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Interior

Empresário é preso ao tentar embarcar com 38 remédios paraguaios em Bonito

Medicamentos estavam escondidos no casaco; homem alegou que fazia tratamento para obesidade e depressão

Por Clara Farias | 30/06/2026 14:06
Empresário é preso ao tentar embarcar com 38 remédios paraguaios em Bonito
Medicamentos apreendidos dentro de casaco (Foto: Reprodução/Autos do processo)

Luciano Sidone do Espírito Santo, de 44 anos, foi preso em flagrante ao tentar embarcar no Aeroporto Regional de Bonito, a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande, transportando 38 caixas de medicamentos de origem paraguaia, a maioria de tirzepatida, substância utilizada no tratamento da obesidade. Os produtos, que não possuem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), estavam escondidos sob o casaco do passageiro e foram descobertos durante a inspeção por raio-X.

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Luciano Sidone do Espírito Santo, de 44 anos, foi preso em flagrante no Aeroporto Regional de Bonito, no Mato Grosso do Sul, ao tentar embarcar com 38 caixas de medicamentos paraguaios sem registro na Anvisa escondidas sob o casaco. O passageiro também transportava perfumes, cremes e brinquedos sem documentação fiscal. Ele foi autuado por importação irregular de medicamentos e descaminho, sem direito a fiança.

Conforme o auto de prisão em flagrante, funcionários responsáveis pela inspeção de embarque acionaram a Guarda Municipal após perceberem atitude considerada suspeita do passageiro. Ao passar o casaco pelo equipamento de raio-X, os agentes identificaram diversas caixas de medicamentos ocultas na roupa.

Ainda durante a abordagem, Luciano levava outras bagagens despachadas, que também foram submetidas ao raio-X. Nelas, foram encontrados perfumes, cremes, brinquedos e um roteador, todos oriundos do Paraguai. Como o passageiro não apresentou documentação fiscal das mercadorias nem comprovação de importação regular, foi impedido de embarcar e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil.

Durante o interrogatório, acompanhado por advogada, Luciano negou que todos os produtos tivessem sido comprados no Paraguai. "Eu vim de Belo Horizonte para Ponta Porã. Sou empresário e um cara me convidou para conhecer um aplicativo relacionado ao meu ramo. Aproveitei a viagem para olhar alguns negócios", disse ele.

Sobre os perfumes, cremes e brinquedos, ele admitiu que as compras foram feitas no Paraguai, e os itens seriam dados de presente para as filhas e funcionárias da empresa. Já em relação aos medicamentos, Luciano apresentou uma versão diferente da registrada inicialmente pela equipe que realizou a abordagem.

"Eu faço tratamento para obesidade e depressão. Eu e minha esposa usamos esses medicamentos. Eu me dei muito bem com eles", afirmou.

Questionado sobre a quantidade apreendida, Luciano alegou que decidiu comprar mais produtos por causa da diferença de preço. "Em Belo Horizonte esse tratamento fica muito caro, perto de R$ 4 mil. Como era a primeira vez que eu comprava lá, resolvi aproveitar. Na receita consta o tratamento para mim e para minha esposa", disse durante o interrogatório.

Ele também disse possuir receita médica, mas afirmou que ela não foi apresentada durante a abordagem porque não lhe foi solicitada. A versão, no entanto, foi considerada contraditória pela autoridade policial. No auto de prisão, o delegado destaca que Luciano afirmou inicialmente ter comprado todas as mercadorias no Paraguai.

Além disso, mesmo apresentando receitas médicas posteriormente, os documentos prescreviam apenas a tirzepatida, e não os demais medicamentos encontrados em sua posse.

Outro ponto levantado pela investigação diz respeito à quantidade de produtos apreendidos. Luciano afirmou que os perfumes seriam distribuídos entre familiares e funcionários, mas, ao ser questionado, informou ter dois filhos, um funcionário registrado e cerca de dez trabalhadores eventuais, número inferior aos mais de 30 itens apreendidos. Em seguida, disse que também pretendia presentear outros familiares.

Ele foi autuado pelo crime de importação de medicamento sem registro e descaminho. A autoridade não arbitrou fiança.