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Interior

Governo cria comitê para acompanhar uso de agrotóxico em terras indígenas

Grupo de Trabalho publicado hoje pela Secretaria Geral da Presidência tem 180 dias para entregar relatório

Por Helio de Freitas, de Dourados | 06/02/2026 11:19
Governo cria comitê para acompanhar uso de agrotóxico em terras indígenas
Indígenas na Retomada Guyraroká, onde uso de agrotóxico desencadeou confrontos (Foto: Renato Santana/Cimi)

A Secretaria Geral da Presidência da República publicou no Diário Oficial da União desta sexta-feira (6) a criação do Grupo de Trabalho que vai propor medidas de mediação de conflitos decorrentes do uso de agrotóxicos nas Terras Indígenas Guarani e Kaiowá, em Mato Grosso do Sul.

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O governo federal criou um Grupo de Trabalho para mediar conflitos relacionados ao uso de agrotóxicos nas Terras Indígenas Guarani e Kaiowá, em Mato Grosso do Sul. A iniciativa surge após confrontos entre fazendeiros e indígenas na Terra Guyraroká, em Caarapó, desencadeados pela pulverização de agrotóxicos em lavouras de soja.O grupo, que tem prazo de 180 dias para apresentar recomendações, será composto por representantes de diversos órgãos federais, incluindo ministérios, Anvisa, Embrapa e Força Aérea Brasileira. Entre suas atribuições estão propor restrições à pulverização aérea, monitorar irregularidades e desenvolver políticas públicas para garantir a segurança alimentar das populações afetadas.

Instituído no âmbito do comitê gestor do Pronara (Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos), o grupo será formado por representantes do governo federal, da Embrapa e da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal).

Em outubro do ano passado, a pulverização de agrotóxico em lavouras de soja na Fazenda Ipuitã desencadeou série de confrontos entre fazendeiros e indígenas que lutam pela demarcação da Terra Guyraroká, no município de Caarapó.

A situação só foi pacificada em janeiro de 2026, após acordo judicial autorizar a permanência dos Guarani e Kaiowá em parte da área até a conclusão do processo de demarcação. Nesse local, o uso de agrotóxicos está proibido.

Grupo de trabalho – Conforme a resolução do Pronara, o Grupo de Trabalho tem prazo de 180 dias para apresentar recomendações quanto às ações necessárias para a mediação de conflitos decorrentes do uso de agrotóxicos nas terras indígenas dos Guarani e Kaiowá.

O grupo deverá se posicionar sobre a necessidade de criação de áreas limítrofes às terras indígenas nas quais a pulverização aérea de agrotóxicos deva ser restringida além do previsto na legislação; sobre o monitoramento e verificação de irregularidades relacionadas à pulverização aérea de agrotóxicos, incluindo suas áreas adjacentes; e propor políticas públicas, de caráter imediato e a médio prazo, para garantir a segurança alimentar e nutricional das populações afetadas pelo uso dos produtos químicos.

Cabe ainda ao grupo propor medidas para ampliação das ações de vigilância ambiental e sanitária, fiscalização ambiental e defesa agropecuária no território e desenvolver estratégia de ação e protocolo de atuação, com coordenação do Governo Federal, visando identificar e registrar danos ambientais à saúde humana, à segurança alimentar e à produção agroalimentar, decorrentes da exposição aos agrotóxicos em territórios com populações vulnerabilizadas.

O Grupo de Trabalho será composto por representantes da Secretaria Geral da Presidência da República; dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Saúde, Meio Ambiente, dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania, e da Agricultura e Pecuária; da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); da Fundação Oswaldo Cruz; do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis); da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária); do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força Aérea Brasileira; e da Iagro.

Os membros serão indicados pelos titulares dos órgãos, entidades e serviço social que representam, através de ofício. Cada membro terá um suplente, que o substituirá em suas ausências e impedimentos. A resolução é assinada por Marcelo Fragozo dos Santos, coordenador do comitê gestor do Pronara.

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