Com impasse sobre intervenção, frota vencida chegará a 330 ônibus, diz prefeita
Adriane Lopes alertou que número de veículos que precisam ser substituídos deve alcançar 72% do total em 2027
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou nesta segunda-feira (15) que pretende chegar a uma definição sobre a possível intervenção no Consórcio Guaicurus até a próxima sexta-feira (19). A decisão, inicialmente prevista para ser anunciada até o dia 12 de junho, foi adiada por mais uma semana enquanto a prefeitura mantém abertas as negociações com a concessionária responsável pelo transporte coletivo da Capital.
RESUMO
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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmou que definirá até sexta-feira (19) se haverá intervenção no Consórcio Guaicurus. A decisão foi adiada após negociações com a concessionária. Uma comissão recomendou a intervenção por falhas contratuais, incluindo frota envelhecida, com 235 ônibus a serem substituídos, número que pode chegar a 330 em 2027. O consórcio solicitou reunião à agência reguladora.
Apesar da prorrogação do prazo, a prefeita afirmou que a administração municipal busca uma solução o quanto antes diante da pressão da população e do agravamento das condições da frota. Segundo ela, o cenário atual exige medidas imediatas para evitar que o problema se torne ainda maior nos próximos meses.
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“O diálogo está aberto. As portas da Prefeitura e da Agência de Regulação estão abertas para qualquer discussão. Há uma determinação judicial para que isso aconteça, mas até sexta-feira nós vamos nos reunir, provavelmente amanhã à tarde, com a comissão que está reunindo todos os dados e compilando as informações após a audiência pública realizada no Paço Municipal”, declarou.
A prefeita disse acreditar que até o fim da semana haverá uma definição sobre a medida recomendada pela comissão responsável por analisar o cumprimento do contrato de concessão.
“Acredito que até sexta-feira teremos um desfecho sobre essa determinação e essa ação, que é de grande relevância. A população de Campo Grande tem me cobrado firmeza, posicionamento e mudança. Nós estamos trabalhando para construir um consenso, não apenas sobre as informações, mas para trazer um resultado melhor para o transporte público da Capital”, afirmou.
A discussão sobre a intervenção ocorre após a comissão especial instituída pela prefeitura recomendar a adoção da medida com base em um PAP (Procedimento Administrativo Preliminar), instaurado por determinação judicial. O relatório apontou uma série de possíveis descumprimentos do contrato de concessão firmado entre o município e o Consórcio Guaicurus, incluindo falhas operacionais, descumprimento de horários, omissão de viagens e envelhecimento da frota.
Ao comentar a situação do transporte coletivo, Adriane destacou que a maior parte dos usuários do sistema é composta por mulheres e afirmou que o município precisa dar uma resposta às reclamações recorrentes da população.
“E ressalto aqui que 70% dos usuários do transporte público em Campo Grande são mulheres. Eu sou cobrada diariamente por mudanças e por resultados, e é exatamente isso que estamos propondo agora. São anos de um consórcio que não tem satisfeito a população de Campo Grande com os serviços prestados. O Poder Público Municipal, como poder concedente, precisa tomar uma medida.”
Segundo a prefeita, a prefeitura ainda está disposta a avaliar alternativas antes de decretar a intervenção, desde que o consórcio apresente um plano concreto de investimentos e melhorias para o sistema.
“Ou recebemos uma proposta, até sexta-feira, com mudanças e investimentos que deixaram de ser feitos ao longo dos anos, promovendo essa transformação, ou eu não vejo outro caminho que não seja a intervenção.”
Pedido de reunião - A possibilidade de uma solução negociada ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira. De acordo com Adriane, a Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados) recebeu pela manhã um pedido de reunião feito por representantes do Consórcio Guaicurus.
“Bom, hoje pela manhã a Agência de Regulação recebeu uma solicitação de agenda feita por um representante do consórcio. Acredito que essa reunião já tenha sido agendada. A Agência apenas me informou sobre o pedido, e eu disse: o diálogo está aberto para a construção de soluções, mas eu preciso de resultados. As pessoas me cobram resultados, e eu também vou cobrar do consórcio serviço, qualidade e resultados.”
Embora a agenda ainda não tenha sido confirmada oficialmente, a expectativa da prefeita é que o encontro aconteça nos próximos dias, antes do prazo final para a decisão.
“Hoje pela manhã o diretor da Agereg esteve aqui, mas eu não conversei com ele sobre isso porque cheguei já no momento da agenda. Acredito, porém, que até sexta-feira será divulgado o atendimento feito ao representante do consórcio.”
“Se o diálogo está aberto, essa reunião pode acontecer amanhã ou depois de amanhã. A construção está posta, mas eu preciso que o consórcio, ou seus representantes, apresentem uma proposta plausível diante dos 235 ônibus que precisam ser substituídos em Campo Grande. E, se virar o ano, daqui a seis meses serão 330 ônibus.”
O alerta feito pela prefeita reforça um dos principais pontos levantados pela comissão que recomendou a intervenção. O relatório apontou que a idade média dos ônibus em circulação está acima do limite previsto no contrato de concessão e identificou dezenas de veículos com mais de dez anos de uso.
Agora, além dos problemas operacionais já apontados pela investigação, a prefeitura demonstra preocupação com o avanço do envelhecimento da frota. Segundo Adriane, atualmente 235 ônibus precisariam ser substituídos para adequação aos parâmetros exigidos. Caso a situação permaneça sem solução até o início de 2027, esse número poderá chegar a 330 veículos.
O aumento representa quase 100 ônibus a mais que precisarão ser renovados dentro de uma frota composta por cerca de 460 veículos operados pelo Consórcio Guaicurus em Campo Grande, isso significa que cerca de 72% dos veículos estarão fora dos limites estabelecidos para renovação e precisarão ser substituídos.
Diante desse cenário, a prefeitura afirma que a próxima sexta-feira será decisiva para definir se o município seguirá por um caminho de negociação com a concessionária ou se adotará a intervenção administrativa recomendada pela comissão responsável pela apuração.



