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Interior

Há pouco mais de 2 anos, bandidos também invadiram aeroporto de Paranaíba

Assim como em 2019, vários homens armados invadiram hangar nesta madruga e fugiram com aeronaves

Por Geisy Garnes | 06/09/2021 10:33
Na imagem, Edmur (dir) fecha o portão do hangar antes de levantar voo, rumo ao Paraguai (Foto/Reprodução)
Na imagem, Edmur (dir) fecha o portão do hangar antes de levantar voo, rumo ao Paraguai (Foto/Reprodução)

O roubo de três aeronaves do Aeroclube de Aquidauana – a 135 quilômetros de Campo Grande – fez Mato Grosso do Sul reviver crime semelhante organizado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em Paranaíba, há pouco mais de 2 anos. No dia 18 de junho de 2019 bandidos armados entraram no hangar do aeroporto municipal e levaram o avião Cessna 182 Skylane do empresário Samuel Alonso.

As semelhanças entre os casos começam pelo investimento dos bandidos. Tanto em 2019 como nesta madrugada, vários homens armados invadiram os hangares, abasteceram as aeronaves e fugiram pelo ar.

Há dois anos, a ação envolveria gasto de R$ 1 milhão e, segundo a justiça, ainda contou com a participação do piloto da aeronave, Edmur Guimara Bernardes. A intenção do grupo criminoso era usar o avião no transporte de drogas e por isso ele foi levado para o Paraguai e de lá, para a Bolívia. Retornou dois dias depois ao Brasil, pilotada pelo suspeito.

A investigação feita na época detalhou que o monomotor foi furtado por 8 homens, levado para o Paraguai com o transponder desligado, para não ser detectada pelos radares. Pousou em fazenda que seria de propriedade do PCC, onde o grupo pernoitou. N dia seguinte de seguiu para a Bolívia levando material para preparo de drogas. De lá, Edmur voltou ao Brasil, pousando em Cáceres (MT) e dizendo que havia sido rendido e conseguiu fugir dos bandidos.

Oito suspeitos, todos integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), são apontados como autores, entre eles, um primo de Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola do PCC”, considerado o líder geral da facção paulista hoje, detido na penitenciária de Presidente Bernardes.

criminoso denominado Coringa, que está preso em Londrina e outros dois homens da facção, identificados como Boneco e Baiano, que estavam no Paraguai. Eles teriam articulado para qual fronteira a aeronave seria mandada e que outras três já estavam sob a mira do grupo.

Movimentação da polícia e da perícia no Aeroclube nesta manhã (Foto: João Éric/ do site O Pantaneiro)
Movimentação da polícia e da perícia no Aeroclube nesta manhã (Foto: João Éric/ do site O Pantaneiro)

Identificado como Vítor, o primo do líder da facção seria o chefe do bando e responsável pelo narcotráfico entre Bolívia, a partir da região de San Ignácio e Brasil para distribuição de cocaína em São Paulo.

Criminoso preso em Londrina e outros dois homens da facção, identificados como Boneco e Baiano, que estavam no Paraguai, também teriam organizado o crime e miravam o roubo de outras três aeronaves.

Assim como naquele dia, os bandidos que renderam as vítimas de Aquidauana nesta manhã tinham sotaques estrangeiro e a motivação, segundo informações preliminares da polícia, também foi a mesma: usar as aeronaves para otimizar o tráfico de drogas na fronteira do país com a Bolívia e o Paraguai.

O envolvimento comprovado do PCC no crime de 2019 ajuda a colocar a facção paulista no topo da lista de suspeitos do novo crime. "É um típico crime de organização criminosa, que rouba aeronaves para usar no tráfico de entorpecentes", afirmou o delegado Jackson Vale, de Aquidauana.

Pelo menos 18 homens armados renderam a caseiro do Aeroclube, de 63 anos e os dois filhos adolescentes dele, os levaram até o hangar em que estavam as aeronaves. As vítimas ficaram presas na grade de proteção do tanque de combustível enquanto eles preparavam os monomotores. Segundo a polícia, os bandidos tentaram levar cinco aviões, mas só conseguiram arrombar três.

Aeronave roubada na madrugada desta segunda-feira (6) (Foto: Direto das Ruas)
Aeronave roubada na madrugada desta segunda-feira (6) (Foto: Direto das Ruas)

Segundo o registro policial, foram levados um avião Bonanza Modelo V35B (matrícula PT-ING) e dois Cessna Modelo 182 (matrículas PT-KDI e PT-DST). Conforme apurado pela reportagem com base no Registro Aeronáutico Brasileiro, a primeira aeronave pertence a Zelito Alves Ribeiro, irmão do prefeito de Aquidauana Odilon Ferraz Alves Ribeiro (PSDB).

O segundo avisão, com matrícula PT-KDI, está em nome da empresária Liliane Paschoaletto Trindade. A terceira aeronave pertence ao cantor Almir Sater.

Na fuga, os bandidos ainda deixaram para trás as ferramentas utilizadas no crime, como chave micha e corta cadeado, além das fitas usadas para amarrar o caseiro e os dois filhos dele. No hangar há câmera de segurança, mas está sem funcionar há um tempo. Policiais civis buscam na região imagens que possam mostrar a movimentação do bando na cidade.

Condenação – Duas pessoas foram condenadas pelo primeiro crime. O piloto Edmur Guimara Bernardes foi condenado a 4 anos, 10 meses e 22 dias por furto qualificado, atentado à segurança de transporte aéreo e falsa comunicação de crime. Adevailson Ribeiro, o “Zoio”, foi condenado a pena de 3 anos e 6 meses de reclusão, além de 98 dias-multa. As penas foram impostas para regime semiaberto e eles poderão recorrer em liberdade no processo.

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