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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

19/04/2017 00:20

No Dia do Índio, guarani kaiowá de Dourados fará protesto em Londres

Veron é filho de Marcos Veron, assassinado em 2003, e busca na Europa apoio para a causa indígena no MS

Nyelder Rodrigues
Antes de protesto, Ládio apresentou protesto em universidade londrina (Foto: Reprodução/Facebook)Antes de protesto, Ládio apresentou protesto em universidade londrina (Foto: Reprodução/Facebook)

O indígena douradense da etnia Guarani-Kaiowá, Ládio Veron, de 50 anos, fará nesta quarta-feira (19) um protesto em frente à embaixada brasileira na capital britânica Londres. O ato acontecerá por volta das 4h30 no horário de MS e 9h30 no horário londrino. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

A manifestação acontece justamente no Dia do Índio, e visa mostrar insatisfação contra mudanças na legislação, prejudicando a população indígena do país, e também contra a demora no reconhecimento de terras reivindicadas. Veron é filho de Marco Veron

Nesta terça-feira (18), conforme postagem feita na página do Facebook de Ládio, o indígena apresentou a palestra "Resistindo ao agronegócio e ao estado brasileiro" na SOAS University of London (Faculdade de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, em português).

Além de Ládio, o protesto também deve contar com a participação de membros da entidade Survival Internacional. Segundo a FOlha, ele vai entregar uma carta ao governo brasileiro em Londres, indagando questões como a violação dos direitos indígenas, genocídio dos guarani e o avanço do agronegócio em locais onde índios reivindicam posse.

Veron, antes de ir à Inglaterra, também passou pela Espanha, Grécia e Itália. Ele conta com ajuda da Survival International para buscar apoio à causa indígena em Mato Grosso do Sul, onde os guarani reivindicam 88 áreas.

Morte do pai - Ládio é filho de Marcos Veron, morto em um conflito em Juti, em janeiro de 2003. O crime foi tratado como "Caso Veron" e aconteceu na fazenda Brasília do Sul, que fica na área indígena reivindicada Takuara. No atentado, Ládio também foi sequestrado junto à família. Eles foram atacados por quatro homens armados.

O julgamento dos acusados foi realizado vários anos depois, inclusive, sendo o processo transferido para São Paulo, sob alegação que não haveria isenção suficiente para o caso ser julgado em Dourados.

Ao todo, 24 pessoas foram denunciadas pelo crime, mas a Justiça aceitou a denúncia somente contra quatro. Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabralde foram condenados por sequestro e tortura. O outro segurança envolvido, Nivaldo Alves de Oliveira, ficou 12 anos foragido e se entregou apenas em 2015.



No Mato Grosso do Sul são mais de 30 mil pessoas que se declaram pertencentes a etnias de povos tradicionais, que ocuparam estás terras muito antes de fazendeiros e do Estado brasileiro. Foram escravizados e massacrados e despossuídos de suas terras, considerados marginalizados pelos colonos, onde encurralados em currais pouco férteis, resistem a censura e a opressão. Justiça e reconhecimento do seu valor é o mínimo!
 
Lopes em 19/04/2017 11:37:01
Em MS são mais de 120 propriedades INVADIDAS. Muitas com títulos centenários. Muitas pertencem a pequenos produtores. Quase nenhuma pertence a políticos. São produtores que exerciam seus oficios e mantinham suas famílias. Onde havia convivência e progresso hoje há confronto e muita manipulação. JUSTIÇA JÁ!!
 
monica em 19/04/2017 08:38:43
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