ACOMPANHE-NOS    
MAIO, SEGUNDA  16    CAMPO GRANDE 13º

Cidades

Militares retornam do Haiti e trazem "a pobreza" de lição na bagagem

Por Graziela Rezende | 26/11/2013 16:00
Chegada na Base Aérea dos militares que estiveram por 5 meses no Haiti. Foto: Cleber Gellio
Chegada na Base Aérea dos militares que estiveram por 5 meses no Haiti. Foto: Cleber Gellio

“Aqui viemos, alguns deixaram suas vidas, e todos viveram os seus ideais...”. É com estes dizeres na Bandeira do Brasil que 86 militares desembarcaram na Capital, às 14h05 desta terça-feira (26), após 150 dias (cinco meses) de missão de paz no Haiti. Ainda sem poder dar um abraço nos familiares, por chegarem de um país endêmico, eles foram recebidos pelos seus superiores e aguardam uma bateria de exames para voltar pra casa.

Ao todo, de acordo com o major Robson Peroni, 600 homens devem retornar até o dia 6 de dezembro. Em sua maioria, são soldados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Na bagagem, além de fardas, coturnos e boinas, eles trazem muito aprendizado.

“A pobreza naquele País me chocou muito e foi extraordinário poder ajudar. Agora só penso em continuar com saúde e ver a minha família, pois estou com muitas saudades”, diz o soldado Jetrom Likuri, lotado no 44° regimento, em Cuiabá (MT), o único a conceder entrevista nesta terça-feira.

De acordo com o coronel Leonardo Pfeifer, a medida que vão chegando em Campo Grande, os militares são distribuídos em alojamentos e passam por avaliações físicas e psicológicas. “É uma quarentena para fazermos os exames toxicológicos, laboratoriais e até dentário. Ao final, eles retornam ao seu município de origem e posteriormente aos seus afazeres”, explica o coronel.

A desmobilização, como é denominada a volta dos militares, é ainda um momento de muito orgulho dos colegas. “Temos um histórico muito bem sucedido dessas missões. E o que eles precisam agora é de um merecido descanso”, comenta o coronel.

Amizade – No entanto, em meio à multidão de homens fardados, lá estava a acadêmica de enfermagem Elisa Maria de Souza Nogueira, 20 anos. Ela não é parente, muito menos conhecia alguém na Base Aérea. Mas uma amizade, iniciada há cinco meses com o cabo Gledson Ramos Trindade, a fez ir ao local, mesmo que somente para olhá-lo de longe.

“Ele é primo de um amigo meu e começamos a conversar pela internet. Eu o acompanhei, sabia da rotina, das dificuldades e até o assistia nos momentos de diversão. Hoje, tinha a esperança de conhecê-lo, mas como não foi possível, vou esperar o momento certo”, diz a estudante.

A expectativa, segundo Elisa, é que ele retorne na quinta-feira (28), data do seu aniversário. “Trouxe um presente especial e até uma placa para ele colocar na porta e ninguém incomodá-lo. É algo que me faz bem, pois conversávamos diariamente após a faculdade e até aprendi a admirar este trabalho. Gledson, inclusive, me disse que pretende participar de outra missão no Líbano”, finaliza a estudante.

Após amizade na internet, jovem tenta conhecer cabo que participou da missão. Foto: Cleber Gellio
Após amizade na internet, jovem tenta conhecer cabo que participou da missão. Foto: Cleber Gellio
Nos siga no Google Notícias