Chuvas recuperam umidade do solo e melhoram cenário para milho e trigo em MS
Regularidade das precipitações e temperaturas mais amenas favoreceram o desenvolvimento das lavouras no Estado
As chuvas registradas ao longo de maio mudaram o cenário das lavouras em Mato Grosso do Sul e ajudaram a recuperar parte das áreas que enfrentavam restrição hídrica no início do ciclo. O Boletim de Monitoramento Agrícola divulgado nesta sexta-feira (22) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), com dados entre os dias 1º e 21 de maio e análises da safra 2025/26, aponta que o Estado está entre as regiões beneficiadas pela maior regularidade das precipitações e pela redução das temperaturas.
RESUMO
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Enquanto boa parte da região central do país ainda enfrenta tempo seco e limitações hídricas, principalmente em áreas do Matopiba e em estados como Goiás e Minas Gerais, Mato Grosso do Sul apresentou um comportamento diferente. Segundo a Conab, as chuvas intensas registradas em alguns períodos do mês, associadas às temperaturas menos elevadas, contribuíram para a manutenção e até elevação da umidade do solo em importantes regiões produtoras.
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O efeito foi sentido especialmente nas áreas de milho segunda safra. O boletim destaca que, no fim do primeiro e do segundo decêndios de maio, houve precipitações significativas em Mato Grosso do Sul, além de partes de Mato Grosso e São Paulo, favorecendo o armazenamento hídrico do solo e reduzindo o estresse das lavouras.
No caso sul-mato-grossense, a melhora foi mais evidente na região Nordeste do Estado, onde o retorno das chuvas ajudou a recuperar áreas que estavam sob escassez hídrica. Nas demais regiões, as condições climáticas permaneceram favoráveis ao desenvolvimento do cereal.
Outro indicativo positivo veio do IV (Índice de Vegetação), ferramenta utilizada pela Conab para acompanhar o vigor das lavouras por meio de dados espectrais. Mato Grosso do Sul apareceu entre os estados que apresentaram recuperação do indicador ao longo de maio, resultado atribuído diretamente à regularidade das chuvas.
De acordo com a Companhia, o índice no Estado evoluiu próximo ou até acima dos níveis observados na safra anterior em diversas áreas monitoradas. O destaque ficou para o Sudoeste sul-mato-grossense, onde o IV mostrou crescimento no período mais recente.
“O ligeiro crescimento do índice ocorreu devido à maior regularidade das chuvas e à recuperação de parte das lavouras”, aponta o relatório.
A Conab observa que, no Sudoeste de Mato Grosso do Sul, as condições do milho segunda safra se mostraram semelhantes ou até superiores às registradas no ciclo anterior. O comportamento do índice de vegetação acompanhou ou superou os números da safra passada desde a emergência até o estágio reprodutivo das plantas.
Apesar do cenário favorável, o órgão ressalta que nem todas as regiões do Estado apresentaram o mesmo desempenho. Áreas menos representativas tiveram condições climáticas menos favoráveis e podem influenciar o potencial produtivo estadual.
Além do milho, o trigo também apresentou evolução positiva em Mato Grosso do Sul. Conforme o boletim, as condições meteorológicas permanecem favoráveis para o desenvolvimento da cultura.
As chuvas registradas durante maio garantiram germinação adequada e bom estabelecimento inicial das lavouras. Outro fator considerado decisivo foi a queda mais acentuada das temperaturas, que favoreceu o perfilhamento das áreas implantadas no início de abril.
No algodão, o cenário é mais heterogêneo. Em Aral Moreira, a colheita já foi finalizada. Nas demais regiões produtoras do Estado, as lavouras estão predominantemente nas fases de formação de maçãs e abertura de capulhos.
Já no Nordeste sul-mato-grossense permanece um ponto de atenção: a restrição hídrica ainda preocupa os produtores, com registros de umidade do solo abaixo do ideal para a cultura.
Em relação à soja, a Conab informa que a colheita foi concluída em Mato Grosso do Sul, assim como em Paraná, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Tocantins.
O cenário registrado no Estado contrasta com o observado em outras áreas produtoras do país. Em Goiás, Minas Gerais e no Matopiba, a combinação entre atraso na semeadura, falta de chuvas e temperaturas elevadas provocou deterioração do índice de vegetação e ampliou as preocupações sobre o potencial produtivo do milho segunda safra.
Em Mato Grosso do Sul, porém, a combinação entre chuvas mais frequentes e clima menos quente permitiu a recuperação das lavouras e garantiu melhores condições para a continuidade do desenvolvimento agrícola neste fim de ciclo.


