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Ramal ferroviário é esperança para diminuir acidentes no Vale da Celulose

Uso da linha férrea deverá diminuir até 190 viagens de caminhões por dia nas rodovias da região

Por Fernanda Palheta e Mylena Fraiha, de Inocência | 06/02/2026 10:36
Ramal ferroviário é esperança para diminuir acidentes no Vale da Celulose
Trilhos começarão dentro da fábrica da Arauco em Inocência (Foto: Osmar Veiga)

A construção do ramal ferroviário que conectará diretamente a planta do Projeto Sucuriú, da empresa chilena Arauco, em Inocência, à malha norte e permitirá que a produção siga de trem até o Porto de Santos, é esperança de mais segurança nas rodovias do Vale da Celulose.

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O ramal ferroviário que conectará o Projeto Sucuriú, da empresa chilena Arauco, à malha norte será construído em Inocência, Mato Grosso do Sul. Com 47 quilômetros de extensão, a linha férrea promete reduzir cerca de 7 mil viagens de caminhões por mês nas rodovias da região do Vale da Celulose. O projeto, primeira "shortline" ferroviária após o Novo Marco Regulatório das Ferrovias de 2021, prevê investimento de US$ 4,6 bilhões. A estrutura incluirá passagens para animais e propriedades vizinhas, seguindo paralela às rodovias MS-377 e MS-240, visando melhorar a segurança no transporte da produção até o Porto de Santos.

O uso do corredor logístico de 47 quilômetros, que terá a pedra fundamental lançada nesta sexta-feira (6), deverá diminuir até 190 viagens de caminhões por dia. Ao fim do mês, serão cerca de 7 mil viagens a menos nas rodovias da região.

A linha ferroviária seguirá paralela às rodovias MS-377 e MS-240, atravessando exclusivamente áreas rurais de Inocência. Para garantir a segurança e preservar os acessos às propriedades vizinhas, o projeto prevê a construção de passagens inferiores e superiores, além de remanejamentos viários e ajustes específicos para a travessia de animais.

O auxiliar florestal Eric Alexandre da Silva Brito, 23 anos, é de Selvíria, cidade a 403 quilômetros de Campo Grande, e se mudou para Inocência para trabalhar. Para ele, a construção da linha férrea também traz benefícios para quem escolheu morar longe da família.

"Vai ser bom porque não tem muito acidente, como está acontecendo agora, com vários acidentes. É muito triste, os familiares em casa ficam esperando você chegar e vai acontecer um acidente no ônibus ou na carreta", disse.

Ramal ferroviário é esperança para diminuir acidentes no Vale da Celulose
Operadora da Arauco, Luana Alves da Silva, de 29 anos, e auxiliar florestal Eric Alexandre da Silva Brito, 23 anos, são de Selviria e se mudaram para trabalhar (Foto: Osmar Veiga)

A operadora da Arauco, Luana Alves da Silva, de 29 anos, também é de Selvíria e desde que chegou viu a cidade de quase 8 mil habitantes se transformando. "A cidade está crescendo, está expandindo bem mais. E onde você passa, já não tem mais nem espaço pra andar, tem tanta gente que tem aí", contou.

Ela também acredita que o ramal férreo vai garantir mais segurança. "Melhor porque as outras empresas são tudo caminhão. Aqui vai fazer tudo de trem. Menos acidente nas BR, porque hoje tem muitos", disse.

Ramal ferroviário é esperança para diminuir acidentes no Vale da Celulose
Pedra fundamental da ferrovia será lançada nesta sexta-feira (Foto Osmar Veiga)

O ramal ferroviário atenderá com exclusividade à unidade industrial da Arauco, que representa a entrada da companhia chilena no segmento de celulose no Brasil. O projeto prevê investimento de US$ 4,6 bilhões na construção de uma planta com capacidade produtiva de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta por ano.

Trata-se da primeira “shortline” ferroviária a ser implantada após o Novo Marco Regulatório das Ferrovias, instituído em dezembro de 2021.

O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. O investimento de US$4.6 bilhões inclui a construção de uma planta com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose/ano. A etapa de terraplanagem começou em 2024 e a previsão de entrada em operação é no final de 2027.

Cidade em transformação - Quem chegou a Inocência antes do início da construção da fábrica, consegue descrever a transformação da cidade. Para os sócios Admilson Marques de Freitas, de 59 anos, e Gabriela Paschoaleto, de 40 anos, a mudança vai gerar crescimento econômico.

"Algumas pessoas reclamam, mas é assim mesmo. Você está no processo e isso trás as coisas boas e também vem as dificuldades. Mas isso é normal no crescimento da cidade. Para a gente que está no setor imobiliário melhorou muito. Tem vários contatos, inclusive, com a empresa que vai fazer a ferrovia. Então, para a gente, é muito importante", disse o sócio.

Admilson é de Rio Brilhante e mora em Inocência há 35 anos. Já Gabriela é do interior de São Paulo e chegou a Mato Grosso do Sul há 15 anos. Segundo eles, com o boom populacional, Inocência perdeu o traço típico de interior hoje ninguém conhece mais ninguém nas ruas. "A gente que tinha que sete mil habitantes antes de tudo, hoje ainda tem mais já oito mil. A previsão é para chegar mais sete, oito daqui para o meio do ano", completa.

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