelos investigadores: dos 304 mandados de prisão expedidos, 176 foram cumpridos dentro de presídios.

Segundo o Gaeco, a intenção é atingir integrantes que continuariam exercendo influência, mantendo contatos ou participando da estrutura criminosa mesmo privados de liberdade.

Durante as diligências desta segunda-feira, foram apreendidos aproximadamente 1,2 quilo de cocaína, 670 gramas de crack, 700 gramas de maconha, oito armas de fogo, cerca de R$ 12 mil em dinheiro e até um equipamento utilizado para bloquear sinais de tornozeleiras eletrônicas.

Dois investigados morreram após reagirem às abordagens policiais no Paraná.

Para os investigadores, o novo mandado cumprido contra Luan mostra que, mesmo preso na unidade de segurança máxima de Naviraí, ele continuou sendo monitorado por suspeitas de manter ligação com a estrutura da facção criminosa investigada.

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