Homens mortos em operação na fronteira eram líder indígena e professor
Comunidade negou que Antonio Carrillo Mancuello e Catalino Acevedo fizessem parte de clã do tráfico

Os dois homens mortos a tiros por agentes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) no Departamento de Canindeyú, na linha internacional com Mato Grosso do Sul, na sexta-feira (14), faziam parte de uma comunidade indígena de Corpus Christi, povoado a 40 km de Sete Quedas.
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Antonio Carrillo Mancuello era um dos líderes da comunidade e Catalino Correa Acevedo era professor da escola indígena da aldeia.
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Em comunicado divulgado no fim de semana, a coordenação da comunidade negou que os dois fizessem parte do bando chefiado pelo narcotraficante mais procurado do Paraguai, Felipe Santiago Acosta, o “Macho”, como informou a Senad, na sexta-feira.
Familiares dos dois homens mortos no suposto confronto afirmaram que eles seguiam da aldeia para uma fazenda da região, após serem chamados para uma reunião com o objetivo de discutir conflitos por terra.
“Negamos de forma categórica que os mesmos fossem membros de qualquer grupo armado e que portassem armas. São cidadãos pacíficos e membros do plantel de instituições de ensino”, afirma o comunicado divulgado pela Comunidade Ava Guarani Tekoha Yhapo.
Os indígenas também negam ter havido confronto e cobram das autoridades paraguaias uma investigação independente para esclarecer o caso e punir os culpados.
Na sexta-feira, a Senad informou por meio de sua assessoria de comunicação que os dois homens teriam sido mortos durante confronto com os agentes federais em uma estrada de terra nos arredores de Corpus Christi.
Eles estavam em um Toyota Allion branco, crivado de balas. A agência antidrogas informou que um dos agentes foi ferido no peito por um tiro de fuzil, mas o projétil atingiu seu colete balístico. Dois fuzis de calibre 7,62 teriam sido encontrados no carro.
Bruno López Ortiz, que, segundo a Senad, também faz parte do clã liderado por Felipe Santiago Acosta, foi preso durante a operação de sexta-feira e transferido de helicóptero para a capital Asunción.
De acordo com investigadores paraguaios, para operar na linha internacional, o bando de “Macho” conta com a cumplicidade de comunidades indígenas, acusadas de arrendar terras para cultivo de maconha e fornecer mão de obra para cultivo e processamento da droga.

Irmão desaparecido
Nesta segunda-feira (17), a imprensa do Paraguai revelou que Fulgencio Carrillo Mancuello, irmão de Antônio Carrillo e também líder da Comunidade Ava Guarani Tekoha Yhapo, está desaparecido desde sexta-feira.
O desaparecimento teria ocorrido logo após a operação da Senad e foi registrado pelos familiares na sede da Polícia Nacional em Pindoty Porã, cidade separada por uma rua de Sete Quedas.
Após a denúncia, os policiais iniciaram buscas e encontraram a caminhonete usada por Fulgencio. A Toyota Hilux estava totalmente carbonizada. A Polícia Nacional anunciou que vai mandar reforços para a região, para tentar localizar o líder indígena.
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