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Falsa disputa por contrato de 500 revistas nos 69 anos de Terenos alertou Gaeco

As concorrentes enviaram e-mails com 1 minuto de diferença e textos com redação idêntica

Por Aline dos Santos | 24/01/2026 11:31
Falsa disputa por contrato de 500 revistas nos 69 anos de Terenos alertou Gaeco
Reprodução de tela de celular mostra envio de arquivos para Eli Souza.

E-mails enviados de forma sequencial – às 18h15, 18h16 e 18h17 – por três empresas que em tese eram concorrentes para elaboração de 500 revistas comemorativas aos 69 anos de Terenos foram o fio da meada para operações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) e Promotoria de Terenos, deflagradas na última quarta-feira (dia 21).

RESUMO

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O Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu esquema de fraude em licitação para produção de revistas comemorativas em Terenos, Mato Grosso do Sul. A investigação identificou que três empresas simularam concorrência ao enviarem orçamentos em sequência, com apenas dois minutos de intervalo entre eles. As operações Collusion e Simulatum revelaram que as empresas Impacto Jornalismo, TOPS do MS News e Política do MS News integravam o mesmo núcleo empresarial criminoso, compartilhando estrutura e recursos. O contrato, no valor de R$ 38.800, foi firmado com dispensa de licitação em 2022. Seis pessoas foram presas preventivamente.

A descoberta foi de um núcleo empresarial criminoso, como define a investigação. As ações foram batizadas de Collusion e Simulatum.

A Prefeitura de Terenos abriu procedimento, com dispensa de licitação em 2022. Foram enviados três orçamentos. Além da forma sequencial do envio dos e-mails com as propostas, todos eram intitulados “Solicitação de cotação-assinatura anual de revistas”, conteúdo que nem tinha correspondência com o objeto do contrato.

“Os três e-mails enviados pelas empresas supostamente distintas foram remetidos em um intervalo de apenas dois minutos — às 18h15min, 18h16min e 18h17min —, o que evidencia coordenação temporal incompatível com comunicações autônomas”, aponta o Gaeco.

Conforme o relatório da operação, o corpo textual das mensagens também apresentava redação idêntica e peculiar, com uso reiterado de múltiplos pontos de exclamação e construções textuais semelhantes.

“Em anexo !!!!!, Cotação de Preços no anexo!!! e “Segue Proposta em Anexo !!!. Tal paralelismo de linguagem reforça o indicativo de autoria comum ou atuação coordenada entre os remetentes”, destaca o documento.

Nesta etapa, os dados evidenciaram a atuação coordenada das empresas Impacto Jornalismo Ltda, Tops do MS News e Política do MS News. Elas ofereceram os orçamentos à Prefeitura de Terenos para as revistas comemorativas. A vencedora foi a Impacto, com orçamento de R$ 38.800. O contrato foi na gestão de Henrique Budke, que foi alvo de operação em 2025 e se afastou da prefeitura.

“Embora formalmente distintas, integram o mesmo núcleo empresarial criminoso, compartilhando estrutura jornalística, recursos materiais, identidade visual e administração de conteúdo”, aponta o Gaeco.

Mensagem enviada ao WhatsApp de Francisco Elivaldo de Souza, o Eli Souza, proprietário da empresa Impacto Jornalismo, informa que o interlocutor deixou na mesa “três propostas de Terenos”.

Na sequência, Eli recebeu arquivos em formato PDF. “Um dos documentos é da empresa Política do MS News (FCVN Comunicações Ltda), o que comprova o conluio entre os envolvidos para fraudar a licitação promovida pelo município”.

Para a investigação, as três empresas compartilham a mesma estrutura funcional e corpo técnico, sem distinção real entre suas atividades. Elas também utilizam os mesmos profissionais da área de jornalismo.

Falsa disputa por contrato de 500 revistas nos 69 anos de Terenos alertou Gaeco
Francisco Elivaldo de Sousa, conhecido como Eli Sousa, do Jornal Impacto, foi preso na Capital. (Foto: Henrique Kawaminami).

Vinculação financeira – A empresa Política MS News, registrada com razão social FCVN Comunicações Ltda, tem como sócio administrador Antonio Henrique Ocampos Ribeiro, mas os dados extraídos do e-mail corporativo apontam que quase a totalidade 1.900 imagens se referem a Francisco das Chagas Veras Nascimento, cujas iniciais formam a razão social da empresa.

Preso no Distrito Federal, Francisco Nascimento foi sócio-administrador da empresa entre 2016 e 2021 e é padrasto de Antônio, que é chef de cozinha. Entre fevereiro e abril de 2022, foram movimentados mais de R$ 130 mil entre Eli e Antonio. Para o Gaeco, a situação demonstra a forte vinculação econômica entre as empresas Impacto e Política MS News.

Até 2020, Francisco Nascimento aparecia como presidente da Câmara de Mediação e Arbitragem de Mato Grosso do Sul. No ano de 2016, ele foi à Assembleia Legislativa para explicar os serviços disponíveis no Tribunal de Justiça Arbitral de MS.

O juiz Robson Celeste Candeloro, do Núcleo de Garantias, decretou as prisões preventivas de Francisco Elivaldo de Souza (do Impacto Jornalismo Ltda e apontado como líder do grupo), Geraldo Alves Pereira (empresário), Leandro de Souza Ramos (do Tops do MS News), Antônio Henrique Ocampos Ribeiro (sócio administrador do Política MS News), Francisco das Chagas Veras Nascimento (suspeito de ser o verdadeiro dono do Política MS) e Eudmar Rogers Nolasco de Faria ( ele é citado como jornalista, gerente do site Tops do MS e administrativo do Política MS News).

A defesa de Rogers Nolasco aponta que ele é inocente e nega, veementemente, ter cometido os crimes que lhe são atribuídos. O pedido é de revogação da ordem ou concessão de prisão domiciliar, pois ele faz tratamento de saúde para problema renal, com sessões de hemodiálise. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deu parecer favorável ao pedido de domiciliar.

O Campo Grande News não conseguiu contato com as demais defesas.

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