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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

15/12/2015 16:05

Na 4ª ocupação do Incra, famílias denunciam descaso com a reforma agrária

Thiago de Souza
Desde a manhã de hoje, nenhum servidor pode entrar na sede do Incra. (Foto: Marcos Ermínio)Desde a manhã de hoje, nenhum servidor pode entrar na sede do Incra. (Foto: Marcos Ermínio)
Há 15 dias no cargo, superintendente quer negociar com movimento. (Foto: Marcos Ermínio)Há 15 dias no cargo, superintendente quer negociar com movimento. (Foto: Marcos Ermínio)
Claudinei Rondon diz que reforma agrária no Estado está parada. (Foto: Marcos Ermínio)Claudinei Rondon diz que reforma agrária no Estado está parada. (Foto: Marcos Ermínio)

Cerca de 250 integrantes da FNL (Frente Nacional de Luta Campo e Cidade) invadiram, às 7 horas, a superintendência regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Mato Grosso do Sul. O prédio fica na Rua 25 de Dezembro, no Jardim dos Estados, em Campo Grande. É a quarta vez que a sede do órgão é ocupada neste ano e segundo o movimento ainda há descaso com a reforma agrária no país. O pedido de reintegração de posse já foi pedido pelo Incra.

Claudinei Rondon Monteiro é o representante nacional da FNL e diz que agora vai aguardar a reintegração de posse. O líder disse que a pauta de reivindicações é extensa e inclui ítens como o cadastramento de trabalhadores rurais que começou e logo parou, pois o órgão não possuia recuros.

Sobre a cesta básica, que deveria chegar pelo menos a cada dois meses, “nem teve início''. O movimento também cobra vistorias permantentes em áreas improdutivas. Segundo Monteiro a reforma agrária no Estado está parada. Ele diz que em São Paulo, em um período de oito anos foram instalados vários assentamentos, ao passo que em Mato Grosso do Sul, no mesmo período, apenas o Assentamento Nazaré foi criado para abrigar 178 famílias. As famílias estão acampadas no prédio só pretendem sair após cumprimento da reintegração de posse. 

Ao contrário do que diz a FNL, o superintendente do Incra no Estado, Humberto de Mello Pereira, diz que há uma agenda positiva para a reforma agrária, porém esbarra na falta de recursos e excesso de demandas para o órgão. Além disso ele justifica que está há apenas 15 dias no cargo e que as atividades de 2015 estão encerrando, por isso se debruça em processos que precisam ser analisados.

O superintendente disse que os cadastramentos de trabalhadores estão sendo feitos nas unidades do Incra no interior do Estado. Citou que na há sete dias foram liberados cerca de R$ 4 milhões para o “Fomento Mulher”, em Sidrolândia. Ele destacou que o órgão fez cedeu 11 áreas de unidades urbanas do incra para a Prefeitura de Sidrolândia que poderá “gerir melhor as áreas”. Também citou a doação de áreas do Núcleo Urbano do Assentamento Itamaraty, para a Prefeitura de Ponta Porã. “Esse assentamento pode tornar-se um distrito futuramente”, concluiu Mello.

No momento da chegada dos trabalhadores rurais, ainda não havia expediente, mas servidores foram impedidos de entrar. Marly Pereira de Araújo foi ao órgão tentar pegar pertences pessoais, mas foi barrada na portaria. “Eles são abusados, ia pegar uma conta para pagar e eles disseram: 'hoje é do jeito que a gente quer', '' reclamou. 

Na pauta de reivindicações da FNL ainda estão o pedido de retorno de valores do ITR (Importo Territorial Rural) para o Incra; a liberação de investimentos para os assentados para fomento, habitação, e cartas de créditos do Pronaf (Programa Nacional de Apoio a Agricultura Familiar).  

250 pessoas ocupam três andares da sede do Incra em MS. (Foto: Marcos Ermínio)250 pessoas ocupam três andares da sede do Incra em MS. (Foto: Marcos Ermínio)


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