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Interior

Prefeito recorre ao Tribunal de Justiça 21 dias após ser afastado do cargo

Agravo de instrumento foi impetrado ontem pelos advogados de Wallas Milfont; prefeito de Itaporã é acusado de direcionar licitação

Por Helio de Freitas, de Dourados | 12/05/2016 14:47
Wallas Milfont se diz vítima de armação política (Foto: Arquivo)
Wallas Milfont se diz vítima de armação política (Foto: Arquivo)

Afastado do cargo por 180 dias, em 20 de abril, o prefeito de Itaporã, Wallas Milfont (PDT), entrou ontem (11) com agravo de instrumento no TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) para tentar reverter a decisão do juiz Raul Ignatius Nogueira.

Milfont é acusado pelo MPE (Ministério Público Estadual) de direcionar uma licitação realizada em novembro de 2014 para a contratação de uma agência de publicidade. O caso foi investigado pela Operação Layout, Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), no ano passado.

Apresentado pelos advogados José Maciel Souza Chaves, Stheven Ouriveis Razuk e Marcus Vinicius Gomes da Silva, o recurso será analisado pelo desembargador Amaury da Silva Kuklinski, da 4ª Vara Cível.

No dia 26 de abril, a vice-prefeita Jacinta Reis Cordeiro (PR) assumiu no lugar de Wallas Milfont e determinou suspensão do atendimento da prefeitura ao público por dez dias. Ela também revogou o meio expediente dos servidores e mandou as repartições públicas municipais retomarem o horário em período integral.

“Injusto e ilegal” – Ao Campo Grande News, o prefeito disse hoje que o recurso tem como objetivo mostrar ao Tribunal de Justiça que seu afastamento foi “injusto e ilegal” e que sua permanência no cargo não atrapalhas investigações, como alegou o MPE.

“O afastamento é para não atrapalhar a investigação. Porém, já tem mais de 16 meses de investigação, na qual já foram ouvidas as testemunhas e fornecidos voluntariamente todos os documentos solicitados. Se não bastasse isso, ainda foram procedidas buscas e apreensão na minha casa, na prefeitura, na casa do assessor de comunicação da época e nas sedes das empresas. Todas as testemunhas foram ouvidas livremente, razão pela qual o fato de estar no exercício do cargo de prefeito não causará nenhum empecilho à apuração dos fatos”, afirmou.

Bens bloqueados – Além do afastamento, o juiz de Itaporã, município a 227 km de Campo Grande, determinou o bloqueio de todos os bens do prefeito e de outros dois acusados, Wagner Leite Fortes, ex-gerente de comunicação da prefeitura, e Letícia Berloffa Rodrigues, servidora do mesmo departamento.

Segundo o MPE, os três acusados tentaram dificultar a colheita de provas, além de negar que havia um acordo direcionando o certame para a vitória de empresa pré-determinada.

Armação – Em nota oficial divulgada um dia após o afastamento, Wallas Milfont afirmou ser vítima de armação por parte de um desafeto político, Rafael Campos, que se “auto acusou” de ter direcionado, a mando do prefeito, a licitação para a contratação de uma agência de publicidade.

Ele se disse “surpreso e vitimado” pela decisão ter sido tomada com base em uma “armação política” e negou ter dificultado as investigações, afirmando ter encaminhando todos os documentos ao Ministério Público Estadual.

"Apesar de todos os insultos e perseguições sofridos por mim, vindos de algumas pessoas sem caráter e hombridade, o que poderia me desmotivar de lutar por Itaporã, sinto-me fortalecido para lutar", disse Wallas Milfont.